Trump e Putin Reuters O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, bloqueou diversas sanções contra a Rússia dois dias antes de as medidas entrarem em vigor, em meio ao agravamento de um impasse com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. As sanções haviam sido aprovadas pelo Congresso dos EUA e transformadas em lei por Trump em setembro.
LEIA MAIS Zelensky diz que decisão de Trump de suspender sanções à Rússia 'ajuda apenas os russos' Zelensky pede R$ 400 bilhões à União Europeia em meio a tensões com Trump Papa fala ao telefone com Putin, oferece mediação na guerra e pede corredor humanitário Rússia constrói nova base militar em apenas 6 semanas para ataques com drones de propulsão a jato contra Ucrânia, diz agência Trump suspende sanções contra a Rússia No entanto, na noite de sexta-feira (16), o presidente americano emitiu uma ordem executiva afirmando que a suspensão de algumas dessas medidas atendia ao "interesse nacional" dos EUA — uma decisão que provocou reações contrárias de legisladores americanos.
Zelensky lamentou que os EUA tenham decidido "ignorar completamente" as sanções. As relações entre Washington e Kiev se deterioraram após os EUA firmarem um acordo controverso para a importação de diesel russo. A Ucrânia acusou, então, a administração Trump de retirar um apoio militar fundamental ao país na guerra contra a Rússia.
Como conflitos globais viraram dor de cabeça para Trump em eleições de meio de mandato nos EUA As críticas a Trump por seu plano de importar diesel russo: 'Um porto seguro financeiro para a Rússia enquanto mata civis na Ucrânia' 'Chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente', diz Trump após Zelensky condenar acordo sobre diesel com a Rússia Trump e Zelensky trocaram críticas ácidas um sobre o outro nos últimos dias.
O presidente da Ucrânia declarou que era bom estar entre "líderes de verdade" durante uma cúpula da União Europeia, depois que Trump afirmou que Zelensky era "mais difícil de lidar" do que o presidente russo, Vladimir Putin. A nova lei de sanções dos EUA teve como alvo a economia russa, e conferiu a Trump amplos poderes para impor tarifas de até 100% sobre importações provenientes dos cinco maiores compradores de petróleo e gás da Rússia — com destaque para a China e a Índia.
A medida também incluiu sanções contra autoridades russas de alto escalão, incluindo Putin, e também contra instituições financeiras russas, além da chamada "frota fantasma" de Moscou — um conjunto de embarcações utilizadas para contornar embargos já existentes. Embargos suspensos No entanto, muitas dessas disposições foram agora suspensas por Trump. O representante russo Kirill Dmitriev classificou a suspensão como "um momento importante e verdadeiramente histórico".
Em uma publicação no X, ele afirmou que as sanções teriam causado "danos graves", principalmente aos EUA e ao mercado global, e que a cooperação econômica beneficia as duas nações. Representantes do Partido Democrata, incluindo o congressista pela Virgínia, Don Beyer, criticaram a medida e acusaram Trump de capitular diante de Moscou e de virar as costas para Kiev e Zelensky.
"A mais recente rendição de Trump a Putin trai, mais uma vez, nossos parceiros ucranianos e desafia a clara intenção do Congresso, expressa em uma legislação concebida para punir a Rússia por sua guerra de agressão ilegal", escreveu Beyer no X. É provável que a medida provoque ainda mais indignação na Ucrânia, onde Zelensky tem enfatizado, há muito tempo, a necessidade de sanções rigorosas para limitar os recursos que a Rússia pode utilizar em seu esforço de guerra.
Zelensky declarou, na manhã de sábado (17/10), que as sanções "poderiam ter ajudado enormemente" e que a lei "deveria ter exercido uma pressão verdadeiramente eficaz sobre a Rússia para pôr fim a esta guerra".
Ele mencionou os ataques russos ocorridos na noite de sexta-feira para sábado (17/10) contra 15 instalações energéticas ucranianas — que provocaram cortes de energia em várias regiões — e afirmou: "A Rússia está tentando causar um apagão na Ucrânia, justamente antes do inverno." Zelensky ressaltou que é "importante que todos na América também vejam o que realmente está acontecendo".
Zelensky e Trump trocaram farpas recentemente EPA Mais tarde, o presidente ucraniano disse a repórteres que acreditava que a administração Trump suspenderia mais sanções contra a Rússia. Ele também afirmou que negociadores ucranianos conversaram com seus homólogos americanos na sexta-feira (16/10) e que as equipes dos países poderiam se reunir na próxima semana.
Trump foi inicialmente criticado por Zelensky e pelos aliados europeus da Ucrânia por suspender temporariamente algumas sanções dos EUA para permitir a importação de diesel russo, em uma tentativa de reduzir os preços de energia nos Estados Unidos, que dispararam por causa da guerra contra o Irã.
O presidente americano passou meses lidando com as consequências políticas do conflito no Oriente Médio, que fez com que os custos dos combustíveis subissem drasticamente às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA. A inflação crescente prejudicou a imagem de Trump diante do público americano. Zelensky sugeriu que o acordo equivalia a um investimento dos EUA no esforço de guerra da Rússia.
A cidade de Zaporizhzhia esteve entre as regiões atingidas por ataques russos recentes Reuters Poucos dias depois, Trump afirmou que tanto a Rússia quanto a Ucrânia haviam concordado com um "cessar-fogo energético" para facilitar a exportação de diesel russo. Ambas as nações têm atacado intensamente a infraestrutura energética uma da outra. Kiev afirma que o objetivo é limitar as receitas da máquina de guerra russa, enquanto Moscou alega que atinge apenas instalações utilizadas pelos militares ucranianos.
Zelensky expressou, inicialmente, surpresa com o anúncio de Trump e disse que Kiev interromperia os ataques caso a Rússia fizesse o mesmo. Após três dias marcados por novos ataques russos, Kiev retomou suas investidas contra refinarias de petróleo na Rússia. Isso provocou uma condenação contundente por parte de Trump, que classificou os ataques como uma "vergonha".
Zelensky respondeu dizendo que estava "apenas defendendo os interesses da Ucrânia". As preocupações de que Trump esteja alinhado à Rússia intensificaram-se após problemas no funcionamento de um sistema de satélites fornecido pelos EUA, que era utilizado pela Ucrânia. Na semana passada, a Starlink restringiu, de forma repentina e inesperada, a velocidade com que drones podiam operar e mantinham a conexão com a internet.
Segundo a Ucrânia, isso prejudicou algumas missões no campo de batalha e dificultou a capacidade de Kiev de se defender contra ataques russos. Durante o período de lentidão, a Rússia lançou diversos ataques letais contra a Ucrânia — tanto os moradores quanto o governo afirmaram que não houve qualquer aviso prévio. Zelensky declarou na sexta-feira (16/0) que a velocidade da Starlink ainda não havia sido totalmente restabelecida.
Trump negou ter interrompido o compartilhamento de informações de inteligência ou ter reduzido, deliberadamente, a velocidade da rede Starlink na Ucrânia. Autoridades ucranianas confirmaram que, nas últimas 24 horas, pelo menos nove pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas em ataques russos em todo o país. Elas informaram também que, na manhã de sábado (17/10), um motorista de ambulância foi morto e outras 20 pessoas ficaram feridas em ataques russos à cidade de Kherson.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou ter como alvo instalações ligadas ao setor de defesa ucraniano — o que inclui siderúrgicas, uma subestação elétrica e um navio de carga no Mar Negro. *Com reportagem de Helen Sullivan Ganhadora do Nobel da Paz reage contra sanções dos EUA ao Tribunal Penal Internacional: 'Inaceitáveis' Nova 'guerra às drogas' de Trump aposta em 'militarização' na América Latina: o que muda com Flávio Bolsonaro ou Lula no poder? Avanço da direita em eleição no Brasil é vitória de Trump?



