De 50% para 80%: como projeto aumentou a sobrevivência de jacutingas soltas na natureza SAVE Brasil Um macho de jacutinga surpreendeu pesquisadores ao percorrer 30 quilômetros pela Mata Atlântica e retornar ao local onde havia sido solto um ano depois. O deslocamento, identificado por meio de transmissores com GPS, é uma das descobertas do Projeto Jacutinga, que acaba de completar dez anos de reintrodução da espécie na Serra da Mantiqueira.

📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram Na última semana, a SAVE Brasil soltou mais oito jacutingas em São Francisco Xavier (SP), elevando para 82 o número de aves devolvidas à natureza desde 2016, quando ocorreu a primeira soltura na região. O projeto também registrou avanços na sobrevivência dos animais. Nos primeiros anos, aproximadamente metade das aves sobrevivia após a soltura.

Com mudanças no treinamento e na reabilitação, a taxa atual gira em torno de 80%. Antes de ganhar a liberdade, as jacutingas passam por cerca de dois meses de preparação, com treinamento alimentar, reconhecimento de predadores e estímulos a comportamentos necessários à sobrevivência. "Uma jacutinga nascida sob cuidados humanos precisa estar preparada para muito mais do que simplesmente estar saudável para ser solta.

Ela precisa desenvolver habilidades fundamentais para encontrar alimento, reconhecer ameaças e viver na floresta de forma independente", explica Alecsandra Tassoni, coordenadora do Projeto Jacutinga na SAVE Brasil.

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A tecnologia revelou o deslocamento de um macho que chegou a 30 quilômetros de distância do viveiro apenas quatro meses após a soltura. O mais surpreendente veio depois: um ano após ser solto, o animal retornou ao local de origem. "Antes, tínhamos uma informação específica sobre onde a ave estava.

Agora conseguimos acompanhar também seus deslocamentos. Isso amplia nossa capacidade de entender como as jacutingas utilizam o habitat e traz informações importantes para o trabalho de conservação", explica Alecsandra. Nova tecnologia permite monitorar todo o trajeto das aves na natureza SAVE Brasil Os deslocamentos também ajudam a compreender a conexão entre áreas de Mata Atlântica.

Aves reintroduzidas pelo projeto já foram registradas em Monte Verde (MG), indicando que conseguem utilizar diferentes áreas da paisagem. Atualmente, 32 jacutingas são acompanhadas pela equipe e pelo monitoramento participativo, incluindo indivíduos soltos em 2018 e 2019. O acompanhamento, porém, tem limitações.

Os transmissores possuem vida útil média de um ano e, quando deixam de funcionar, nem sempre é possível determinar o destino das aves. Embora existam registros confirmados de predação, o desaparecimento do sinal não significa necessariamente a morte do animal.

O desafio de formar uma população Oito jacutingas voltam à Mata Atlântica após projeto revelar viagem de 30 km de uma das aves SAVE Brasil Apesar dos avanços, o maior desafio do projeto é garantir que as jacutingas consigam se reproduzir e estabelecer uma população autossustentável na natureza. Segundo a SAVE Brasil, a viabilidade populacional na região exige aproximadamente 200 indivíduos, com equilíbrio entre machos e fêmeas reprodutores.

Esse número, entretanto, poderá ser revisto a partir dos novos estudos sobre os deslocamentos da espécie. O projeto já identificou ninhos, ovos férteis e até um filhote fotografado por meio do monitoramento participativo. Ainda falta, porém, confirmar que uma jacutinga nascida na natureza conseguiu sobreviver até a fase adulta.

Até agora, nenhuma ave adulta sem anilhas foi registrada, o que permitiria comprovar essa etapa fundamental para a recuperação da espécie. De volta ao papel de dispersora de sementes Jacutinga surpreende cientistas ao percorrer 30 km e retornar ao local de soltura SAVE Brasil Além de sobreviver e se reproduzir, as jacutingas precisam recuperar sua função ecológica na floresta. Importante dispersora de sementes da Mata Atlântica, a espécie se alimenta de frutos e contribui para a regeneração da vegetação.

Segundo a equipe, as aves já são observadas consumindo frutos do palmito-juçara e de outras espécies nativas assim que deixam o viveiro. O impacto ecológico dessa atividade está sendo investigado em uma pesquisa de doutorado orientada pelo professor Mauro Galetti, especialista em jacutingas. A participação dos moradores também se tornou fundamental para o acompanhamento.

Somente no primeiro semestre de 2026, a comunidade compartilhou mais de 45 registros das aves na natureza. "O envolvimento dos moradores no monitoramento participativo é uma das principais conquistas do projeto, especialmente em termos de engajamento. Hoje, a comunidade também faz parte desse processo de acompanhar o retorno da espécie", afirma Alecsandra.

Dez anos após a primeira soltura, o desafio vai além de devolver jacutingas à floresta: é garantir que elas consigam permanecer, se reproduzir e formar uma população capaz de sobreviver sem novas reintroduções. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente