A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e Facebook, e pediu que a Corte investigue o alcance de publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Na ação, a campanha acusa a companhia de restringir o alcance de publicações ligadas ao candidato governista e seus apoiadores, enquanto conteúdos associados à candidatura de Flávio Bolsonaro teriam recebido distribuição ampliada. Segundo a coligação, há indícios de tratamento desigual na distribuição de conteúdos políticos pela plataforma.
Agora no g1 Os advogados da coligação afirmam que perfis ligados à candidatura adversária, entre eles o do deputado Nikolas Ferreira, registrariam números de visualizações considerados incompatíveis com os parâmetros usuais da plataforma. "O que a campanha leva à Justiça Eleitoral é a comprovação de que a entrega de conteúdos da plataforma é seletiva. De um lado, os conteúdos do candidato Luiz Inácio Lula da Silva e de seus apoiadores sofrem restrições de entrega sem qualquer justificativa ou transparência.
Por outro lado, perfis que atuam como cabos eleitorais da candidatura adversária de Flávio Bolsonaro, a exemplo do deputado Nikolas Ferreira, recebem um alcance desproporcional e artificial, superando em visualizações até mesmo celebridades mundiais", afirmam os advogados da campanha. Segundo a petição apresentada ao TSE, conteúdos da campanha de Lula estariam sofrendo limitações de alcance sem justificativa transparente.
De acordo com o documento, Nikolas tem cerca de 22,9 milhões de seguidores no Instagram, mas suas publicações alcançariam, em média, aproximadamente 40 milhões de visualizações. A campanha compara esses resultados aos de celebridades internacionais com número de seguidores maiores e afirma que os resultados levantam questionamentos sobre os critérios de recomendação de conteúdo adotados pela rede social.
Um dos exemplos citados pela defesa de Lula é um vídeo do deputado que teria alcançado 56,1 milhões de visualizações no Instagram, enquanto a mesma publicação registrou 396,4 mil visualizações no TikTok. Para os advogados, a diferença reforça a necessidade de esclarecimentos sobre a forma como o conteúdo é distribuído aos usuários.
Entre os pedidos apresentados ao TSE, a coligação solicita que a Meta preserve registros e dados de moderação relacionados ao perfil de Nikolas desde 16 de agosto e informe quais medidas eventualmente foram adotadas em relação à conta. A campanha também quer que a empresa detalhe a origem das visualizações das publicações e esclareça se os critérios usados para reduzir a circulação de conteúdos políticos foram aplicados de forma igual a perfis ligados a Lula e a Flávio Bolsonaro.
Além disso, pede que a Corte conceda uma tutela de urgência para interromper as supostas restrições de alcance atribuídas à plataforma. A Meta ainda deverá apresentar esclarecimentos à Justiça Eleitoral, que analisará os argumentos e os pedidos formulados pela campanha. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Ricardo Stuckert Inteligência artificial Outro ponto levantado pela coligação envolve o funcionamento da Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível no WhatsApp.
🔎 A Meta AI é um assistente de inteligência artificial gratuito e integrado ao WhatsApp, Instagram e Facebook. Ela funciona de forma semelhante ao ChatGPT nos serviços da Meta e, a partir de descrições simples, pode produzir textos, planejar atividades e criar imagens, por exemplo. Mais cedo, usuários da Meta AI no WhatsApp relatam que a tecnologia se recusa a gerar imagens de campanha de Lula (PT), mas aceita pedidos semelhantes para o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com a ação, testes realizados pela campanha indicariam que a ferramenta se recusaria a gerar imagens eleitorais relacionadas a Lula sob o argumento de restrições impostas pela legislação eleitoral brasileira. Em situações semelhantes, no entanto, a plataforma permitiria a criação de conteúdos favoráveis a Flávio Bolsonaro, segundo a petição.
A coligação também acusa a empresa de omissão diante de redes coordenadas de produção e disseminação de conteúdo sintético, incluindo deepfakes que circulariam sem a identificação exigida pelas regras eleitorais.



