Lobo-guará é resgatado em São Roque (SP) Núcleo da Floresta/Reprodução Um lobo-guará (Hrysocyon brachyurus) foi resgatado pela equipe do Núcleo da Floresta (Cras) após invadir uma residência nesta terça-feira (25), em São Roque (SP). O animal, um macho de oito anos, estava abatido e foram encontradas fezes com sangue no local. Segundo o Cras, o canídeo pesa 29 quilos e foi apelidado de "Tupã".

O lobo percorreu o quintal da casa e se deitou no chão de uma construção inacabada. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Por se tratar de um animal de grande porte, o lobo foi sedado para que os riscos (para ele e para a equipe de resgate) fossem minimizados. Na sequência, foi colocado no colo pelo biólogo Rafael Mana e levado para a caixa de transporte.

O lobo-guará passou por uma série de exames e permanecia internado para outras avaliações físicas. Tupã será devolvido ao habitat natural assim que os cuidados necessários forem concluídos. Agora no g1 🐾 Símbolo da fauna Além da onça-pintada, o lobo-guará também é considerado um dos símbolos da fauna brasileira.

Segundo o biólogo Rafael Mana, o animal é típico do Cerrado e prefere áreas abertas, como pastagens, por serem mais fáceis de percorrer devido às pernas longas. "Por isso, ele tem essas pernas longas, que permitem caminhar com facilidade pela vegetação baixa. Ele consegue se deslocar muito bem pelas pastagens e caçar pequenos animais, como roedores.

Não é um animal que caça presas grandes", explica. Lobo-guará é resgatado em São Roque (SP) pelo Núcleo da Floresta Núcleo da Floresta/Reprodução Além de caçar pequenos animais, o lobo-guará também é um animal coletor (que se alimenta de frutas), principalmente da lobeira (árvore que recebeu esse nome por produzir um fruto que faz parte da dieta da espécie). O biólogo reforça ainda que o canídeo é classificado como uma espécie vulnerável ao risco de extinção.

🔎 Vulnerável ao risco de extinção não é o mesmo que ameaçado de extinção. A classificação significa que a espécie enfrenta ameaças que podem comprometer sua população e, caso esses fatores continuem, ela pode passar para categorias de maior risco.

"Na nossa região, o principal problema, além do desmatamento, da urbanização e da fragmentação do habitat, é o contato com animais domésticos, principalmente cães e gatos que são abandonados ou ficam soltos em áreas verdes, áreas protegidas e também em propriedades rurais", diz. Segundo Rafael, os animais domésticos acabam transmitindo zoonoses para os lobos-guarás. Portanto, eles costumam sofrer com cinomose, parvovirose e sarna.

Núcleo da Floresta resgatada lobo-guará em São Roque (SP) Núcleo da Floresta/Reprodução "Outro problema são as queimadas, que espantam os animais de seus habitats. Ao deixarem essas áreas, muitos acabam sendo atropelados nas rodovias", acrescenta. "São animais maravilhosos, o símbolo da nossa fauna.

É um bicho extremamente espetacular, um bicho mágico, ao qual a gente tem que dar muita atenção", finaliza.

Rafael Mana, biólogo e voluntário no Núcleo da Floresta Arquivo Pessoal Lobo-guará foi encontrado dentro de um galpão, no bairro rural Pavão, em São Roque (SP) Núcleo da Floresta / Divulgação Fruto-do-lobo é em formato de globo de 8 a 12 centímetros Giselda Person/ TG Lobeira é flor de árvore retorcida que produz fruto que compõe a dieta do lobo-guará Luciano Lima/TG * Colaborou sob supervisão de Eric Mantuan Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM