Imagem aérea da Represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira, capturada em 22 de setembro LUIS MOURA/WPP/ESTADÃO CONTEÚDO O setembro mais chuvoso da história de São Paulo elevou em 58,1 bilhões de litros o volume armazenado no Sistema Cantareira em apenas duas semanas. O principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo passou de 325,5 bilhões para 383,6 bilhões de litros nos primeiros 15 dias do mês. O avanço acompanha um volume recorde de precipitações na capital paulista.
Até esta terça-feira (15), a cidade havia acumulado 261,8 mm de chuva em setembro, tornando este o mês mais chuvoso da história para o período desde o início das medições do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em 1943. Com as chuvas, o volume útil do Cantareira passou de 33,14% para 39,06% entre os dias 1º e 15 de setembro, uma alta de 5,86 pontos percentuais, segundo os dados do Portal dos Manciais, o monitoramento da Sabesp.
🔎 Atualmente, o Cantareira opera na Faixa 3 (Alerta), condição que limita a retirada de água para abastecimento a até 27 m³/s. Em situação de normalidade, a captação pode chegar a 33 m³/s. Caso mantenha o ritmo de recuperação, o sistema poderá migrar para a Faixa 2 (Atenção), classificação aplicada quando o volume armazenado fica entre 40% e 60%.
A recuperação interrompe um longo período de queda dos reservatórios. O ponto mais alto do ano foi registrado em 25 de março, quando o Cantareira atingiu 44,11% do volume útil. Desde então, o sistema sofreu redução gradual ao longo da estiagem, acumulando perdas durante abril, maio, junho, julho e agosto, até encerrar o mês passado com 33,02% de armazenamento.
Na prática, em apenas duas semanas de setembro, o Cantareira recuperou cerca de metade do volume perdido nos cinco meses anteriores. Volume útil do Sistema Cantareira entre 16 de setembro e 16 de agosto de 2026. Reprodução/Sabesp Para a hidróloga Luz Adriana Cuartas, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), as chuvas registradas neste mês tiveram impacto significativo sobre os reservatórios.
Segundo a pesquisadora, um aumento de cerca de 5% no armazenamento em apenas duas semanas é considerado expressivo, especialmente quando comparado aos meses anteriores. Ela destaca que, em agosto, mesmo com chuvas próximas da média histórica, o sistema perdeu 3,7% de volume. Já em junho, apesar das precipitações acima da média, houve uma pequena redução de 0,4% no armazenamento ao longo do mês.
A hidróloga ainda afirma que o risco de desabastecimento diminuiu em relação às projeções feitas no início do ano pelo Cemaden. Hoje, o Cantareira apresenta situação melhor do que a observada no mesmo período de 2025, quando operava com cerca de 31,3% de armazenamento.
De acordo com os cenários elaborados pelo Cemaden, mesmo em uma situação pessimista, com chuvas 50% abaixo da média até dezembro, o sistema poderia encerrar o ano com cerca de 30% de armazenamento, patamar superior ao registrado no fim do ano passado — que foi em torno de 20%.
"No nosso cenário de chuvas na média poderia encerrar dezembro em torno de 52% de armazenamento, ainda na faixa de operação atenção, e se chover 25% acima da média, poderia chegar a 66% passando para a faixa da normalidade, e no cenário de 50% acima da média poderia chegar a 82%", afirma a pesquisadora. Em nota, a SP Águas afirmou que as chuvas registradas nas primeiras semanas de setembro contribuíram diretamente para a recuperação dos reservatórios.
Segundo a agência, a melhora das condições levou o Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, formado pela SP Águas e pela Arsesp, a autorizar a redução da Gestão de Demanda Noturna (GDN) para oito horas ao longo deste mês. A SP Águas informou ainda que, mantido o atual ritmo de chuvas e de entrada de água nos reservatórios, o Sistema Cantareira poderá atingir ou se aproximar de 40% de armazenamento ainda em setembro. Eventual mudança de faixa operacional, porém, só será avaliada ao fim do mês.
Para a primavera, a expectativa é de precipitações acima da média entre setembro e novembro. Procurada, a Sabesp, por sua vez, afirmou que as projeções operacionais para 2026 indicam segurança no abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo mesmo diante de diferentes cenários hidrológicos. Segundo a companhia, medidas adotadas durante a estiagem, como a redução da pressão na rede durante a noite, já proporcionaram uma economia acumulada de cerca de 193 bilhões de litros de água.
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