Fumaça em Santarém Ana Thalia O governo federal anunciou o reforço das ações de combate aos incêndios florestais no Oeste do Pará. Entre as medidas previstas estão o envio de equipes para atuar em campo, o uso de aeronaves no combate às chamas e o reforço da segurança dos brigadistas em áreas de conflito.

✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A operação prevê 287 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de 33 veículos terrestres e 12 aeronaves. Do total de aeronaves mobilizadas, seis são aviões do modelo Air Tractor, utilizados para lançar água sobre as chamas, que ficarão baseados na região de Santarém.

Na área de influência do município, o Ibama identificou 62 incêndios florestais ativos em um raio de 150 quilômetros da zona urbana. A região do Chapadão, na divisa entre Santarém e Uruará, está entre as áreas que preocupam as autoridades devido à pressão sobre a floresta e aos relatos de uso intencional do fogo.

Ações de combate e segurança O reforço foi anunciado durante uma coletiva com representantes dos ministérios do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Agrário e da Justiça, além de órgãos federais responsáveis pela fiscalização ambiental e pela proteção de territórios indígenas.

Entre as medidas estão o emprego de brigadistas no combate direto ao fogo, o apoio de veículos terrestres e aeronaves e o envio da Força Nacional para reforçar a segurança das equipes que atuam em áreas onde foram relatados episódios de hostilidade. Segundo o governo federal, a Força Nacional foi autorizada a atuar após relatos de resistência contra brigadistas nas Terras Indígenas Apyterewa e Ituna/Itatá.

A Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também investigam os responsáveis pelos incêndios criminosos. Chapadão preocupa autoridades Segundo o presidente do Ibama, Jair Schmitt, a maioria dos incêndios na Amazônia neste período está relacionada à ação humana. De acordo com ele, o fogo tem sido utilizado para limpar áreas recém-desmatadas e favorecer a ocupação ilegal de terras.

A prática preocupa especialmente na região do Chapadão, entre Santarém e Uruará, onde há pressão de invasores sobre assentamentos da reforma agrária e florestas públicas. O governo também informou que 208 assentamentos da reforma agrária no Pará foram atingidos por incêndios, sendo sete em situação considerada extremamente crítica. As chamas avançam ainda sobre áreas protegidas, como a Floresta Nacional do Jamanxim, a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu e terras indígenas.

Recursos para municípios O Pará recebeu R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para fortalecer a estrutura de prevenção e combate aos incêndios. Com os recursos, foram adquiridos 46 veículos especializados, sendo oito caminhões de combate e 38 caminhonetes adaptadas, além de cinco drones de monitoramento. O investimento também possibilitou a capacitação de 303 brigadistas municipais.

Santarém passou a integrar neste ano a lista de municípios prioritários do programa União com Municípios, que prevê repasses para ações de combate ao desmatamento e à degradação florestal. A inclusão ocorreu após o aumento da degradação provocada por queimadas registrado em 2024, mesmo com a redução dos índices de desmatamento por corte raso nos anos anteriores.

Estiagem agrava risco de incêndios Durante a coletiva, representantes do governo relacionaram o agravamento dos incêndios à seca severa e às condições climáticas associadas ao fenômeno El Niño. Segundo as autoridades, a vegetação mais seca favorece a propagação das chamas. A previsão meteorológica apresentada pelo governo indica que o período de estiagem severa pode se estender até meados de 2027.