Yayoi Kusama em uma de suas obras, em Nova York, em 2013 Mike Segar/Reuters A artista vanguardista japonesa Yayoi Kusama, que transformou alucinações em arte e ficou conhecida por suas pinturas obsessivas cobertas de bolinhas e representações de abóboras, morreu aos 97 anos. O comunicado publicado em seu site oficial informou que ela morreu em um hospital em Tóquio, no Japão, em 14 de agosto, mas não divulgou a causa da morte.
"Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Kusama construiu uma carreira aclamada internacionalmente como uma artista de vanguarda pioneira, cuja prática criativa abrangeu artes visuais, performance, ficção e poesia", diz o comunicado.
"Ela continuou a pintar até seus últimos dias, sem nunca largar o pincel, e seguiu a explorar o amor sem fima alma eterna." Yayoi Kusama tem galeria permanente no Instituto Inhotim Mostra 'Obsessão Infinita' reuniu mais de 500 mil pessoas em São Paulo Agora no g1 Frustrada com o caráter sufocante da sociedade japonesa, Kusama partiu para Nova York aos 27 anos, onde rapidamente conquistou notoriedade com suas pinturas, inspiradas em alucinações de luzes piscantes, pontos e flores que via desde a infância.
Ela também escreveu, participou de manifestações contra a guerra durante a década de 1960 e, segundo relatos, influenciou artistas como Andy Warhol. Kusama, que falava abertamente sobre suas lutas com a saúde mental, dizia que Nova York lhe causou neuroses. Por volta de 1977, poucos anos após retornar ao Japão, ela se internou voluntariamente em um hospital psiquiátrico e viveu no local por décadas, sendo levada todas as manhãs de carro até seu ateliê nas proximidades.
"Ainda tenho alucinações até hoje", disse Kusama em 2017. "Bolinhas saem voando para todo lado — no meu vestido, no chão, nas coisas que estou carregando, por toda a casa, no teto. E eu as pinto." No Brasil, a japonesa ganhou diversas exposições ao longo dos anos.
Desde 2023, tem uma galeria permanente no Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG). O ambiente recebe duas instalações da multiartista japonesa que batiza a galeria. São elas: “I’m here, but nothing”, de 2000, e “Afermath of obliteration of eternity”, de 2009.
Em 2014, a mostra "Obsessão Infinita" foi sucesso de público no Brasil, tendo passado por três capitais: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, onde reuniu mais de 500 mil visitantes. Nos primeiros dez dias de "Obsessão infinita", o Instituto Tomie Ohtake recebeu 20 mil visitantes. No último fim de semana foram 18.500 pessoas no sábado (19) e 19.500 no domingo (20).
Logo, as filas deram volta no quarteirão do instituto, chegando ao pico de 4 horas de espera para ver as obras de Kusama. Da artista japonesa Yayoi Kusama, I'm Here, But Nothing foi instalada no Inhotim em 2018 William Gomes Yayoi Kusama em foto de novembro de 2013 Andrew Toth/Getty Images North America/Getty Images via AFP/Arquivo
