Jessé (1952 – 1993), cantor que entrou em cena há 50 anos com pseudônimo em inglês, é celebrado por Moisés Navarro no álbum 'Alguém cantando' Divulgação ♫ NOTÍCIA ♬ Em 1974, o astro irlandês de origem argentina Chris de Burgh lançou canção, “Flying”, que ecoou no mundo todo e que, no Brasil, foi regravada em 1976, com a letra original em inglês, por um cantor brasileiro que adotou o pseudônimo de Christie Burgh.
Como a grafia similar dos nomes gerou ameaça de processo, esse cantor adotou ainda em 1976 outro pseudônimo, Tony Stevens, mantido até 1977. Nasceu ali, em 1976, há 50 anos, a carreira desse cantor brasileiro nascido em Niterói (RJ) e revelado em movimento do mercado fonográfico que, ao longo dos anos 1970, fez muitos cantores brasileiros adotarem pseudônimos em inglês para se passarem por astros norte-americanos.
O tal cantor, batizado Jessé Florentino Santos (25 de abril de 1952 –29 de março de 1993), seguiu a onda ao entrar em cena sem a verdadeira identidade, mas fez sucesso mesmo a partir de 1980 quando, após ter sido vocalista do grupo Placa Luminosa, adotou o prenome e se apresentou como Jessé no Festival MPB-80 (TV Globo), defendendo a música “Porto solidão” (1980), composta por Zeca Bahia a partir de versos do poeta Antonio Ginco, o Gincko.
Um dos maiores sucessos do festival, a canção “Porto solidão” alavancou a carreira de Jessé e, após 46 anos, reaparece na voz do cantor mineiro Moisés Navarro em dueto com Claudya, gravado por Navarro para “Alguém cantando”, álbum em que o artista aborda o repertório de Jessé.
Moisés Navarro canta músicas dissociadas da voz potente de Jessé (1952 – 1993) no álbum 'Alguém cantando', casos de 'A noite do meu bem', de 'Romaria' e da música-título de Caetano Veloso Samuca Kim / Divulgação Com lançamento programado para 13 de novembro, em edição da Companhia de Discos do Brasil, o álbum “Alguém cantando” joga luz sobre esse grande cantor fluminense falecido há 33 anos, a um mês de completar 41 anos, em decorrência de acidente de carro sofrido em estrada próxima da cidade Ourinhos (SP).
Gravado sob direção musical do pianista Alexandre Vianna, autor dos arranjos das 10 músicas, o álbum “Alguém cantando” foi batizado com o nome da composição de Caetano Veloso lançada pelo autor em 1977 no álbum “Bicho” e regravada por Jessé dez anos depois no álbum “Eterno menino” (1997). A rigor, mais da metade do repertório do tributo de Moisés Navarro a Jessé é dissociada na memória popular da voz potente do cantor projetado no festival de 1980 – o que enfraquece a louvável iniciativa de Moisés Navarro.
São os casos das músicas “A noite do meu bem” (Dolores Duran, 1959), “Onde está você” (Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, 1963), “Romaria” (Renato Teixeira, 1977) e “Irmãos da lua” (Renato Teixeira, 1982), cantadas por Jessé no show que gerou o álbum duplo ao vivo “O sorriso ao pé da escada” (1983), sendo que “Onde está você” também tinha sido gravada pelo cantor no ano anterior, no álbum intitulado “Jessé” (1982).
Já as músicas “Campo minado” (Mário Maranhão, Mário Marcos e Maximiliano) e “Voa, liberdade” (Mário Maranhão, Eunice Barbosa e Mário Marcos) foram efetivamente lançadas por Jessé em 1980 no primeiro álbum do cantor, gravado no embalo do sucesso de “Porto solidão” no festival MPB-80. Música gravada por Moisés Navarro com a voz de Zeca Baleiro e a voz de Chico Lobo, “Solidão de amigos” (1982) também foi apresentada ao Brasil na voz do homenageado no já mencionado álbum “Jessé” de 1982.
Canção gravada por Jessé no derradeiro álbum do artista, “Raízes” (1992), “Paz do meu amor” (Luiz Vieira, 1963) completa o repertório desfocado do tributo “Alguém cantando”. Capa do álbum 'Alguém cantando', de Moisés Navarro Samuca Kim / Divulgação



