Escolha de deputados e senadores é diferente; entenda o peso do seu voto É comum ouvir, durante as eleições, que votar em um candidato a deputado pode acabar ajudando a eleger outros nomes do mesmo partido. Mas como isso acontece? A explicação está no sistema eleitoral brasileiro.

Veja mais detalhes no vídeo acima ou no texto a seguir. Para cargos como presidente, governador, prefeito e senador, a regra é mais simples: são eleitos os candidatos mais votados. Já nas eleições para deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador, o Brasil adota o chamado sistema proporcional.

📍Em uma série de 50 vídeos, o g1 vai explicar os principais temas das eleições de 2026. Os conteúdos mostram como funcionam as pesquisas, explicam o papel dos cargos em disputa e o funcionamento do Congresso, e trazem orientações práticas para votar. A série também aborda o impacto das novas tecnologias na campanha, como inteligência artificial, deepfakes e influenciadores.

Como funciona? Imagine um estado que tenha 10 vagas na Câmara dos Deputados. No dia da eleição, foram registrados 1 milhão de votos válidos — ou seja, sem contar votos brancos e nulos.

A Justiça Eleitoral divide o total de votos válidos pelo número de vagas: 1 milhão de votos ÷ 10 vagas = 100 mil. Esse resultado é chamado de quociente eleitoral. Na prática, ele indica quantos votos são necessários, naquele exemplo, para que uma cadeira seja conquistada.

Os votos vão para o partido O ponto principal é que, no sistema proporcional, a conta não é feita apenas candidato por candidato. Primeiro, são somados todos os votos recebidos pelo partido ou pela federação. Entram nessa conta: os votos dados diretamente aos candidatos; os votos na legenda, quando o eleitor escolhe apenas o número do partido.

Imagine que um partido tenha recebido, ao todo, 300 mil votos. Se o quociente eleitoral é de 100 mil, essa votação garante, inicialmente, três cadeiras. Quem ocupa essas vagas?

Cadeiras vazias de parlamentares são vistas durante sessão na Câmara dos Deputados em dia de pouco movimento no Congresso Nacional Andressa Anholete/AFP Depois de saber quantas vagas o partido conquistou, é feito um ranking entre os candidatos mais votados daquela legenda. Imagine o seguinte resultado: Candidato A: 180 mil votos Candidato B: 70 mil votos Candidato C: 30 mil votos Candidato D: 15 mil votos Candidato E: 5 mil votos Como o partido conquistou três cadeiras, os eleitos serão, inicialmente, A, B e C.

É aí que surge a expressão de que um candidato “puxou” outro (neste caso, o A "puxou" o B e o C). O candidato A realmente transferiu votos para o C? Não.

O candidato C recebeu, sozinho, apenas 30 mil votos — bem menos que os 100 mil votos do quociente eleitoral. Mas a votação expressiva do candidato A ajudou o partido, como um todo, a conquistar três cadeiras. Essas vagas, então, são ocupadas pelos candidatos mais votados da legenda.

Por isso, diz-se que A “puxou” C. ➡️Reforçando: os votos de um candidato não foram transferidos diretamente para outro. O que ocorreu é que a votação de A ajudou o partido a conquistar mais espaço, beneficiando os demais candidatos mais bem colocados.

Existe um número mínimo de votos para ser eleito? Sim. Hoje, há uma votação mínima para que um candidato possa ocupar uma cadeira conquistada pelo partido na distribuição inicial.

Na regra geral, o candidato precisa ter recebido pelo menos 10% do quociente eleitoral. No exemplo: quociente eleitoral: 100 mil votos; 10% desse valor: 10 mil votos. Portanto, se o terceiro colocado tivesse recebido menos de 10 mil votos, ele não teria direito à cadeira nessa primeira distribuição.

Depois, há outras regras para a distribuição das chamadas sobras eleitorais, que definem o destino das vagas restantes. O que isso significa para o eleitor? Nas eleições para deputado e vereador, seu voto não fortalece apenas um candidato: ele também ajuda o partido ou a federação daquele candidato a disputar mais cadeiras.

Por isso, antes de votar, vale olhar além do nome escolhido e verificar: quem são os outros candidatos da legenda; quais posições eles defendem; se o eleitor se identifica com o conjunto de pessoas que podem ser eleitas caso aquele partido conquiste mais vagas. Em resumo: no sistema proporcional, a escolha de um candidato também tem impacto sobre a força do grupo político ao qual ele pertence.