Três olhares sobre o Pisa O g1 publicou, nesta quarta-feira (23), uma análise do desempenho individual dos estados brasileiros e do Distrito Federal no Pisa 2025 — prova internacional de matemática, ciências e leitura. O levantamento, elaborado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional) a pedido do g1, considerou a situação socioeconômica de cada localidade para calcular quais seriam as notas esperadas no teste.
Para isso, usou o índice informado pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que reúne, em um indicador só, a escolaridade dos pais dos alunos, a situação ocupacional das famílias e o acesso a recursos e bens em casa. Nesta reportagem, veja o que cada secretaria de educação estadual comentou sobre os resultados do Pisa. Os estados que não constam abaixo não haviam respondido ao g1 até a mais recente atualização do texto.
CEARÁ Matemática: 363,3 (10,5 pontos acima do esperado) Leitura: 394,5 (49,7 pontos acima do esperado) Ciências: 393,5 (26,2 pontos acima do esperado) Em nota, a Secretaria da Educação do Ceará afirma que os resultados são consequência de um conjunto de políticas públicas continuadas e de ações pedagógicas e de gestão voltadas à aprendizagem. Entre as principais estratégias citadas, está a expansão do ensino em tempo integral: segundo a pasta, 90% das escolas da rede pública estadual já oferecem essa modalidade.
A Seduc também destaca o programa Foco na Aprendizagem, que reúne avaliação diagnóstica e formativa, formação continuada de professores, tutoria de Língua Portuguesa e Matemática, e uso de material didático estruturado. Para a secretaria, a trajetória de avanço do estado reflete o trabalho conjunto de gestores e profissionais da rede.
GOIÁS Matemática: 380,3 (12,4 pontos abaixo do esperado) Leitura: 410,5 (26,6 pontos acima do esperado) Ciências: 412,5 (5,9 pontos acima do esperado) A Secretaria de Estado da Educação de Goiás relaciona os resultados de Leitura e Ciências aos esforços da rede em programas de incentivo à leitura, letramento científico e recomposição das aprendizagens.
Em Matemática, a pasta afirma que é preciso considerar tanto o impacto das condições socioeconômicas quanto as características do próprio Pisa, que exige dos estudantes raciocínio abstrato e aplicação de conhecimentos em situações-problema. A partir dos dados, a rede diz que pretende ampliar o uso conjunto de avaliações externas e diagnósticas para identificar dificuldades, orientar a formulação de materiais didáticos e fortalecer a formação dos professores.
MINAS GERAIS Matemática: 395,7 (9,2 pontos acima do esperado) Leitura: 430,7 (52,9 pontos acima do esperado) Ciências: 430,1 (29,6 pontos acima do esperado) A Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais atribui os resultados a um conjunto de políticas educacionais implementadas na rede. Entre elas, cita o Programa de Recomposição e Avanço das Aprendizagens (PRA), as avaliações educacionais, a formação dos profissionais da educação e as políticas de ampliação do ensino em tempo integral.
A pasta afirma que os resultados do Pisa 2025 serão analisados em conjunto com outros indicadores educacionais para identificar avanços, desafios e oportunidades de aprimoramento das políticas públicas.
PARÁ Matemática: 356,2 (13,8 pontos abaixo do esperado) Leitura: 386,8 (25,2 pontos acima do esperado) Ciências: 384,8 (0,6 ponto acima do esperado) A Secretaria de Estado de Educação do Pará chama atenção para o caráter amostral do Pisa e alega que os resultados não representam integralmente o conjunto de alunos e escolas da rede estadual. Em 2025, participaram da avaliação 1.088 estudantes de 22 escolas estaduais no estado.
Como referência para acompanhar a aprendizagem, a pasta destaca os resultados do Saeb [prova nacional que segue formato diferente do Pisa], que tem aplicação censitária. Segundo a secretaria, nas duas últimas edições, houve crescimento das médias de Matemática e Língua Portuguesa nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. A rede também cita ações de recomposição das aprendizagens, materiais pedagógicos, monitoramento dos resultados, formação continuada e reforço escolar.
PERNAMBUCO Matemática: 352,2 (3,1 pontos abaixo do esperado) Leitura: 380,6 (33,4 pontos acima do esperado) Ciências: 379,8 (10,1 pontos acima do esperado) A Secretaria de Educação de Pernambuco destaca os resultados de Leitura e Ciências no Pisa 2025 e relaciona o desempenho ao trabalho desenvolvido para fortalecer o ensino médio em tempo integral, com ações voltadas ao pensamento crítico e à capacidade de interpretação.
Em Matemática, a nota de 352,2 pontos ficou 3,1 pontos abaixo da projeção esperada, segundo a própria pasta. A secretaria reconhece que a aprendizagem em Matemática continua sendo um desafio e cita, entre as medidas adotadas, a participação no Compromisso Nacional Toda Matemática, avaliações diagnósticas contínuas, formação de professores e acompanhamento de estudantes com maiores defasagens.
A pasta também ressalta que o Pisa é uma avaliação amostral e tem margens de erro, por isso, os resultados são analisados junto a avaliações censitárias, como o Saeb.
[os cálculos do Iede levaram em conta essas margens de erro] PARANÁ Matemática: 423,1 (15 pontos acima do esperado) Leitura: 458 (59 pontos acima do esperado) Ciências: 461,6 (39,8 pontos acima do esperado) O secretário de Educação do Paraná, Roni Miranda, afirma que os resultados do Pisa reforçam o desempenho apresentado pelo estado em outras avaliações. Ele atribui o resultado ao trabalho de professores, diretores, pedagogos, funcionários, equipes dos núcleos regionais e da Secretaria de Estado da Educação.
Miranda também destaca as características da avaliação internacional e diz que a rede preparou os estudantes para esse modelo. “Ela é uma avaliação interdisciplinar, que o estudante tem que ter um conhecimento de contexto”, afirmou. Segundo o secretário, o trabalho envolveu planejamento e a utilização de metodologias semelhantes às exigidas pelo Pisa.
RIO GRANDE DO NORTE Matemática: 366,5 (dentro do esperado) Leitura: 400,3 (42,1 pontos acima do esperado) Ciências: 397,9 (17,1 pontos acima do esperado) A Secretaria de Estado da Educação do Rio Grande do Norte afirma que os resultados fazem parte de uma trajetória de avanço da educação potiguar.
O órgão relaciona os resultados a medidas como recomposição das aprendizagens, acompanhamento pedagógico, ampliação do ensino em tempo integral e da educação profissional, formação de professores, fortalecimento das avaliações, busca ativa escolar e investimentos em infraestrutura e conectividade. Em Matemática, o desempenho ficou próximo do esperado para o nível socioeconômico do estado; em Leitura e Ciências, ficou acima dessa referência.
RORAIMA Matemática: 338,7 (50,2 pontos abaixo do esperado) Leitura: 363,8 (16,4 pontos abaixo do esperado) Ciências: 362,5 (40,4 pontos abaixo do esperado) A Secretaria de Educação e Desporto de Roraima reconhece que os resultados do Pisa são importantes para identificar desafios e orientar políticas voltadas à aprendizagem.
Ao mesmo tempo, ressalta características específicas da rede, como a extensão territorial do estado e o atendimento a comunidades indígenas, ribeirinhas e de difícil acesso, além das diferenças socioeconômicas entre os estudantes. A pasta afirma que os resultados devem ser analisados em conjunto com outros indicadores. Como exemplo, cita o Ideb 2025, quando Roraima alcançou 5,7 nos anos iniciais, 4,2 nos anos finais e 3,7 no ensino médio — este último, segundo a secretaria, o melhor resultado da série histórica.
A rede também informa que vem ampliando ações de formação de professores, recomposição das aprendizagens, acompanhamento pedagógico, infraestrutura e conectividade. SÃO PAULO Matemática: 403,8 (2,3 pontos acima do esperado) Leitura: 433,7 (41,2 pontos acima do esperado) Ciências: 442,6 (27,3 pontos acima do esperado) O secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, avalia que os resultados do Pisa foram positivos e atribui parte da evolução a mudanças no currículo estadual.
Segundo ele, a proposta passou a trabalhar um número menor de assuntos com maior profundidade, além de priorizar competências como raciocínio lógico, resolução de problemas e aplicação do conhecimento a situações do cotidiano. Feder também cita uma gestão mais próxima das escolas e um acompanhamento da frequência e da aprendizagem dos estudantes. Segundo ele, a frequência média, que era de 78%, chegou a 90%.
“O que o aluno não aprende, a gente sabe rapidamente através das lições de casa, das provas paulistas, consegue atuar em cima”, afirmou. O secretário também comparou os resultados paulistas aos de outros países participantes do Pisa.
TOCANTINS Matemática: 340,9 (38,6 pontos abaixo do esperado) Leitura: 362,8 (8,2 pontos abaixo do esperado) Ciências: 366 (27,6 pontos abaixo do esperado) A Secretaria de Estado da Educação do Tocantins afirma que acompanha indicadores como o Saeb e o Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Tocantins (Saeto) para monitorar a aprendizagem e orientar ações pedagógicas.
A pasta cita 61% de desempenho no Saeto, acima da meta de 55% estabelecida pelo Ministério da Educação, além de participação de 95% dos estudantes na edição de 2025 do Saeb. A secretaria ressalta, porém, que a aplicação do Pisa no estado não foi vinculada a uma avaliação institucional promovida pela própria pasta nem à política de avaliação da rede estadual. Por isso, afirma que os resultados precisam ser interpretados considerando a metodologia e os critérios específicos da avaliação internacional.
Veja todas as notas abaixo: Pisa de cada estado, considerando nível socioeconômico, em levantamento do Iede Arte/g1 Pisa de cada estado em Leitura, considerando nível socioeconômico, em levantamento do Iede Arte/g1 Pisa de cada estado em Ciências, considerando nível socioeconômico, em levantamento do Iede Arte/g1



