Empresária é condenada após aplicar PMMA e paciente quase perder parte da boca Uma empresária, dona de uma clínica de estética em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, foi condenada pela Justiça a pagar R$ 31,4 mil após aplicar polimetilmetacrilato (PMMA) em vez de ácido hialurônico em um procedimento de preenchimento labial. O produto causou graves complicações na paciente, que passou por três cirurgias reparadoras para retirar o material e evitar a perda de parte da boca.
Outras cinco mulheres registraram boletins de ocorrência contra a empresária por casos semelhantes (veja mais abaixo). "Meu quadro se agravou a ponto de eu correr o risco de perder parte da boca", disse a vítima ao g1. Ela não quis se identificar.
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Conselho Federal proíbe médicos de usarem PMMA para fins estéticos ou reparadores A sentença é de 2025, mas o caso começou a repercutir na última semana, quando a autora da ação expôs o caso em um perfil privado nas redes sociais. A dona da clínica foi identificada como Aline Fernandes Motta. Ela não foi presa.
O g1 procurou a defesa dela, que informou que não vai se manifestar sobre o caso. 🔎 O polimetilmetacrilato (PMMA) é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel e utilizada como preenchedor permanente. Na medicina, seu uso é autorizado em situações específicas, como a correção de deformidades e a reconstrução de tecidos.
Empresária é condenada após aplicar PMMA no lugar de ácido hialurônico em preenchimento labial em SC Arquivo pessoal Procedimento foi feito em março de 2022 A autora do processo relatou que fez o preenchimento labial em março de 2022 por indicação. Ela acreditava que receberia ácido hialurônico, substância que é absorvida pelo organismo com o tempo. Segundo a vítima, a empresária se identificava como biomédica e esteticista.
Após o ocorrido, a paciente reuniu em um grupo outras nove mulheres que dizem ter sido vítimas da mesma profissional. Pouco depois do procedimento, os lábios da paciente apresentaram endurecimento, necrose e perda de circulação. A vítima relatou que tentou contato com Aline, mas não obteve suporte e foi bloqueada.
Para conter o avanço do problema, a paciente passou por cirurgias para retirar o produto. Duas delas foram realizadas por um cirurgião-dentista bucomaxilofacial. O laudo da biópsia laboratorial do material extraído confirmou a presença de PMMA.
O que diz a sentença? Segundo a sentença obtida pelo g1, o magistrado aplicou o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e enquadrou o caso como relação de consumo e responsabilidade objetiva do prestador de serviço. O juiz considerou que o procedimento estético representa uma obrigação de resultado - quando se compromete a entregar um objetivo específico e determinado - e que a imperícia e a conduta culposa da empresária foram comprovadas.
💰⚖️ O valor total da condenação fixado na sentença é de R$ 31.400, distribuído da seguinte forma: Danos morais: R$ 15.000 Danos estéticos: R$ 15.000 Danos materiais: R$ 1.400 Grupo com 10 mulheres reúne queixas contra empresária Após o diagnóstico, a paciente descobriu outras mulheres com queixas parecidas contra a empresária. O grupo de 10 vítimas reúne relatos de deformidades, necessidade de cirurgias reparadoras e até de um caso de aplicação nos seios que resultou em necrose.
Segundo as vítimas, Aline atua hoje como pastora em uma igreja de Sombrio, no sul de Santa Catarina. O grupo reúne laudos médicos, exames, conversas e comprovantes de pagamento para auxiliar futuras investigações policiais. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias



