A Síria começou a destruir os remanescentes de um programa clandestino de armas químicas da era Assad, localizados em maio. É a primeira operação desse tipo no país em uma década, disseram nesta quinta-feira um representante sírio e uma autoridade da ONU.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Em maio, a Reuters informou que a nova liderança da Síria havia localizado remanescentes do programa de armas químicas do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, incluindo matérias-primas e munições semelhantes às usadas em ataques fatais com gás durante a guerra civil no país.
Síria condena ex-ditador Bashar al-Assad à morte por crimes contra a humanidade Izumi Nakamitsu, alta representante das Nações Unidas para Assuntos de Desarmamento, disse nesta quinta-feira, durante uma reunião do Conselho de Segurança, que, pela primeira vez desde 2014, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) verificou a destruição de munições químicas na Síria.
Após a descoberta feita em maio, a Síria encontrou "uma instalação adicional de produção de armas químicas, um produto químico recém-identificado usado na produção de agentes neurotóxicos e munições químicas vazias. Também declarou duas instalações de armazenamento de armas químicas onde os materiais recém-descobertos estavam sendo mantidos", afirmou Nakamitsu.
No mês passado, a OPAQ enviou uma equipe à Síria para verificar a destruição de armas químicas da categoria 3, classificação que inclui munições não preenchidas e outros equipamentos usados para liberar agentes químicos. Segundo Nakamitsu, a equipe verificou "a destruição irreversível de 42 bombas aéreas" durante a missão.
LEIA TAMBÉM Síria diz que pode retomar diálogo com Israel, mas exige fim dos ataques Líder religioso de Bashar al-Assad é condenado a prisão perpétua na Síria O embaixador da Síria na ONU, Ibrahim Olabi, afirmou ao conselho que o país estava "protegendo o mundo e a região por meio desse trabalho". Ele, no entanto, fez duras críticas a Israel, afirmando que os repetidos ataques israelenses dificultaram algumas operações de busca e destruição e colocaram em risco as equipes sírias envolvidas no trabalho.
"Não podemos garantir a segurança da região se a nossa própria segurança estiver exposta a ataques de Israel, que está desrespeitando a segurança de toda a região e violando as convenções e os tratados dos quais falamos", disse Olabi. As declarações, feitas em árabe, foram traduzidas durante a reunião do conselho. As Forças Armadas de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Olabi afirmou ainda que a Síria se prepara para realizar a primeira audiência judicial de pessoas suspeitas de envolvimento no programa de armas químicas. No início deste ano, as autoridades sírias prenderam 18 suspeitos por suposto envolvimento no programa de armas químicas de Assad, entre eles autoridades de alto escalão das áreas militar, política e técnica.
Um retrato do presidente sírio Bashar al-Assad, com a moldura quebrada, é mostrado em uma instalação do Departamento de Segurança Política nos arredores de Hama, após a captura da área por forças antigovernamentais em dezembro de 2024. OMAR HAJ KADOUR/AFP



