Filho de senador xinga estudantes da Ufac e diz que ofensas são para militantes O presidente do Partido Liberal (PL) no Acre e filho do senador Márcio Bittar (PL) João Bittar gravou um vídeo onde xinga estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) durante um adesivaço feito em Rio Branco nesta quarta-feira (14). A Ufac publicou uma nota de repúdio referente à situação onde disse que a declaração é 'inaceitável, mentirosa e ofensiva'.
"Ataca não apenas estudantes, mas toda a comunidade acadêmica que constrói diariamente, com trabalho e pesquisa, a universidade do Acre", complementou. (Veja na íntegra abaixo) ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Em vídeo divulgado nas redes sociais, o candidato a deputado federal derrotado nas eleições deste ano, que recebeu 13.440 votos e ficou como suplente, aparece colando um adesivo de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à presidência da República, enquanto profere xingamentos aos estudantes.
(Assista ao vídeo acima) “Pessoal da Ufac, vocês são tudo um bando de vagabundo. Vai estudar, rapaz. Enquanto vocês estão aí, ó, blá blá blá, fake news.
Nós estamos aqui trabalhando. Isso aqui, ó, ninguém pagou para estar aqui não, pô. Pessoal que quer.
O que que eu posso fazer?”, disse no vídeo.
LEIA MAIS: Assessor parlamentar agride eletricista durante discussão em condomínio no Acre: 'Merece porrada' VÍDEO: Motorista derruba moto, agride motoboy e leva 'mata-leão' durante briga de trânsito no Acre Socos e empurrões entre vereadores no AC começaram após rejeição de projeto de lei Filho de senador xinga estudantes da Ufac, se retarata e diz que ofensas são para militantes Reprodução Após a repercussão do caso, João Bittar se retratou nas redes sociais sobre as ofensas aos estudantes.
No novo vídeo, ele afirma que exagerou e que não se referiu a todos os universitários. “Rapaz, acabei exagerando um pouco, dando a entender que todos os estudantes da Ufac são vagabundos. É óbvio que isso não é verdade.
Isso é tô me referindo, é claro, a esses que fazem militância”, afirmou. Após a repercussão do vídeo, João Bittar postou um outro vídeo em suas redes sociais se retratando sobre as ofensas aos estudantes Reprodução Ufac repudiou ato A Universidade Federal do Acre (Ufac) publicou, nesta quinta-feira (15), uma nota de repúdio referente à situação, destacando que o vídeo de retratação apenas aprofunda a ofensa proferida inicialmente, onde se refere aos estudantes militantes como 'vagabundos'.
"Trata-se de uma dupla agressão e de uma acusação grave. Primeiro, generaliza um ataque contra toda a universidade", falou a instituição. "Exigimos retratação pública e integral e reafirmamos, neste 15/10, Dia das Professoras e dos Professores, nossa solidariedade irrestrita as estudantes, aos estudantes e a toda a comunidade acadêmica da Ufac", complementou.
Leia na íntegra a nota da Ufac A Universidade Federal do Acre, em conjunto com a Associação de Docentes da Ufac - ADUFAC, Seção Sindical do ANDES-SN, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Acre - Sintest/AC e o Diretório Central dos Estudantes - DCE da Ufac, vem a público repudiar, com veemência, a conduta do presidente estadual do PL, João Paulo Bittar, que atacou a comunidade acadêmica da Ufac em vídeo com propósito eleitoral, ao dizer: "pessoal aí da Ufac, vocês são tudo um bando de vagabundo".
Essa declaração é inaceitável, mentirosa e ofensiva. Ataca não apenas estudantes, mas toda a comunidade acadêmica que constrói diariamente, com trabalho e pesquisa, a universidade do Acre.
Quem chama universitários de vagabundos desconhece — ou finge desconhecer — a realidade da Ufac: são trabalhadoras, trabalhadores, mães e pais de família que dedicam uma vida inteira ao ensino superior no Acre; são estudantes de todas as classes, indígenas, ribeirinhos, das periferias de Rio Branco e do interior do estado, que enfrentam dois ônibus em seu deslocamento ou que sequer possuem acesso ao transporte público para chegar à universidade, que dependem do RU e da bolsa de permanência; são docentes, técnicas e técnicos, jovens pesquisadoras e pesquisadores que garantem, mesmo com restrições de orçamento, que a ciência produzida na Amazônia continue existindo.
O termo "vagabundo" não é um descuido. É parte de um projeto político que busca deslegitimar a universidade pública para justificar seu desmonte, o corte de verbas e a privatização. A Ufac não é lugar de vagabundagem.
É lugar de aula, de pesquisa, de extensão. É lugar de quem trabalha e estuda para construir o Acre. De forma ainda mais grave, em um suposto vídeo de retratação, em vez de pedir desculpas, João Paulo Bittar reafirma e aprofunda a ofensa ao declarar que seriam vagabundos apenas os estudantes militantes, referindo-se a eles como "quem vive no DCE fumando maconha".
Trata-se de uma dupla agressão e de uma acusação grave. Primeiro, generaliza um ataque contra toda a universidade.
Depois, tenta criminalizar e estigmatizar o movimento estudantil e todas as formas de organização dessa categoria (DCE, centros acadêmicos e atléticas estudantis), com uma retórica preconceituosa, moralista, retrógrada e falaciosa: uma evidente tentativa de deslegitimar quem se organiza, quem debate os rumos da universidade e quem defende a educação pública e os direitos democráticos na sociedade acreana. DCE não é composto por vagabundos.
É uma entidade com mais de meio século de existência e resistência em defesa da universidade pública e gratuita; é a legítima representação dos estudantes da Ufac, formada por jovens que estudam, trabalham, pesquisam e fazem extensão. Criminalizar a militância estudantil é atacar a democracia universitária e a liberdade de organização. Não aceitaremos que a Ufac e suas entidades representativas sejam transformadas em alvo de ataques eleitoreiros e de discursos de ódio.
Exigimos retratação pública e integral e reafirmamos, neste 15/10, Dia das Professoras e dos Professores, nossa solidariedade irrestrita as estudantes, aos estudantes e a toda a comunidade acadêmica da Ufac. Rio Branco - AC, 15 de outubro de 2026. Reveja os telejornais do Acre



