Adolescente pede socorro à PM após suspeita de abuso sexual em praça de SP Imagens das câmeras corporais de policiais militares mostram o momento em que uma adolescente pede ajuda a agentes após suspeitas de abusos sexuais contra crianças e adolescentes em uma praça na Chácara São João, na Zona Oeste de São Paulo. No vídeo, ela relata que um homem de 20 anos estava “passando a mão em todo mundo” que estava no local. O suspeito foi preso em flagrante na noite de quarta-feira (7).
Segundo a Polícia Militar, uma das crianças, de 11 anos, relatou aos agentes que havia sido vítima de estupro em dias anteriores. O homem foi levado à delegacia em Pirituba, na Zona Norte da capital. Ele foi indiciado por estupro, estupro de vulnerável e entrega de objetos ilícitos a menores.
A Justiça manteve a prisão após audiência de custódia nesta quinta-feira (8). Nas imagens, a adolescente conta aos policiais que o homem teria começado a tocar as pessoas quando o grupo chegou à quadra da praça. “Hoje ele estava passando a mão em todo mundo, a gente chegou na quadra, ele já começou, e a gente já ligou para a polícia”, diz a jovem.
Com o suspeito, os agentes apreenderam uma mochila de empresa de entregas, um garrafa de bebida alcoólica, um estilete, cigarros e maconha. O caso ocorre em meio ao aumento dos registros de estupro de vulnerável no estado de São Paulo. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, foram registrados 7.902 casos entre janeiro e agosto de 2026, contra 7.396 no mesmo período de 2025 — alta de 7% (leia mais abaixo).
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os representantes legais dos menores envolvidos no caso já compareceram à delegacia e que foram solicitados exames de corpo de delito ao Instituto Médico Legal (IML). Os policiais encontraram com o suspeito uma bicicleta e uma mochila utilizada para entregas por aplicativo. Dentro dela havia uma tesoura, um estilete, bebida alcoólica e uma pequena porção de maconha.
Reprodução/Polícia Militar-SP Estupro de vulnerável O estupro de vulnerável é caracterizado, entre outras situações previstas em lei, pela prática de ato sexual com menores de 14 anos. A classificação também abrange casos envolvendo pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não têm o necessário discernimento para a prática do ato, além de outras hipóteses legais. No mesmo período deste ano, o estado registrou 2.315 casos de estupro, número quase quatro vezes menor que o de estupro de vulnerável.
Para o juiz Iberê Dias, a educação sexual de crianças e adolescentes é uma das principais ferramentas de prevenção à violência. “Quando se fala de educação sexual, a ideia não é ensinar a criança a praticar sexo. Muito pelo contrário: é justamente propiciar para essa criança mecanismos para que ela tenha como se defender de eventuais agressões”, afirmou.
O sinal de socorro foi criado durante a pandemia por uma fundação canadense de apoio às mulheres, para que a vítima peça ajuda sem que o agressor perceba Reprodução/RBS TV Sinal de socorro Segundo a PM, os agentes conseguiram localizar as vítimas depois que uma das adolescentes fez o sinal internacional de pedido de socorro com as mãos. O gesto é usado para sinalizar discretamente que uma pessoa precisa de ajuda, especialmente em situações de violência em que ela não consegue pedir socorro verbalmente.
✊O sinal internacional de pedido de socorro é feito com a palma da mão voltada para fora. A pessoa dobra o polegar sobre a palma e, em seguida, fecha os outros quatro dedos sobre ele, formando um punho. Para a advogada especialista em Direitos Humanos Claudia Patricia Luna, o conhecimento do sinal pode contribuir para prevenir situações de violência.
“Se esse policial não conhecesse e a vítima também não soubesse desse sinal, o desfecho dessa história poderia ser trágico”, afirmou.



