Água de cachoeira no Amazonas muda de cor e fica barrenta A água da Cachoeira Natal, um dos principais atrativos turísticos de Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas, mudou de cor e ficou barrenta no domingo (13). A situação chamou a atenção de moradores, turistas e autoridades e causou o fechamento da visitação ao local. Assista acima.

No mesmo dia, uma fiscalização foi realizada para tentar identificar a origem da alteração. Nesta segunda-feira (14), uma ação conjunta do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e órgãos municipais identificou a empresa responsável por uma obra irregular às margens do Rio Urubu, a cerca de oito quilômetros da cachoeira. Segundo o Ipaam, a empresa realizava obras de aterro e terraplanagem sem licença ambiental.

A fiscalização constatou ainda que sedimentos provenientes da intervenção estavam sendo lançados no curso d’água. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A suspeita é de que a obra estivesse relacionada à tentativa de formação de uma praia artificial no local. Veja abaixo um antes e depois da água no local: Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio.

Initial plugin text O que deixou a água barrenta? A fiscalização identificou uma grande intervenção em uma área próxima ao Rio Urubu, com movimentação de solo e aterro. De acordo com o Ipaam, não havia medidas de contenção para impedir que os sedimentos da obra chegassem ao rio.

O material acabou sendo carregado para o curso d’água e provocou a alteração na aparência da água observada no domingo. O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, afirmou que a intervenção era de grande proporção. “Foi uma intervenção muito grande, com aterro e terraplanagem irregulares, sem nenhuma contenção para impedir que esse material chegasse ao curso d’água", informou.

O instituto informou que fará uma análise temporal para verificar a proporção da intervenção e exigir a recuperação da área degradada. Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio. Reprodução/Redes Sociais A água continua barrenta?

Não. Durante a fiscalização realizada nesta segunda-feira, o Ipaam constatou que a coloração da água do Rio Urubu estava dentro dos padrões de normalidade. Segundo o instituto, os sedimentos observados no domingo vieram da área onde estavam sendo realizadas as intervenções irregulares.

O órgão informou ainda que, devido ao atual período de estiagem, o risco de um novo carreamento imediato de sedimentos é menor. Mesmo assim, medidas de contenção e recuperação serão necessárias para evitar que o problema volte a acontecer com o aumento das chuvas. Águas da Cachoeira Natal, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.

Reprodução/Redes Sociais Qual foi o impacto ambiental? O caso chamou atenção para os riscos de intervenções sem autorização próximas a cursos d’água e áreas ambientalmente protegidas. A movimentação de solo e o lançamento de sedimentos em um rio podem deixar a água mais turva e favorecer processos de acúmulo de terra e resíduos.

Além do impacto sobre a qualidade visual do ambiente, alterações desse tipo podem afetar o ecossistema aquático. A situação ganhou ainda mais repercussão por ter atingido uma área turística conhecida pelas águas e pelas paisagens naturais. A Cachoeira Natal é um dos atrativos de Presidente Figueiredo e recebe visitantes durante o ano.

Para quem trabalha com turismo na região, a alteração da água também representa um impacto direto sobre a atividade. Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio. Reprodução/Redes Sociais Empresa foi multada em mais de R$ 3 milhões O Ipaam informou que a empresa foi autuada em R$ 3.015.500 por três infrações ambientais.

Do total: R$ 1.510.500 por realizar obra sem licença ambiental; R$ 1,5 milhão pelo lançamento de resíduos em curso d’água; R$ 5 mil pela intervenção em Área de Preservação Permanente (APP). Além das multas, a obra foi embargada pelo Ipaam. O responsável deverá apresentar um Plano de Recuperação de Área Degradada (Prad), com medidas para recuperar a área afetada e impedir que novos sedimentos sejam levados para o Rio Urubu.

O que acontece agora? A empresa tem prazo legal de 20 dias, a partir da notificação, para apresentar defesa administrativa ou optar pelo pagamento das multas. Os valores das multas, segundo o Ipaam, são destinados ao Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema), administrado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Além da responsabilização administrativa, o responsável pela intervenção poderá responder nas esferas civil e criminal caso sejam confirmados indícios de crime ambiental. Os autos produzidos pelo Ipaam durante a fiscalização também podem subsidiar eventual atuação dos órgãos de controle e do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).

A fiscalização desta segunda-feira contou ainda com equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), da Secretaria Municipal de Turismo, Empreendedorismo e Comércio (Semtec) e da Polícia Militar do Amazonas, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb/PMAM). Agora, além da aplicação das multas, o Ipaam deverá acompanhar as medidas de recuperação da área para evitar que novos materiais sejam carregados para o rio, principalmente com a chegada do período de chuvas.

Água de cachoeira turística no AM muda de cor e fica barrenta após intervenção às margens de rio. Divulgação/Ipaam Água muda de cor: fiscalização apura possível dano ambiental na Cachoeira Natal