Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) durante a propaganda eleitoral na TV nesta terça-feira (15). Reprodução O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que apure a conduta do presidente Lula (PT) por suposta relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A petição foi apresentada nesta quarta-feira (23) ao ministro André Mendonça.
Segundo a notícia-crime apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro, mensagens trocadas entre Vorcaro e o advogado Walfrido Warde, extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro, indicam tentativas de aproximá-lo do presidente e de autoridades do governo federal.
No documento, a defesa de Flávio pede que os fatos sejam encaminhados ao procurador-geral da República e que seja instaurado um inquérito para apurar condutas que, segundo a peça, podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa.
“Em razão disso, com base nas mensagens recentemente divulgadas pela mídia, é possível concluir, ao menos em tese, que o Presidente Lula teria utilizado de seu cargo de Presidente da República como forma de atender interesses ilícitos de Daniel Vorcaro junto ao Governo Federal, inclusive mediante o recebimento de vantagem indevida (presentes)”, diz o documento. Procurada pelo g1, a defesa do presidente Lula ainda não se pronunciou sobre a notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro.
Segundo reportagem do jornal O Globo, o advogado Walfrido Warde, que até janeiro deste ano fazia parte da defesa de Daniel Vorcaro, citou, em uma conversa de WhatsApp com o então dono do Banco Master, um suposto whisky dado de presente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mensagens fazem parte do acervo extraído do celular de Vorcaro e foram obtidas pela reportagem. A reportagem cita que o diálogo ocorreu 49 dias após a reunião entre Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024.
De acordo com a apuração, Warde afirmou ainda que o petista “mandou um abraço” para o banqueiro. O encontro não constou da agenda oficial e foi intermediado pelo ex-ministro Guido Mantega. A reunião entre Lula e Vorcaro foi citada por Flávio Bolsonaro durante entrevista ao Jornal Nacional, após o senador ser questionado sobre os seus encontros com o banqueiro.
O candidato afirmou que sua relação com Vorcaro era privada, negou ter oferecido qualquer favorecimento e direcionou as críticas ao presidente Lula. “O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então, fica a pergunta aqui: quem deve explicações é o Lula”, afirmou Flávio na entrevista.
Sobre esse encontro com Vorcaro, Lula afirmou em fevereiro de 2026 que recebeu o então banqueiro a pedido, em compromisso sem registro na agenda oficial do Palácio do Planalto. Segundo o presidente, o ex-ministro Guido Mantega foi quem levou Vorcaro para vê-lo. "Ele então me contou da perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessado em derrubar ele, não sei das quantas...", disse Lula.
"O que eu disse pra ele: 'não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica, feita pelo Banco Central'. Foi essa a conversa", afirmou.



