'Não nos amedronta’, diz arcebispo de Aparecida sobre risco de Nossa Senhora Aparecida perder título de Padroeira do Brasil Patrick Cesar/g1 O arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, afirmou nesta segunda-feira (12) que não teme que Nossa Senhora Aparecida perca o título de Padroeira do Brasil em meio à polêmica eleitoral envolvendo o nome da santa e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Durante uma coletiva de imprensa no Santuário Nacional, em Aparecida (SP), por volta das 11h, o religioso foi questionado sobre a possibilidade de mudanças no título em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, diante de manifestações contrárias à designação por parte de algumas lideranças evangélicas. Flávio nega qualquer projeto nesse sentido. “Não tenho nenhum temor de que Maria deixará de ter a importância que tem na vida do povo brasileiro”, afirmou.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Na resposta, dom Mário reconheceu que existem movimentações políticas favoráveis e contrárias ao título, mas disse que isso não deve assustar a Igreja. Homilia de Dom Mário, arcebispo de Aparecida, prega paz e critica indiferença “Mas isso não nos aterroriza, não nos amedronta, porque o que é que nos cabe? Preservar e cultivar na piedade popular, com respeito ao nosso povo, essa devoção tão secular”, declarou.
O arcebispo também afirmou que, neste momento, não cabe à Igreja fazer projeções sobre possíveis cenários políticos após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. “Eu creio que, no momento, não cabe a nós fazer cenários que nos assustem ou que destituam aquilo que estamos vivenciando hoje com muita alegria”, disse.
Durante a coletiva, dom Mário lembrou que o título de Padroeira do Brasil foi concedido a Nossa Senhora Aparecida pelo papa em 1930 e proclamado oficialmente no país em 31 de maio daquele ano, no Rio de Janeiro, então capital federal. O religioso afirmou que a devoção à santa deve continuar sendo preservada, independentemente das disputas políticas. Ele também defendeu o diálogo para que a Igreja contribua com a convivência entre diferentes crenças e com a construção da paz no país.
“Vamos continuar acolhendo a todos, vamos continuar, se necessário, da parte do Santuário e também da parte do nosso episcopado, dialogando para que o melhor aconteça, não só para a vida e a fé de católicos, mas da paz e da justiça em todo o nosso Brasil”, afirmou. Mais cedo, durante a missa solene do Dia de Nossa Senhora Aparecida, dom Mário Antônio da Silva fez um apelo contra a indiferença diante da fome, da pobreza, da violência, das guerras e do sofrimento de crianças, jovens e idosos.
Na homilia, o arcebispo também defendeu a construção da paz e criticou divisões e confrontos, afirmando que o Evangelho não autoriza o ódio contra quem pensa diferente. Ao citar o papa Leão XIV, destacou a necessidade de uma “paz desarmada e desarmante” e afirmou que os cristãos devem construir pontes, em vez de muros.
Debates, missas e visitas: como candidatos transformam Basílica de Aparecida em 'vitrine' para atrair voto católico Foto 1: Ricardo Stuckert / PR | Foto 2: Thiago Leon/A12 | Foto 3: Vittor Sales Polêmica eleitoral Nos últimos dias, Nossa Senhora Aparecida passou a ser citada no debate eleitoral após a circulação de informações falsas sobre uma suposta intenção de Flávio Bolsonaro de retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O senador negou a intenção de fazer essa mudança.
A discussão também envolve críticas de algumas lideranças evangélicas ao título atribuído à santa, que é venerada por católicos de todo o país. Questionado sobre o tema, o arcebispo evitou fazer previsões sobre possíveis mudanças após as eleições e reforçou que a prioridade da Igreja deve ser manter a devoção popular. Dom Mário também falou sobre a emoção de participar da celebração de 12 de outubro como arcebispo de Aparecida.
Ele destacou a alegria dos fiéis e afirmou que a festa da Padroeira não se limita ao dia da celebração, mas se prolonga durante todo o ano. O religioso disse que pretende se inspirar nas virtudes atribuídas a Maria, como humildade, ternura, paciência, perdão e misericórdia. “A festa de Nossa Senhora Aparecida não termina hoje.
Ela continua, ela se expande, se prolonga, digamos assim, o ano inteiro”, afirmou. Ao comentar a possibilidade de mudanças no cenário político, dom Mário reforçou que a Igreja continuará acolhendo os fiéis e trabalhando para preservar a devoção à Padroeira do Brasil. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina



