Menina conquista seguidores ao mostrar rotina em fazenda do Sul de MG O cotidiano de uma fazenda em Boa Esperança (MG) se tornou cenário para os vídeos de uma menina de 11 anos, que há um ano vem conquistando espaço nas redes sociais ao mostrar a sua rotina na propriedade da família com o objetivo de valorizar a vida na roça.
Neste Dia das Crianças, o g1 conta a história de Beatriz Cardoso Nogueira, que, entre os estudos, os cuidados com os animais e a lavoura de café, os passeios a cavalo e as brincadeiras na roça, mostra como é crescer no campo e aprender com as gerações anteriores, e compartilha as suas experiências com seguidores.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Com o apoio da mãe, Flávia Aparecida Cardoso Oliveira, de 33 anos, Bia compartilha suas tarefas cotidianas e apresenta aos seguidores atividades que fazem parte da realidade da família. O perfil da menina no Instagram já tem quase 10 mil seguidores.
Bia Nogueira mostra a vida na roça nas redes sociais Arquivo pessoal Vontade de ser artista A ideia de levar essa rotina para a internet surgiu depois que Flávia participou de um concurso de cafés especiais e ficou em segundo lugar. Durante uma visita à propriedade, uma profissional de marketing da cooperativa onde ela trabalhava ficou encantada com a história da família e sugeriu a criação de um perfil para que mais pessoas tivessem acesso ao que acontecia na fazenda.
Bia revelou à mãe que queria ser artista e ficar conhecida. A menina, que é fã de Ana Castela, se inspira na forma como a cantora usa a internet e queria fazer algo parecido. Flávia decidiu abraçar o sonho da filha e se dedicou a aprender tudo para realizá-lo.
“Eu não era muito do mundo digital. Até antes da pandemia, eu tinha um celularzinho preto que só recebia e fazia ligações. Eu não entendia esse negócio virtual”, conta.
Beatriz Nogueira mostra a rotina nas lavouras da fazenda da família em Boa Esperança, MG Arquivo pessoal Aos poucos, e com a ajuda de grupos de mulheres que também trabalham no agro, mãe e filha aprenderam a produzir conteúdo, driblaram as dificuldades de conexão — quando chove, a internet costuma cair — e encontraram nas redes sociais uma maneira de compartilhar a rotina da fazenda e aproximar outras pessoas da realidade do campo.
Flávia conta que a orientação recebida foi preservar a identidade da família, sem tentar reproduzir o conteúdo de outros influenciadores, e é isso mesmo que elas fazem, sem filtro e de forma natural. Nos vídeos, a menina aparece ajudando na secagem do café, andando a cavalo, alimentando o gado, fazendo a ordenha da vaca e participando dos cuidados com os animais. O vídeo dela aplicando vacina em uma vaca tem 70 mil visualizações.
Muitas das ideias para as gravações partem da própria Bia. Nos vídeos, ela mostra, por exemplo, a secagem do café e o processo de secagem das vacas (período em que a ordenha é interrompida antes do parto seguinte). Bezerro nasce durante entrevista de menina que mostra a vida da roça nas redes sociais
O inesperado também é fonte de material para a página de Bia, como o nascimento de um bezerro durante a entrevista dela para o g1, feita por videochamada (veja vídeo acima). A vida no campo como ela é Para Flávia, a simplicidade da rotina é justamente o que aproxima o público da história de Bia. A repercussão dos vídeos também tem sido uma oportunidade para explicar práticas da atividade rural a quem não conhece o cotidiano de uma fazenda.
Beatriz Nogueira mostra a rotina nas lavouras da fazenda da família em Boa Esperança, MG Arquivo pessoal “Às vezes, tem comentários de pessoas que não conhecem a realidade do campo. A gente tenta explicar, e elas falam: ‘Nossa, eu não sabia disso, que legal’. Aí já muda um pouco o jeito, a expressão, o modo de pensar”, conta.
A família procura apresentar o agronegócio com respeito, sem esconder as dificuldades enfrentadas por quem vive da atividade. “Não é fácil tirar o sustento da roça. É muita luta, muita dificuldade e até muita pressão.
A gente investe tempo e dinheiro e, às vezes, as coisas não dão certo por vários fatores, pelo clima ou pela venda”, explica. A infância na roça Bia não mostra apenas a sua infância, mas toda uma tradição familiar. A sua rotina é a mesma que Flávia viveu e que, com orgulho, ela passa para a filha.
A mãe acredita que a participação da menina na rotina da propriedade é uma forma de transmitir conhecimentos e manter viva a história da família.
Flávia Oliveira e a filha Beatriz Nogueira valorizam a vida na roça nas redes sociais Arquivo pessoal "Eu queria que as pessoas vissem que as crianças podem, sim, estar junto com os adultos de uma maneira que não prejudique a infância delas, de uma forma educativa, de uma forma que elas respeitem esse mundo que a gente vive com amor, carinho, para elas já começarem a entender a nossa história.
A Bia vem carregando o legado da minha família, o que o meu pai, minha mãe passaram para mim, e agora eu estou passando para ela. É a continuação da nossa história", diz Flávia. Flávia ressalta que a filha participa das atividades por iniciativa própria e que os estudos e as brincadeiras continuam fazendo parte da sua rotina diária.
“A Bia é curiosa, gosta de estar sempre aprendendo. Eu acho que é por isso que ela também gosta tanto da roça”, afirma a mãe. Das redes sociais para as passarelas Bia Nogueira, de 11 anos, foi eleita Miss Café Mirim do Brasil e Miss Agronegócio.
Watson Fotógrafo Com a projeção que ganhou nas redes sociais, Bia também passou a representar a roça em concursos de miss. A garota já ganhou como Miss Flores do Café, Miss Brasil Café Mirim 2027 e Miss Agronegócio.
Os dois últimos títulos foram conquistados em setembro deste ano. Na ocasião, um dos seus diferenciais foi o vestido feito com sacas de café com bordados que representavam as flores do cafeeiro. A ideia foi de Flávia, que quis retratar a história da família e a infância de Bia, que costumava usar as pilhas de café como escorregador.
“Eu queria uma coisa que representasse a nossa história aqui da roça, a nossa essência”, explica Flávia. A confecção do vestido, feito pela costureira Monique Pereira, foi um desafio. O trabalho levou três meses e exigiu vários testes devido à delicadeza do tecido de juta, que é difícil de costurar.
Os detalhes foram pensados para ressaltar a identidade da produção cafeeira, com flores feitas à mão e bordados com a estampa usada na saca de café. O resultado emocionou a mãe desde a primeira prova. Segundo ela, o caimento do vestido lembrou um manto de Nossa Senhora.
A peça também chamou a atenção durante o desfile e recebeu comentários positivos nas redes sociais, especialmente pela originalidade e pela ligação com a cultura do café. Um legado passado de geração em geração Post no perfil de Bia Nogueira valoriza a trajetória da sua família na roça Reprodução Instagram Para Flávia, o projeto nas redes sociais vai além da popularidade.
A principal motivação é transmitir à filha os ensinamentos recebidos dos pais e mostrar que a vida no campo reúne conhecimentos, histórias e tradições que merecem ser compartilhados. Ao compartilhar a história e a rotina da família e os desafios de viver na roça, Bia também alimenta os próprios sonhos. Além de conhecer Ana Castela, a menina quer cursar veterinária e visitar o Texas, nos Estados Unidos, para conhecer como funciona a vida rural por lá.
A mãe também vê na repercussão do perfil uma oportunidade de inspirar outras famílias e valorizar o trabalho rural. Segundo ela, contar a própria história tem permitido conhecer pessoas de diferentes estados que compartilham propósitos semelhantes. “Eu me espanto como a nossa história está tocando tanto na vida de outras pessoas e aí eu vejo a importância do que a gente faz”, diz Flávia.
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