Sucuris acasalam durante travessia na Transpantaneira em MT Três sucuris entrelaçadas durante o acasalamento surpreenderam turistas que passavam pela Transpantaneira, estrada que liga Poconé ao distrito de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense. O registro foi feito nas últimas semanas pelo guia de turismo peruano Lorenzo Cahuana, enquanto acompanhava um casal holandês e uma jovem australiana.
Nas imagens, uma das serpentes atravessa a estrada em direção às outras duas, que já estavam entrelaçadas, e se junta ao chamado “bolo de sucuris” (assista acima). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Segundo Lorenzo, o grupo estava em um veículo quando avistou os animais. Embora encontrar bichos atravessando a Transpantaneira faça parte da rotina dos passeios, ele contou que nunca havia presenciado uma cena como essa, mesmo após anos trabalhando como guia, inclusive na Amazônia.
“É normal ver animais atravessando, por isso sempre vamos a 20, 30, no máximo 40 km/h. Quando vimos a sucuri, descemos devagar para observar. Uma delas acabou voltando para o mato e pensei que tinha perdido o registro, mas ela retornou à estrada e, para nossa surpresa, apareceu outra com quem estava acasalando”, relatou.
A princípio, Lorenzo pensou que estivesse diante de uma mãe com filhotes. Ao continuar observando, porém, percebeu o comportamento de acasalamento. A surpresa aumentou quando uma terceira sucuri saiu da mata e se juntou às outras duas.
“Foi uma experiência única, que nunca vou esquecer”, declarou. Ao g1, o biólogo Luiz Eduardo Saragiotto explicou que é comum as pessoas acharem que sucuris estão acompanhadas de filhotes, quando, geralmente se trata de uma fêmea acompanhada de machos. "As sucuris fêmeas chegam a 6 a 7 metros de comprimento, enquanto os machos raramente passam de 2", afirmou.
Por que as serpentes formam ‘bolos’? Sucuris acasalam durante travessia na Transpantaneira em MT Lorenzo Cahuana A formação de grupos de serpentes entrelaçadas pode ocorrer durante o período reprodutivo. Em entrevista recente ao g1, a bióloga Angélica Gomes da Silva explicou que as fêmeas liberam feromônios capazes de atrair vários machos.
Com mais de um animal disputando a oportunidade de copular com a mesma fêmea, podem se formar os chamados “bolos de serpentes” ou "bolo nupcial". A bióloga também orientou que os animais não sejam incomodados, mesmo quando apresentam um possível comportamento reprodutivo. Além de provocar uma reação defensiva, a aproximação pode interferir no comportamento natural da espécie.
Reprodução e filhotes Ainda segundo Luiz Eduardo, as fêmeas podem gerar cerca de 30 a 40 filhotes com sêmen de diferentes machos. Outra curiosidade é que não há cuidado parental entre as cobras. "Depois que uma sucuri pare os filhotes, ela vai embora, ninguém cuida deles.
Geralmente, elas dão à luiz muitos filhotes para que algum possa chegar à fase adulta. Os únicos grupos que cuidam de filhotes são mamíferos e aves", explicou. Ele afirmou ainda que o grande número de filhotes se deve ao fato de não haver esse cuidado.
Como não há supervisão dos pais, nascem muitos filhotes para que haja a possibilidade de pelo menos um chegar à fase adulta. Diferente do ser humano, considerado "o melhor cuidador de filhote da natureza", exemplificou. O humano dá à luz um único filhote, geralmente, porque o nível de cuidado é alto e a chance de sobrevivência é maior.



