Entre ritmos da Amazônia e da América Latina, artista indígena Posada apresenta show em Belém Divulgação Carimbó, cumbia, reggae, dancehall e música eletrônica atravessam o repertório que a artista indígena Posada apresenta em Belém no dia 10 de outubro, na Casa Apoena, no bairro da Cidade Velha. Com raízes familiares colombianas, a compositora, DJ e produtora sobe ao palco com “Flecha Envenenada”, seu álbum de estreia, lançado em março.
O show integra a edição de Círio de Nazaré do Baile Felina, festa idealizada pelas DJs e produtoras culturais Nat/Esquema e Gabi Matos. Nas oito faixas do disco, Posada reúne referências construídas em uma trajetória entre o Sul e o Norte do Brasil e em uma pesquisa sobre ancestralidade, identidade e os territórios de onde vieram seus antepassados. Belém ocupa um lugar importante nessa formação.
A artista passou temporadas na cidade durante a juventude e encontrou aqui uma relação com a música que ultrapassava as casas e ocupava as ruas. Para Posada, apresentar o álbum durante o Círio tem um significado particular. “O Círio é um momento muito importante no calendário e na vida do paraense.
É um momento em que a cidade está muito viva, de fé, de afeto, de acolhimento e comunhão, mas também de liberdade. O Círio abraça todas as culturas, todas as religiões. É um momento de muita diversidade, de muita pluralidade”, afirma.
Artista indígena em contexto urbano, ela relaciona a criação musical aos próprios processos de retomada de identidade. A ideia atravessa o título do disco, que parte da imagem da flecha como instrumento de proteção. “A flecha envenenada vem na representação de um artefato que está protegendo um território, que está protegendo uma história.
Então, para mim, trazer as sonoridades que, a partir da minha experiência, sobrevivi nesses lugares é uma forma de proteger essas memórias”, explica. Da Colômbia ao Pará A relação com a Colômbia passa pelas lembranças musicais do pai. Posada conta que cresceu ouvindo bolero e salsa e, ao longo da própria trajetória, identificou conexões entre essas referências e os sons encontrados no Pará.
A cumbia e outras sonoridades latino-americanas também passaram a integrar uma pesquisa musical iniciada antes do álbum. No Pará, algumas das experiências que marcaram essa formação vieram das temporadas em Belém. Posada lembra especialmente das viagens durante o Natal e o Ano Novo, quando a família se reunia na Matinha, área que hoje integra o bairro de Fátima.
As festas se estendiam às ruas, com diferentes famílias colocando seus sistemas de som e DJs do lado de fora das casas. “A cultura de estar na rua, de ocupar a rua com música, com festas, celebrações, foi uma experiência muito valiosa e que mudou muito também a minha forma de manifestação artística, popular”, conta. ‘Flecha Envenenada’ Belém também atravessa o disco.
“Tenoné”, faixa que abre o álbum em ritmo de côco, nasceu das histórias sobre a infância da mãe de Posada no bairro que dá nome à canção, entre igarapés, noites e brincadeiras. Em “Madrugada”, são as experiências da própria artista que conduzem a narrativa. A segunda faixa do álbum, que dialoga com reggae, dancehall, rap e música eletrônica, ganhou um clipe dirigido por Guima Neto, realizado sem uma produtora responsável e com financiamento por meio de edital da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
No vídeo, Posada percorre de bicicleta lugares relacionados à adolescência em Belém. O trajeto passa pela Matinha, São Brás, Nando Vinil e Feira do Açaí até chegar às margens do rio Guamá. “É alguém que está retornando à cidade e quer viver esse dia”, resume a artista.
“Flecha Envenenada”, álbum de estreia de Posada, lançado este ano. Divulgação Baile Felina tem edição de Círio O show integra a edição de Círio de Nazaré do Baile Felina, projeto idealizado por Nat/Esquema e Gabi Matos que busca ampliar a presença e a visibilidade de mulheres DJs no Pará. Para Posada, a apresentação representa também a continuidade de uma relação artística construída desde 2024, quando dividiu uma programação musical com as parceiras.
“São parceiras que estão totalmente conectadas com os movimentos que eu faço. A gente se conheceu tocando juntas em um line-up em 2024 e, a partir daí, seguiu sempre se acompanhando. Foram encontros que aconteceram de maneira muito orgânica.
Tem toda uma construção por trás”, conta. A possibilidade de apresentar “Flecha Envenenada” no Baile Felina já havia sido discutida anteriormente, mas não se concretizou por questões de agenda. “Estou muito animada, muito feliz e me preparando muito para esse momento de conexão e celebração”, afirma.
Nascida e criada em Belém, Nat/Esquema é pesquisadora, DJ, produtora cultural e curadora. Sua pesquisa musical percorre diferentes épocas e estilos, com atenção à música brasileira e paraense e à cultura dos discos de vinil no estado. Ela também integra a programação da noite.
Serviço Baile Felina – Edição de Círio de Nazaré Com Posada e Nat/Esquema Data: 10 de outubro de 2026 (sábado) Horário: 20h às 4h Local: Casa Apoena Endereço: Rua São Boaventura, nº 171, Cidade Velha, Belém (PA) ✅ Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Vídeos com as principais notícias do Pará



