Boate Chatanooga era o ponto de encontro dos jovens em Campo Grande Antes dos celulares, das redes sociais e dos aplicativos de relacionamento, era nos clubes que os campo-grandenses se encontravam para dançar, fazer amizades e paquerar. Círculo Militar, Chatanooga, Surian e Rádio Clube estão entre os espaços que fizeram parte da vida noturna da cidade nas décadas de 1970, 1980, 1990 e 2000.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp As pistas mudaram com o passar dos anos e as boates que marcaram época em Campo Grande deixaram de existir. Mas, para quem viveu aquela época, uma coisa permanece: a lembrança das noites de dança e dos encontros que aconteciam nesses lugares. Um baile que virou história de amor A história de Selene Andréa Simioli, de 71 anos, se mistura à dos bailes de Campo Grande.

Na década de 1970, os eventos reuniam famílias inteiras, com música ao vivo, carnaval de marchinhas e dança de salão. “Eram noites maravilhosas. A gente esperava chegar no domingo, saía com as amigas da rua.

A gente adorava dançar música lenta, discoteca também. Ficava esperando tocar umas músicas bem legais para se divertir, arrumar paquerinha. Era adolescente de 17, 18 anos, era muito bom”, lembra Gislene Ricalde.

Para Selene, uma das noites no Círculo Militar teve um significado ainda maior. Foi em um baile, em 1974, que ela conheceu o homem que se tornaria seu marido. Os dois se casaram oito meses depois.

Após viverem 14 anos fora de Campo Grande, voltaram para a cidade e continuaram frequentando os bailes. “Eu conheci meu marido lá no Círculo Militar em 1974. Em oito meses nós casamos.

Fomos para fora por 14 anos e voltamos. Frequentamos bailes maravilhosos, tocando timbaia, bolero, tango”, conta. As lembranças também incluem os carnavais de marchinha e os encontros familiares.

“Participamos de carnaval com marchinha. A gente se reunia na calçada e ia a pé para o Círculo. Tinha jantar, tinha suco, era mais saudável.

Depois levamos os filhos para a piscina do clube todo fim de semana.” Flashback e os grupos de dança Com o passar dos anos, os salões também se transformaram em pontos de encontro para os jovens. A música mudou, os estilos de dança também, mas os clubes continuaram sendo espaços de convivência. Chatanooga Reprodução/ Redes Sociais Nos anos 1990, o flashback ganhou espaço nas festas e criou uma geração que ia aos clubes principalmente para dançar.

O Marquinhos Espinosa era um DJs que comandava a lista de músicas que seriam trilha sonora da noite. Ele conta que a boate Chatanooga abriu em 1987 e fechou em 2005 e marcou muitas gerações de Campo Grande. "Entre 1997 e 2002 foi usado o nome Chatahooty.

Em 2000 tive convite do DJ Marcelo Azambuja para começar a tocar nas noite de sábado". Marquinhos relata que nesse período começou a promover festas e nelas eram distribuídos CDs Promocionais, que são conhecidos até os dias atuais. Para ele, o mais conhecido foi o Chatanooga Especial de Natal "Apesar de ter começado a tocar em 1991, foi na Chatanooga que minha carreira foi consolidada em Campo Grande".

Boate Chatanooga nos anos 90 Edgar Scaff Os grupos de amigos chegavam de diferentes bairros da cidade. Para muitos, o deslocamento fazia parte da experiência. O vigilante Clayton Medeiros também guarda lembranças das noites de festa.

Segundo ele, os amigos se encontravam no terminal de ônibus e seguiam juntos para os bailes. “A gente se encontrava no terminal, eram uns seis amigos. Era só o dinheiro da passagem para ir e para voltar.

Eram dois ambientes, pagode e eletrônico, lotava”, lembra. Mesmo depois de se casar e ter filhos, Clayton manteve o hábito de sair para dançar. Hoje, os bailes de flashback são uma forma de reencontrar a música e os passos que fizeram parte da juventude.

“Hoje eu casei, tenho filhos, mas a gente ainda marca flashback no sábado com a esposa, vai curtindo, dançando daquele jeito que era. Música é alegria.” Rádio Clube era ponto de shows e carnaval para os jovens Redes sociais Lugares que ficaram na memória Com o passar dos anos, muitos desses espaços mudaram de perfil ou deixaram de receber os mesmos bailes que marcaram gerações. Para quem viveu aquele período, porém, os endereços continuam associados a músicas, amizades, romances e noites de dança.

LEIA TAMBÉM: A vida noturna que revive endereços históricos, mas luta para existir nas ruas de Campo Grande Malas pelo ar e um italiano barulhento: os segredos de um hotel icônico às margens dos trilhos de Campo Grande As festas também mudaram. O que antes dependia de uma ida ao clube, do encontro no terminal ou da indicação dos amigos ganhou novas formas de organização e divulgação, através das redes sociais. Mas a memória permanece.

Para quem viveu os bailes, basta ouvir uma música conhecida para lembrar da pista, dos amigos e dos passos de dança. E, em meio às festas de flashback que ainda são realizadas na cidade, algumas dessas histórias continuam sendo revividas por quem não deixou a dança para trás. Crianças e jovens frequentavam o Clube Surian Redes sociais Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul.