Medo de assédio afeta rotina de mulheres que usam ônibus no Rio, aponta pesquisa da FGV O medo de sofrer assédio e outros tipos de violência afeta a rotina de mulheres que usam ônibus no Rio de Janeiro, segundo um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV). A pesquisa ouviu 63 passageiras, e todas afirmaram sentir medo de assédio sexual no transporte coletivo. Em uma escala de 0 a 10, a sensação de segurança das entrevistadas recebeu nota 5,08.
“Esse medo do assédio e da violência interfere na rotina e nos deslocamentos das mulheres na cidade e compromete o direito de ir e vir, reduz a autonomia das mulheres e amplia as desigualdades. Restringe o acesso ao trabalho e ao lazer e cria uma situação de pânico, de estresse e de malefícios psicológicos”, afirmou Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp A cozinheira Andreia de Albuquerque conta que procura se proteger durante as viagens.
“Tenho medo, sim, porque é complicado. Você entra no ônibus e alguém encosta próximo. Sempre procuro um cantinho”, disse.
A pesquisa mostrou ainda que a sensação de vulnerabilidade aumenta quando o transporte público está lotado. “Da mesma forma que tem homens educados, tem uns que não são e já se encostam de uma maneira que é para ver se conseguem alguma coisa. Procuro ficar perto das mulheres, mas, quando não tem jeito, coloco a bolsa na frente”, contou a auxiliar de limpeza Ilmar Santos de Sá Ferreira.
Custo dos deslocamentos Estudo da FGV ouviu 63 passageiras, e todas afirmaram ter medo de assédio sexual no transporte coletivo. Jurandir Ferreira/ TV Globo Outro efeito apontado pela pesquisa é o impacto financeiro provocado pela insegurança. Segundo o estudo, algumas mulheres recorrem a carros de aplicativo para se sentirem mais seguras, o que aumenta o custo dos deslocamentos.
De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), de janeiro a julho deste ano foram registrados 130 casos de importunação sexual no transporte público. Até 2018, a importunação sexual era considerada contravenção penal, com pena de multa. Desde então, passou a ser crime, com pena de 1 a 5 anos de prisão.
Projeto orienta passageiras Nos principais terminais de ônibus do Rio, funciona um projeto itinerante chamado Banco Roxo, onde as passageiras podem encontrar informações sobre os canais de denúncia em casos de assédio e importunação sexual. “Você sabe que, ao avistar um banco roxo nas plataformas de ônibus, vai ter acolhimento e informações sobre o combate e o enfrentamento ao assédio dentro do ônibus”, afirmou Cláudia Araújo da Silva, assessora da Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro.
Mulheres denunciam que casos de assédio sexual no transporte público é frequente no Rio de Janeiro Jurandir Ferreira/ TV Globo Passageiras também defendem mais fiscalização e relatam que precisaram aprender a reagir a situações de assédio. “Antes, eu tinha medo. Você não sabe qual é a reação das pessoas.
Então, fui criando coragem ao longo do tempo para não acontecer mais e me impor mais”, disse a assistente de estoque Yasmin Barreto. Para a vigilante Heloiza Gomes Cardoso, a existência de leis precisa ser acompanhada de fiscalização. “Não adianta criar uma lei e não fiscalizar.
Eles acabam ficando à mercê, fazendo o que querem com o corpo de uma mulher”, afirmou. Como denunciar Como denunciar casos de assédio sexual no Rio Reprodução/ TV Globo Quem for vítima ou presenciar um caso de assédio no transporte público pode recorrer aos canais oficiais de denúncia. Em caso de emergência, a orientação é ligar para a Polícia Militar pelo 190.
Também é possível buscar atendimento pela Central de Atendimento à Mulher, no número 180, que oferece escuta e acolhimento a mulheres em situação de violência. Outros canais disponíveis são o 197, para denúncias de violência; a Central 1746, da Prefeitura do Rio, que recebe notificações de casos de assédio e agressões na cidade; e o Disque Denúncia, pelo telefone 2253-1177. Os serviços são gratuitos, funcionam 24 horas e a denúncia pode ser feita de forma anônima.



