O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou neste sábado (12) que ninguém pode ser ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para ficar rico. Segundo Lula, o cargo equivale a um "sacerdócio", ou seja, deve ser exercido com dignidade — comparado a ministros de um culto religioso. Durante campanha em Curitiba (PR), o Lula repetiu que seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, não será protegido.
Lulinha é investigado em três inquéritos que tramitam no Supremo. Um deles, apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em uma tentativa de obter um contrato com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao SUS. "Ele [Lulinha] nasceu para fazer as coisas certas e eu acredito na inocência dele.
Mas se ele cometeu um erro, ele terá de pagar pelo erro que cometeu", afirmou o presidente. Lula pede quebra total de sigilo em investigações do caso Master; Renata Lo Prete analisa "Isso vale pra mim, isso vale pro meu filho, isso vale para qualquer ministro da Suprema Corte. Ninguém pode ser ministro da suprema corte para ficar rico, aquilo é um sacerdócio.
As pessoas têm que se dedicar. Porque é a Corte Suprema, quando ela toma uma decisão, ninguém pode mudar. As pessoas têm de ter um padrão de comportamento acima da média da sociedade", prosseguiu.
'Crise Master' no STF A crise começou no início de setembro, quando vieram à tona relatórios da Polícia Federal indicando trocas de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes sobre operações policiais, além de registros sobre a atuação do ministro na edição de um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório de sua esposa e o ex-banqueiro.
Paralelamente, relatórios de inteligência da PF passaram a apontar suspeitas de assimetria e direcionamento por parte do ministro André Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero". Diante da manutenção do segredo sobre os autos, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acionou o presidente do STF, Edson Fachin, argumentando que a divulgação de apenas uma fração das peças poderia criar uma "ideia equivocada de transparência" e omitir o núcleo da investigação.
Acolhendo o pedido da PGR, Fachin deu um prazo de 24 horas para que Mendonça derrubasse o sigilo das apurações do caso Master. Em cumprimento à determinação, Mendonça retirou o segredo de dezenas de procedimentos relacionados ao caso. O relator afirmou ter divulgado todos os processos principais disponíveis e argumentou que a manutenção do sigilo sobre trechos específicos foi uma medida "prudente e responsável" para proteger investigações em andamento e dados pessoais, bancários e fiscais de investigados.
Antes da liberação dos novos documentos, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou um ofício a Fachin acusando Mendonça de promover uma "escolha seletiva" na divulgação. Moraes apontou que o colega disponibilizou apenas 15 procedimentos de forma incompleta, omitindo 180 peças e arquivos do sistema do tribunal.
Com isso, Moraes formalizou três pedidos à Presidência: a derrubada total e irrestrita do sigilo, a intimação de magistrados citados nos autos e o julgamento conjunto da petição sobre suas mensagens com o processo que avalia a conduta de Mendonça. Em despacho assinado neste sábado (12), o presidente Edson Fachin indeferiu o pedido de julgamento conjunto.
O presidente do STF manteve a Sessão Plenária Extraordinária para analisar a petição de relatoria de Mendonça e agendou a apreciação da petição que reúne as informações sobre Moraes para o dia 23 de setembro, após a conclusão dos prazos de instrução.
O presidente Lula durante cerimônia no Palácio do Planalto em 3 de setembro de 2026 Adriano Machado/Reuters Caso Master Durante comício em Cutitiba, o presidente Lula afirmou que a oposição transformou, em 2019, um agiota em banqueiro, em referência a Daniel Vorcaro — que está no epicentro de uma investigação que começou com fraude bilionária envolvendo o Banco Master e evoluiu para um escândalo com repercussões no sistema financeiro, na política e no Judiciário.
"Eu estive com o Fachin [presidente do STF] e disse que não era possível um cidadão que é um juiz relator [André Mendonça] ficar soltando matéria pensada, somente sobre o que interessava a ele. Pedi para liberar todo processo. Para sabver quem é que está por trás disso.
E vamos deixar às claras para ver de verdade quem é ladrão e corrupto nesse país. E a família Bolsonaro não escapa. Por isso, eu estou feliz que o povo brasileiro vai saber a verdade, quem fez o que nesse país", concluiu.



