O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca neste domingo (20) para os Estados Unidos, onde participa da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Além de participar da Assembleia Geral da ONU, Lula tem encontro previsto com o prefeito de Nova York, Zohron Mamdani. O presidente também deve ter uma reunião breve com o secretário-geral da ONU, António Guterres.
Segundo o governo brasileiro, o presidente Lula recebeu ao menos 30 pedidos de reuniões bilaterais com chefes de Estado. No entanto, o presidente deve atender a poucos pedidos por falta de espaço na agenda e pela logística de segurança na região da assembleia. Lula avalia se reunir com prefeito de Nova York Além da expectativa de outros encontros durante a passagem por Nova York, também há a possibilidade de um contato entre Lula e Trump nos corredores da ONU.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também participa da Assembleia Geral da ONU e discursa logo após Lula, que será o primeiro chefe de Estado a falar. Discurso de Lula na ONU deve ter defesa da soberania e indireta aos EUA, dizem auxiliares Por tradição, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia da ONU. O país abre a sequência de falas desde 1955.
Veja a agenda de Lula em Nova York: 20/9: chegada de Lula a Nova York 21/9: O dia será reservado para a revisão do discurso que Lula fará na ONU, para o encontro com o prefeito de Nova York e possíveis reuniões bilaterais. 22/9: Lula discursa na abertura da Assembleia Geral da ONU. O Brasil é o primeiro país a discursar, por tradição.
E retorna ao Brasil. Esta é a 81ª Assembleia Geral da ONU. O tema da sessão deste ano é “Restaurando a confiança e administrando transformações: uma ONU que produza resultados para todos”.
A assembleia desse ano será presidida pelo chanceler de Bangladesh, Khalilur Rahman, eleito para comandar a 81ª sessão. Após o encerramento da agenda de Lula em Nova York, o presidente retorna ao Brasil, mas o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanece na cidade ao longo da semana para participar de uma série de compromissos representando o Brasil.
A delegação brasileira também deve participar de reuniões do Conselho de Segurança da ONU, entre elas uma dedicada à situação na Palestina, além de eventos sobre direito internacional e outros temas da agenda multilateral.
Entre os integrantes da delegação brasileira, estão: Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores; João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos; Eloy Terena, ministra dos Povos Indígenas; Rachel Barros, ministra da Igualdade Racial; Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República.
O que esperar do discurso de Lula? A expectativa é que Lula reforce linhas tradicionais da política externa brasileira, como por exemplo: defesa do multilateralismo; defesa de negociações de paz; defesa da não interferência nos assuntos internos dos países; respeito ao direito internacional humanitário; combate ao crime organizado; meio ambiente; inteligência artificial.
A ideia, segundo diplomatas que acompanham o presidente, é que ele apresente iniciativas brasileiras e a visão do Brasil sobre o cenário internacional. O combate ao crime organizado e a cooperação internacional também devem entrar na pauta de Lula na ONU. A orientação é que o presidente destaque as ações adotadas pelo Brasil e a importância da cooperação entre os países, sem direcionar o discurso especificamente a Trump, ao Primeiro Comando da Capital (PCC) ou a episódios recentes envolvendo o tema.
'Polidez' nos recados Segundo auxiliares do presidente, Lula deve dedicar parte do discurso de terça-feira para enviar recados a outros líderes globais, abordando temas como soberania e democracia, mas sem citar nomes específicos. O petista deve criticar o que avalia serem tentativas externas de interferência no processo eleitoral do Brasil. O presidente não deve mencionar diretamente os Estados Unidos, nem o nome do presidente Donald Trump.
Mas, segundo interlocutores, haverá recados direcionados não apenas aos EUA, mas também a outros países que, para Lula, tentam influenciar nas eleições do Brasil, como Argentina e Israel. A orientação interna é busca uma linguagem “polida” no discurso, capaz de enviar esses recados e ao mesmo tempo não criar situações constrangedoras ou de embate com outros países. O discurso deverá ser revisado até instantes antes de ser lido por Lula no plenário da Assembleia Geral.
Para um auxiliar de Lula, a polidez é necessária, mas ele “não pode se omitir” e precisa “defender as instituições e o processo eleitoral” diante de tentativas de interferência por parte dos EUA, por exemplo.
Lula discursa na ONU em 23 de setembro de 2025 AL DRAGO/Reuters Reforma do conselho e eleição na ONU Um dos temas que Lula vem abordando ao longo de seu mandato em relação à ONU é a defesa da reforma do Conselho de Segurança, que, para o presidente brasileiro, não tem a mesma capacidade de evitar conflitos entre países nem de mediar soluções pacíficas quando algum de seus membros se envolve em guerras.
O conselho tem cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e dez não-permanentes, que se revezam e têm mandato de dois anos. Lula tem frisado que EUA e Rússia, por exemplo, estão direta ou indiretamente envolvidos em guerras, o que coloca em xeque a capacidade do conselho de evitar conflitos. Isso porque, no modelo atual, os cinco membros permanentes têm poder de veto, ou seja, qualquer decisão do conselho só vai adiante se for aprovada por esses países.
Lula tem defendido, nesse cenário, que o conselho seja ampliado e possa contar com mais países na condição de membros permanentes, a exemplo do Japão, da Alemanha e da África do Sul, além do Brasil. Neste ano, a ONU definirá o sucessor de Antônio Guterres no cargo de secretário-geral da organização.
Seguindo o critério de rotatividade, o Brasil defende a candidatura de uma mulher que seja latino-americana e, considerando esse ponto, já manifestou apoio ao nome de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile, para a função. LEIA TAMBÉM: Lula recebe Michelle Bachelet nesta segunda em meio à disputa pelo comando da ONU A escolha será feita pela Assembleia Geral da ONU, a partir de uma indicação dos membros do Conselho de Segurança.



