Voluntário mais antigo das eleições de Sorocaba relembra voto em papel e chegada das urnas Há 44 anos, João Lopes Filho dedica parte do tempo ao trabalho voluntário nas eleições em Sorocaba (SP). Ele começou em 1982, quando a votação ainda era feita em cédulas de papel depositadas em urnas de lona, e acompanhou de perto as transformações do processo eleitoral brasileiro em um dos mais respeitados e rápidos do mundo.
Neste ano, quando os eleitores voltam às urnas no dia 4 de outubro, João estará novamente envolvido com a votação. Para ele, estar entre os profissionais com mais tempo de atuação nas eleições é motivo de satisfação. Mais do que um trabalho realizado a cada período eleitoral, João vê a atividade como uma maneira de contribuir com a sociedade.
📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp “Me sinto feliz com isso, porque é um trabalho voluntário e, para mim, é uma forma de exercer a cidadania”, afirma.
Há 44 anos, João Lopes Filho dedica parte do tempo ao trabalho voluntário nas eleições, em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM Maioria do eleitorado de Sorocaba é feminino, branco e tem ensino médio completo Eleitorado de Jundiaí cresce 16% em dez anos e chega a 337 mil pessoas aptas a votar Cartórios eleitorais de Sorocaba e Jundiaí finalizam preparativos para as eleições de domingo A primeira experiência de João foi nas eleições de 1982, quando o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar.
“Na época, não podia votar para presidente porque ainda estávamos na ditadura. Essa eleição, que foi a primeira em que trabalhei, marcou a volta do direito de votar para governador”, relembra. Entre as principais mudanças acompanhadas por João está a maneira de votar.
Na época, não havia urna eletrônica, e o processo era feito manualmente. “O eleitor tinha que escrever o nome do candidato em que estava votando. Esse voto era depositado em uma urna de lona”, conta.
O trabalho também não terminava quando o último eleitor deixava a seção. João lembra que, após o encerramento da votação, as urnas eram lacradas e encaminhadas ao Ginásio do Sesi, onde começava a apuração manual em Sorocaba.O processo exigia paciência até a divulgação do resultado. “Essa contagem era longa e demorava alguns dias”, afirma.
Mais de quatro décadas depois da primeira experiência, João continua enxergando a participação nas eleições como uma forma de exercer e solidificar a cidadania. Para quem acompanhou o processo desde as urnas de lona e da contagem manual, as mudanças ao longo dos últimos 44 anos mostram o quanto a rotina eleitoral se transformou.
Quase três décadas atendendo eleitores Sandra Fogaça da Silva carrega uma longa experiência no serviço eleitoral de Sorocaba (SP), há 27 anos Arquivo Pessoal Aos 56 anos, Sandra Fogaça da Silva também carrega uma longa experiência no serviço eleitoral. Ela entrou no cartório aos 27 anos e, desde então, acompanha a rotina das eleições e mantém contato direto com os eleitores. Ao longo dessa trajetória, Sandra também enfrentou situações desagradáveis.
Segundo ela, algumas pessoas associam o serviço prestado pelo cartório eleitoral às disputas político-partidárias. “As pessoas confundem o nosso serviço com a política. Já fui destratada”, conta.
Quando se depara com um eleitor exaltado ou insatisfeito, Sandra diz que procura explicar o papel desempenhado pelo serviço eleitoral. “Tento explicar que emitimos um documento que dá à pessoa o direito de votar e escolher seu candidato. E a escolha é de cada um”, afirma.
Para ela, é importante separar o trabalho realizado pelos servidores das preferências políticas dos cidadãos. Enquanto cabe ao cartório oferecer o atendimento necessário para que o eleitor possa exercer seus direitos, a escolha do candidato pertence exclusivamente ao eleitor. Além dos anos dedicados ao serviço, Sandra mora relativamente perto do local onde trabalha durante as eleições.
Segundo ela, são cerca de quatro quilômetros entre sua casa e o local onde exerce as atividades no período eleitoral. 21 anos acompanhando mudanças João Farias Freitas acumula mais de duas décadas de experiência na Justiça Eleitoral, em Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal Aos 67 anos, João Farias Freitas acumula mais de duas décadas de experiência na Justiça Eleitoral.
Funcionário do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) desde 2005, ele também testemunhou mudanças tecnológicas e nos procedimentos adotados pelo órgão. Mesmo pensando no momento de deixar a instituição, João mantém o entusiasmo pelo trabalho. “Desde que cheguei, a Justiça Eleitoral passou por um processo de melhora acentuada, tanto no aspecto técnico como procedimental.
Está mais moderna, com melhores equipamentos, melhores sistemas e melhores procedimentos”, afirma. Para ele, acompanhar as transformações da sociedade é uma necessidade também para o serviço público. “Os órgãos públicos não podem ficar defasados em relação às inovações que surgem do dia para a noite em nossa sociedade.
Neste sentido, estamos indo muito bem”, avalia. Uma das mudanças destacadas pelo servidor está na maneira como o eleitor passou a acessar os serviços da Justiça Eleitoral. João lembra que, quando começou a trabalhar no órgão, em 2005, não havia as facilidades oferecidas atualmente pela internet.
“Hoje temos um serviço de atendimento on-line para o eleitor tirar o seu título. Em 2005, não existia. Haja melhora, hein?
Quem não tem um celular hoje? O serviço pode ser acessado pela tela do celular. Coisas do século 21”, brinca.
O bom humor aparece também quando João fala das mudanças que testemunhou. Filho de nordestinos, ele recorre a um ditado popular para resumir como vê o avanço da Justiça Eleitoral: “É para frente que o carro anda”. “Como sou filho de nordestinos, gosto deste ditado”, conta.
Apesar da longa trajetória profissional, João ainda não definiu quando pretende encerrar a carreira. Questionado sobre o futuro, responde, mais uma vez, com humor: “Primeiro, não morrer. Segundo, trabalhar mais um pouco.
Terceiro, coragem.” Depois da brincadeira, o servidor admite que já começa a se preparar para deixar o TRE-SP, embora diga gostar do trabalho que desempenha. “O futuro pertence ao futuro. Não sei o que esperar.
Mas, como pretendo trabalhar mais um pouco, isso indica que sou otimista”, afirma. Por enquanto, ele prefere lidar com as incertezas com a mesma disposição que o acompanhou durante a carreira. “Não tenho a mínima ideia.
Só Deus sabe o que vai acontecer. Só me cabe ter coragem”, conclui. Mais de 500 mil eleitores vão às urnas em Sorocaba Ao todo, a cidade soma 529.973 eleitores aptos a votar.
Neste ano, as eleições definem os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Onde houver necessidade de segundo turno para os cargos majoritários, a votação será realizada em 25 de outubro.
No sábado (3), véspera da eleição, a campanha só pode ser feita até as 22h. No domingo (4), dia da votação, não será permitido pedir voto, fazer boca de urna nem distribuir material de campanha.
Servidor testa sistema auditivo em urna eletrônica, no cartório eleitoral de São José do Rio Preto (SP): acessibilidade maior para eleitores deficientes TV TEM/Reprodução Pilili, mascote das eleições Antonio Augusto/TSE Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM



