Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco Yacy Ribeiro/Divulgação A governadora Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição, exonerou nesta quarta-feira (26) um servidor comissionado após denúncias de que ele integraria um suposto "gabinete do ódio" a serviço do governo de Pernambuco. A estrutura seria utilizada para atacar opositores políticos, em especial o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), candidato ao governo e principal adversário de Raquel.

A governadora negou a existência da rede, e disse, por meio de nota, que vai tomar "medidas cabíveis sobre as mentiras veiculadas" (veja mais abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Amisadai Andrade da Silva é empregado concursado da Caixa Econômica Federal e estava cedido ao governo de Pernambuco para exercer o cargo de superintendente de operações da Arena de Pernambuco, vinculada à Secretaria de Turismo e Lazer.

Ele foi exonerado no Diário Oficial do Estado desta quarta, um dia após uma reportagem da TV Record apontar a existência de uma suposta rede de páginas e perfis nas redes sociais utilizada para ataques políticos. Agora no g1 Segundo a reportagem, a suposta rede seria financiada com recursos públicos, e utilizaria perfis digitais para difamar opositores políticos. Um vídeo exibido pela matéria mostra Amisadai afirmando que teria sido "enxergado" pelo governo como um canal para "desidratar" João Campos.

LEIA TAMBÉM: Por que eleição de PE virou 'guerra digital' – e o que isso tem a ver com 'virada' da governadora 'Mainha' x candidato de Lula: entenda estratégias de Raquel Lyra e João Campos Segundo o Portal da Transparência do governo, Amisadai foi nomeado superintendente de operações em abril de 2025. Antes disso, até 2024, ele era sócio do Portal de Prefeitura, página de notícias sobre a política de Pernambuco e que, segundo a reportagem, estaria no centro do suposto "gabinete do ódio".

A empresa, ainda conforme a denúncia, teria recebido mais de R$ 650 mil em contratos de publicidade desde 2023. A reportagem da TV Record também cita o fato de o Portal de Prefeitura fazer "collabs" com outros perfis de conteúdo político, mas não cita qual o teor dos supostos ataques a João Campos. O Portal de Prefeitura repudiou a acusação e afirmou que Amisadai não faz parte do quadro societário da empresa há dois anos (veja resposta completa mais abaixo).

O g1 entrou em contato com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e com a Polícia Federal para saber se há alguma investigação em curso sobre campanha digital contra João Campos, mas não obteve reposta até a última atualização desta reportagem. João Campos pede investigação Nas redes sociais, João Campos publicou um vídeo em que afirmou haver uma "engrenagem de ataques políticos" montada para atingir a ele, à família e a aliados.

Disse, também, que vai à Justiça "para fazer cessar essa atuação e buscar a responsabilização de quem estiver envolvido". Ele também disse que os alegados ataques são feitos "de forma covarde, caluniosa, mentirosa, e difamatória" há mais de um ano, e que foi surpreendido pela reportagem que cita o suposto "gabinete do ódio". Afirmou que não vai se intimidar e que "pessoas não querem uma guerra digital".

"Nossos advogados vão tomar todas as medidas necessárias, porque eu acredito na Justiça, nas instituições, na boa-fé das pessoas. Mas quem senta na cadeira para governar Pernambuco não pode estar coordenando uma milícia digital, uma rede de ódio, porque isso não vale numa democracia", declarou.

Governadora chama denúncia de 'fake news' Na manhã desta quarta-feira, Raquel Lyra se pronunciou sobre a denúncia e, por meio de nota, afirmou que vai adotar medidas "sobre as mentiras veiculadas em reportagem pela TV Record, com uma série de insinuações sobre um suposto gabinete do ódio, reiterando que esta é uma prática do PSB e de seus adversários".

Na nota, a governadora disse que "vocês conhecem muito bem as velhas práticas que hoje o PSB lidera, se apresentando como nova política", e disse não abrir mão dos valores que a trouxeram até aqui, de "defesa incansável da democracia", e que a imprensa "tem um papel fundamental nisso, de não se deixar publicar informações que não são verídicas".

Afirmou, também, que como primeira mulher a governar Pernambuco, vem sofrendo, desde a transição de gestão, "diversos ataques misóginos e tentativas de desqualificar o seu trabalho". Sobre Amisadai, a governadora anunciou a exoneração do servidor, mas que acredita "que não devemos nos contaminar com informações falsas".

O que diz o Portal de Prefeitura Por meio de nota, o Portal de Prefeitura afirmou que o compromisso da página "é, foi e sempre será com a informação e com o fato" e que, até os dias atuais, não respondeu a nenhuma ação ou processo na Justiça Eleitoral por postagens falsas em relação a qualquer candidato nas eleições de 2026.

A nota também diz que, recentemente, a conta principal do portal no Instagram foi desativada "sem motivo aparente" e que Amisadai não faz parte do quadro societário da empresa desde 2024 e "não representa nem é responsável pelo portal desde a referida data". "Repudiamos veementemente a tentativa de associar o perfil do Portal de Prefeitura nas redes sociais como responsável por liderar um eventual conjunto de perfis, ao usar como argumento fato de realizar colaboração.

[...] Quanto ao recebimento por publicidade de qualquer instituição pública, o procedimento ocorre dentro de todas as normas legais, reunindo as condições necessárias, que passam pelo critério de audiência e seguem uma tabela de valores apresentada para apreciação. Toda a documentação e comprovação das veiculações de mídia também são apresentadas, assim como ocorre com qualquer outro veículo de comunicação, que precisa cumprir todas as exigências e estar apto a receber referente à publicidade", disse o portal.

Por fim, a empresa se colocou à disposição "para colaborar com as autoridades em tudo o que for preciso" numa possível investigação policial sobre o caso.

O que diz o governo Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação do governo de Pernambuco informou que a publicidade institucional "é executada exclusivamente por agências contratadas mediante licitação, na forma da Lei federal nº 12.232/2010, que atribui a elas a elaboração do plano de mídia e a seleção dos veículos segundo critérios técnicos de audiência, alcance e custo".

"Os valores destinados em 2026 ao veículo citado representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao estado em publicidade no período, distribuído entre dezenas de veículos. Todos os pagamentos são precedidos de comprovação de veiculação e estão disponíveis no Portal da Transparência", diz a nota. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias