Vitória Sara Bezerra Lupatini se entregou à polícia nesta quinta-feira (27) Reprodução O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu uma liminar em habeas corpus e converteu a prisão preventiva de Vitória Sara Bezerra Lupatini, conhecida como "Sarinha da Toyota", em prisão domiciliar. A decisão foi assinada pelo desembargador Orlando de Almeida Perri no sábado (29).
Vitória é apontada pela Polícia Civil como "peça central" de um suposto esquema de desvio de veículos que teria movimentado cerca de R$ 50 milhões em um ano, investigado na Operação Pátio Paralelo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 Entre os fundamentos para conceder a prisão domiciliar, o desembargador considerou que Vitória é mãe de uma criança menor de 12 anos e que os crimes investigados não teriam sido cometidos com violência ou grave ameaça.
A decisão também levou em consideração que os mandados de busca e apreensão da operação já haviam sido cumpridos. Com isso, celulares, computadores e documentos que poderiam ser ocultados ou destruídos já estavam sob responsabilidade das autoridades. As ordens de bloqueio de ativos financeiros e de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático também já haviam sido expedidas.
Os investigadores suspeitam que contas de terceiros e empresas tenham sido utilizadas para movimentar o dinheiro e dificultar a identificação da origem dos recursos Reprodução Outro ponto considerado foi o fato de Vitória ter se apresentado voluntariamente à polícia um dia após a operação, circunstância que, segundo a decisão, foi suficiente para afastar a alegação de risco de fuga. A investigada se entregou na quinta-feira (27), em Sorriso, a 420 km de Cuiabá.
Ao g1, a defesa de Vitória, representada pelo advogado Willian Puhl, disse que agora irá aguardar a conclusão do inquério policial. Antes da decisão, Vitória estava mantida na carceragem da Delegacia de Polícia Civil de Sorriso porque não havia vaga disponível em um estabelecimento prisional feminino adequado. Segundo o documento, essa situação reforçou o entendimento do desembargador.
O magistrado apontou que a manutenção de uma pessoa presa provisoriamente em uma delegacia viola regras da legislação penal e garantias previstas na Constituição. Com a decisão, Vitória deverá manter atualizados o endereço residencial, o número de telefone e o e-mail informados à Justiça. Ela também está proibida de manter contato, por qualquer meio, com os demais investigados e com as vítimas identificadas no inquérito.
O descumprimento das medidas poderá levar à revogação da prisão domiciliar e à decretação de uma nova prisão preventiva. A decisão é liminar, e o mérito do habeas corpus ainda será analisado pela Justiça. Como funcionava o esquema A investigação aponta que Vitória trabalhava como vendedora de uma concessionária e teria movimentado R$ 8 milhões em uma conta bancária pessoal no período de um ano.
Ela é apontada como responsável por captar clientes, conduzir negociações, receber veículos, indicar contas para os pagamentos e movimentar os recursos. Segundo a investigação, os suspeitos teriam usado a estrutura e a credibilidade de uma concessionária de Sorriso para atrair clientes durante aproximadamente um ano. A própria empresa é apontada como a principal vítima do esquema.
Os clientes entregavam veículos usados como parte da entrada na compra de carros novos. No entanto, em vez de seguirem o fluxo comercial da concessionária e terem os valores descontados das negociações, esses automóveis teriam sido encaminhados a outras garagens relacionadas aos investigados. A investigação aponta ainda que valores pagos pelos clientes teriam sido transferidos para contas bancárias de pessoas físicas e de empresas ligadas ao grupo.
A suspeita é de que contas de terceiros e empresas tenham sido usadas para movimentar o dinheiro e dificultar a identificação da origem dos recursos. Algumas dessas empresas também teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade às operações. Até o momento, o prejuízo às vítimas é estimado em R$ 2 milhões, mas a polícia acredita que o montante pode aumentar conforme novas denúncias forem registradas.
Entre 15 e 20 possíveis vítimas já foram identificadas.



