Partidos árabes crescem no parlamento de Israel, diz pesquisa As eleições parlamentares de Israel terminaram nesta terça-feira (27) com crescimento dos partidos que representam a população árabe e sem que a coalizão governista do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou o bloco de oposição liderado por Gadi Eisenkot alcançasse os 61 assentos necessários para formar maioria no Knesset. As informações são de pesquisas de boca de urna divulgadas pelas principais redes de televisão do país.
LEIA TAMBÉM: Eleições em Israel: urnas são fechadas, e pesquisas de boca de urna indicam impasse O bloco de oposição deve conquistar entre 52 e 53 cadeiras, enquanto a coalizão de Netanyahu aparece com 50. Já dois partidos árabes podem obter entre 17 e 18 assentos, em um resultado que pode dar às legendas um papel decisivo nas negociações para a formação do próximo governo. O partido Ra'am (Lista Árabe Unida), de orientação islâmica moderada e liderado por Mansur Abbas, deve conquistar sete cadeiras.
A Lista Unificada, de extrema esquerda, aparece com previsão de dez ou 11 assentos. Benjamin Netanyahu e Gadi Eisenkot Yonatan Sindel/Pool via REUTERS e REUTERS/Shir Torem Em Israel, o Knesset tem 120 cadeiras, e a formação de um governo depende da construção de uma maioria parlamentar de pelo menos 61 deputados. Por isso, mesmo sem liderar a disputa, partidos menores podem ser decisivos para definir quem conseguirá formar uma coalizão.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp SANDRA COHEN: Eleição em Israel equivale a julgamento popular de Netanyahu Até o momento, porém, nem Netanyahu nem Eisenkot anunciaram a possibilidade de formar alianças com os partidos árabes. Disputa entre Netanyahu e Eisenkot As pesquisas que antecederam a votação apontavam uma disputa apertada entre Netanyahu, de 77 anos, e Eisenkot, de 66.
O partido do primeiro-ministro, o Likud, aparecia com entre 20 e 30 cadeiras, praticamente empatado com o Yashar, de Eisenkot. O resultado coloca Netanyahu diante do risco de perder o cargo, mas também abre a possibilidade de que ele permaneça à frente de um governo interino enquanto os partidos negociam uma coalizão. A apuração final pode levar dias.
Se nenhum dos dois blocos conseguir reunir apoio suficiente, Israel poderá enfrentar longas negociações para formar um governo ou até mesmo ter de convocar novas eleições. Foi o que aconteceu alguns anos atrás, quando Israel realizou cinco eleições até que Netanyahu conseguisse formar uma maioria, no fim de 2022. Primeira eleição desde os ataques de 7 de outubro A votação foi a primeira eleição geral de Israel desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
A participação foi recorde: 44,9% dos eleitores haviam votado durante a tarde, segundo a comissão eleitoral, o maior índice desde 1973. Os conflitos que se seguiram aos ataques dominaram a campanha. A atuação de Netanyahu durante as guerras em Gaza, no Líbano e contra o Irã foi um dos principais temas da disputa.
O primeiro-ministro concentrou sua campanha na segurança e apresentou-se como o político mais preparado para enfrentar os adversários de Israel. Também destacou sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A coalizão de Netanyahu reúne partidos de direita, extrema direita e grupos ultraortodoxos.
Entre eles está o Otzma Yehudit, do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que não deve chegar a nove cadeiras. Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas, tornou-se o principal adversário de Netanyahu ao explorar sua experiência na área de segurança e se apresentar como uma alternativa de centro na política interna. Ele entrou na política há quatro anos e integrou o gabinete de guerra de Netanyahu após os ataques do Hamas.
Oito meses depois, deixou o governo e passou a criticar a liderança do primeiro-ministro. Eisenkot prometeu criar uma comissão independente para investigar as falhas de segurança que permitiram o ataque de 7 de outubro. O governo de Netanyahu rejeitou a proposta.
Apesar das diferenças na política interna, os dois principais candidatos têm posições semelhantes em temas relacionados à segurança regional de Israel. Eisenkot se opõe à criação de um Estado palestino e apoia os assentamentos israelenses, mas prometeu conter a violência de colonos na Cisjordânia. O líder do partido Yashar, Gadi Eisenkot, também ex-chefe das Forças Armadas de Israel, agita bandeira após falar em comício em Tel Aviv, em 25 de outubro de 2026.
David Goldman/ AP Com Reuters e AFP



