Protetora independente abriga 150 animais e luta para conseguir casa própria no Acre 🐱🐶 Entre gatos e cachorros espalhados pela casa e como parte da rotina, a protetora independente Francisca Martins, de 52 anos, divide o lar com o filho e cerca de 150 animais resgatados das ruas de Rio Branco. São 140 gatos e 10 cachorros acolhidos por ela, que trabalha como diarista e sonha sair do aluguel para comprar a casa própria e poder morar com os animais dignamente.
Ao g1, Francisca disse que começou a fazer resgates em 2019, depois de um período difícil na vida. Em 2012, ela enfrentou uma forte depressão e, anos depois, uma conhecida sugeriu que ela adotasse um animal para ajudar no tratamento. O que começou como uma adoção se transformou em uma rotina de resgates.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AC no WhatsApp “São animais vítimas de maus-tratos, de envenenamento, abandono e de lá pra cá eu não tenho parado”, destacou. De acordo com a protetora, alguns animais conseguem encontrar novos lares, mas outros permanecem com ela, principalmente os mais velhos ou os que precisam de cuidados especiais. “Alguns consigo botar para adoção.
Os que são mais jovens. E os que são mais velhos vão ficando comigo. Tipo, os que são idosos, que têm problemas renais, que têm algum tipo de doença, vão ficando”, explicou.
Protetora independente abriga 150 animais e luta para conseguir casa própria no Acre Arquivo Pessoal LEIA MAIS: Casal do Acre cria jogo inspirado na fauna brasileira para estimular aprendizado: 'Pensado para ser lúdico' Com mais de 700 espécies, Parque Zoobotânico é 'laboratório vivo' no coração de Rio Branco Projeto de lei que garante água e comida para animais de rua é aprovado no Acre Conforme Francisca, entre os animais que já resgatou estão alguns que, em razão da idade ou das condições de saúde, tinham poucas perspectivas de vida.
Um deles, segundo ela, chegou a ter como destino a eutanásia antes de ser acolhido. “São animais que são muito machucados, doentes. Eu tenho aqui animal que ia para eutanásia e eu resgatei.
Está lindo, só não vai ser adotado porque é idoso”, relata. Francisca Martins, de 52 anos, busca comprar uma casa própria para abrigar 150 animais em Rio Branco Arquivo Pessoal Dedicação aos resgates Mesmo diante das dificuldades financeiras e dos próprios problemas de saúde, a atividade de proteção animal passou a fazer parte da vida de Francisca. A protetora conta ainda que começou a trabalhar ainda adolescente e que não teve as mesmas oportunidades de estudo que o irmão teve.
“Eu nasci na roça, não tive a oportunidade de estudar ao contrário do meu irmão. Trabalho desde os meus 15 anos para sobreviver. [...] Tenho vários problemas de saúde.
Mas, em nenhum momento eu deixei tudo que sofri, que sofro, afetar o meu coração”, falou. A diarista disse que também tem que enfrentar julgamento e discriminação das pessoas por causa dos resgates que faz. “Sou tratada como louca por causa dos meus animais, porque resgato, cuido, dou de comer os animais de rua.
As pessoas julgam, [...] mas em nenhum momento quero abandonar esses animais que estão comigo, que já vieram da rua, que precisam de abrigo, de acolhimento, de amor, que não é só acolher, é amor também”, destacou. Atualmente, Francisca acolhe principalmente animais idosos, doentes ou que sofreram maus-tratos Arquivo Pessoal Atualmente, segundo ela, a principal fonte de renda vem das diárias que faz.
O problema, entretanto, é que o trabalho não garante uma renda fixa todos os dias, enquanto algumas despesas precisam ser pagas mensalmente. “Quando a gente trabalha de diarista, a gente não tem diária todos os dias. Então, o que pesa mais no meu orçamento, fora a ração, é o aluguel, porque todo mês eu tenho que ter”, afirma.
Francisca também relata que, devido a quantidade de animais que abriga, a rotina dentro de casa nem sempre é simples. Além de alimentar e cuidar dos bichos, ela precisa dividir o espaço com eles. “Eu quero comprar um local para os meus animais, para morar com meus animais, ter uma vida digna, onde eu possa sentar, fazer minha refeição sem eles estarem.
Porque tem dias que eu não consigo fazer minha refeição por causa deles que não deixam”, diz. A intenção, segundo ela, é ter uma estrutura em que consiga separar melhor os espaços de convivência. "Eu vou ter o meu próprio local, vou ter minha cozinha, meu quarto para descansar.
Eles não têm o espaço deles”, afirma. Peso no orçamento Francisca relata ainda que manter 150 animais exige uma estrutura que vai além da alimentação. A protetora estima que gasta quase R$ 2 mil por mês apenas com ração para os gatos e cachorros que acolhe.
O valor também se soma a medicamentos, areia e materiais de limpeza. Além das despesas com os animais, ela também precisa arcar com os próprios gastos e com o aluguel do imóvel onde mora atualmente. “Aí vêm minhas medicações porque também tenho algumas coisas para minha saúde.
Eu pago R$ 600 de aluguel e ainda pago R$ 200 de luz. Então, pesa muito. Diária hoje a gente tem, amanhã não tem”, explica.
Ao todo, Francisca acolhe 140 gatos e 10 cachorros na casa onde mora em Rio Branco Arquivo pessoal A situação de Francisca ganhou ainda mais urgência pois o imóvel onde mora atualmente está à venda. De acordo com ela, a proprietária já sinalizou que pretende conversar sobre a situação, o que aumentou a preocupação com uma possível mudança. "Fiquei preocupada porque toda vez que é para eu me mudar é um transtorno, tanto para arrumar casa que aceite animal como para a mudança”, detalha.
Campanha Para tentar mudar essa realidade, Francisca criou uma vaquinha com a ajuda de outros protetores. Segundo ela, a campanha havia arrecadado cerca de R$ 1,2 mil e, depois da ajuda de uma colega com uma divulgação nas redes sociais, chegou a aproximadamente a R$ 1,5 mil. O valor, porém, está longe da meta necessária para concretizar o sonho de Francisca em ter a casa própria.
Ela conta que está negociando um imóvel e que um dos terrenos envolvidos na negociação custa R$ 15 mil. Ainda são necessários outros recursos para que o espaço possa se tornar uma casa adequada para ela e os animais. “Meu objetivo, meu sonho, é comprar um local pra sair do aluguel.
Vai ser uma despesa a menos para mim. Vai ser a casa onde eu vou morar, ter espaço, onde vou falar: ‘é meu e dos meus animais’. Para me dar uma vida melhor”, afirma.
Com a ajuda de outros protetores, Francisca criou uma vaquinha para realizar sonho de conseguir sua casa própria Arquivo Pessoal A protetora ressalta que a ajuda não precisa ser necessariamente em dinheiro. Segundo ela, também podem ser feitas doações de materiais de construção que possam contribuir para a preparação do imóvel. A expectativa, segundo ela, é conseguir apoio suficiente para comprar o espaço e deixar de depender do aluguel.
Francisca diz que, mais do que ter a própria casa, ela busca estabilidade para continuar cuidando dos animais que chegaram à sua vida depois de terem sido abandonados ou maltratados. “É um pedido tão difícil para mim, fazer esse pedido de ajuda para comprar esse local. Mas eu já me inscrevi nas casas [programa de casas populares], não consegui, não fui sorteada.
Então, o único meio é pedir ajuda para que as pessoas possam me ajudar, para que esse sonho seja realizado, para que eu saia do aluguel”, finaliza. Reveja os telejornais do Acre



