Moradores entregam propostas à prefeitura e pedem revisão de processo de terras raras Um movimento de moradores de Poços de Caldas entregou à prefeitura um documento com propostas relacionadas ao licenciamento do projeto Colossus, de exploração de terras raras da mineradora Viridis. O grupo afirma estar preocupado com a atividade prevista para áreas próximas a diversos bairros da cidade, principalmente na Zona Sul.

📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram As sugestões foram apresentadas durante um encontro com representantes do comitê criado recentemente pela prefeitura para discutir o tema das terras raras. A integrante do coletivo "Rara é a Vida", Danielle Vilas Boas, entregou um documento com 30 ações sugeridas ao município. Entre os pedidos está a anulação da certidão de uso e ocupação do solo emitida pela prefeitura em 2025, no início do processo de licenciamento das empresas.

O coletivo foi formado por moradores da Zona Sul que manifestam preocupação com a instalação da atividade minerária nas proximidades da região. 🔎 Terras raras são minerais estratégicos usados em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. O carbonato misto de terras raras é o resultado do processamento da argila iônica que contém terras raras, sendo um produto intermediário, antes da separação desses minerais.

Moradores entregam propostas à prefeitura e pedem revisão de processo de licenciamento de terras raras em MG Reprodução EPTV "A prefeitura alegou que isso não barra o empreendimento, mas não se trata somente disso.

Se trata de reconhecer que até aqui o processo foi conduzido de uma maneira que a gente entende que poderia ser muito melhorada, reconhecer isso, retomar, talvez reiniciar esse processo com mais participação popular, com mais estudos, com mais tempo, para que a gente consiga, de fato, propor um projeto de desenvolvimento para a cidade que seja mais responsável", afirmou Danielle Vilas Boas. A prefeitura informou que só poderia anular a certidão caso houvesse alguma ilegalidade.

O município também destacou que uma legislação recente dispensa o documento para que as mineradoras ingressem com pedidos de licenciamento. Segundo o procurador-geral de Poços de Caldas, Thiago Arantes, as propostas apresentadas serão analisadas pelo Poder Executivo e algumas sugestões já começaram a ser acolhidas. "O Poder Executivo, a tempo e modo, vai analisar cada uma dessas proposições, inclusive já acatou algumas dessas sugestões que foram feitas presencialmente na reunião.

Foi sugerida, por exemplo, foi externada a preocupação com a saúde mental dos moradores em razão da profusão de informações nem sempre checadas, nem sempre verificadas, que causam ansiedade, que causam preocupação com o futuro das regiões mais próximas dos empreendimentos minerários", disse.

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As entidades argumentam que comunidades indígenas da região não foram consultadas e defendem que a competência para o licenciamento seja de órgãos federais, devido aos possíveis riscos relacionados à radioatividade. No início deste mês, o Ministério Público Federal se manifestou favoravelmente à suspensão imediata dos processos até que a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear emita um parecer técnico conclusivo e definitivo sobre a atividade radiológica na região.

A preocupação é que, entre os materiais extraídos no Planalto de Poços de Caldas para a obtenção das terras raras, também possam estar presentes elementos radioativos, como tório e urânio. Moradores entregam propostas à prefeitura e pedem revisão de processo de terras raras Representantes da sociedade civil afirmam que ainda faltam estudos independentes sobre os impactos da mineração e mais diálogo com a população.

"A gente vê muita falta de informação, muito pouco embasamento para a decisão de apoiar esse projeto e, no entanto, continua apoiando. Então, está acontecendo, ao mesmo tempo, um apoio irrestrito e uma falta de informação. E a população quer saber se existe esse apoio, é baseado em quê?

Se tudo demonstra que os impactos serão grandes, não só na população, de uma forma mais direta. Então, infelizmente, a gente não tem tido nenhuma segurança no que diz respeito à qualidade das informações vindas da Prefeitura", afirmou a cientista política Nara Gomes. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas