Moradores da Zona Oeste e da Baixada são mais expostos a doenças respiratórias, aponta estudo Um estudo da Casa Fluminense aponta que moradores da Zona Oeste do Rio e da Baixada Fluminense estão mais expostos a doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite, asma e outras infecções. O levantamento faz parte do Mapa da Desigualdade, que reúne dados sobre o desenvolvimento social da Região Metropolitana do Rio.
Em Duque de Caxias, na Baixada, moradores de Campos Elíseos convivem com a poluição provocada pela proximidade de um dos principais polos químico, petroquímico e industrial da Região Metropolitana. É o caso de Elizabeth Nascimento e Isabel Cristina, que vivem no bairro e relatam sintomas que associam à exposição à poluição. “Olhos ardem, dá dor de cabeça porque o cheiro é muito forte.
Forte mesmo e a gente fica pensando: e as crianças pequenas que moram por lá?”, contou Elizabeth. “Muita poluição. Poluição mesmo de verdade.
(...) o cheiro é muito forte, muito desagradável. A gente não tem onde morar então a gente está por lá.”, completou Isabel. Moradores da Zona Oeste e da Baixada são mais expostos a doenças respiratórias, aponta estudo Reprodução TV Globo Isabel disse ao RJ2 que a forte poluição na região provoca problemas de saúde, com sintomas que preocupam a moradora.
“A gente fica cansado, falta de ar. Um mal-estar muito ruim. Às vezes a gente coça muito a vista.
Parece que vem aquela fumaça que sai para prejudicar mesmo”., contou. Região Metropolitana: 60% das internações do estado De acordo com o levantamento, foram registradas 47.424 internações hospitalares por doenças do aparelho respiratório no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana. O número equivale a 60% das internações por esse tipo de doença em todo o estado.
Para Luize Sampaio, da Casa Fluminense, dois fatores têm papel importante na emissão de poluentes na Região Metropolitana: a atividade industrial e o modelo de transporte. “A gente tem dois fatores que botam o Rio de Janeiro como responsável por 10% das emissões de gases poluentes no Brasil. O primeiro deles são as indústrias e as siderúrgicas e o segundo é o transporte.” Sampaio também defende mudanças no sistema de transporte público.
“A gente precisa de um transporte mais limpo, mais barato, para as pessoas não usarem tanto o transporte particular, e esses são os dois problemas centrais quando a gente pensa na poluição do ar na região metropolitana do Rio”. De acordo com o levantamento, foram registradas 47.424 internações hospitalares por doenças do aparelho respiratório no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana.
Reprodução TV Globo Poluição pode afetar pulmões O pneumologista e professor Rodolfo Fred Behrsin, do Hospital Universitário dos Servidores do Estado, da Unirio, explica que a exposição à fumaça pode provocar inflamações no sistema respiratório e afetar outras partes do organismo. “Essa fumaça é muito rica em monóxido de carbono, que é extremamente tóxico, tem enxofre, tem óxido nítrico e esses componentes são absorvidos pelas vias aéreas, inflamam o pulmão e inflamam os alvéolos.”, alertou.
Segundo o médico, partículas pequenas presentes na poluição também podem chegar à circulação sanguínea. “Existem também pequenas partículas que são invisíveis e que são absorvidas e penetram a circulação sanguínea e não fica restrita aos pulmões porque cai na circulação sanguínea e aí fica distribuída por todo corpo”. O especialista afirma ainda que a exposição prolongada a altas concentrações de substâncias tóxicas podem estar associada a problemas respiratórios e cardiovasculares.
“Exposição a substâncias tóxicas e, altas concentrações por um período mais prolongado pode gerar até câncer de pulmão, podem gerar doenças cardíacas" "E aquelas pessoas que já tem problemas no coração, isso pode gerar maior risco de entra em crise. As pessoas que têm problemas pulmonares, podem ter o mesmo problema”, explicou. Grande Rio tem maior proporção de população negra O Mapa da Desigualdade mostra ainda diferenças no perfil da população da Região Metropolitana em relação ao estado e ao país.
Segundo o levantamento, 64,28% da população da Região Metropolitana do Rio é negra, percentual superior ao registrado no estado do Rio de Janeiro, de 57,78%, e no Brasil, de 55,51%. Os dados fazem parte do conjunto de indicadores reunidos pela Casa Fluminense para mostrar desigualdades entre diferentes regiões.
Passageiros aguardam partida no Ramal Belford Roxo da Supervia Reprodução/TV Globo Mais tempo no transporte O estudo também aponta diferenças no tempo gasto pelos trabalhadores da Baixada no deslocamento entre casa e trabalho. Em Japeri, os trabalhadores gastam, em média, 71 minutos no transporte. Em Nova Iguaçu, a média chega a 82 minutos.
Os dados sobre deslocamento integram o levantamento que relaciona indicadores de mobilidade, condições sociais, saúde e exposição a problemas ambientais na Região Metropolitana.



