Paciente de 40 anos está na 35ª semana de gestação após passar por uma curetagem no Hospital Estadual de Sumaré e descobrir depois do procedimento que permanecia grávida Clausio Tavoloni/EPTV Uma mulher de 40 anos, na 35ª semana de gestação, denuncia a falta de acompanhamento médico no Hospital Estadual de Sumaré (HES) após descobrir que continuou grávida mesmo tendo passado por uma curetagem na unidade. A paciente havia recebido o diagnóstico de uma gestação sem embrião em fevereiro.
Este é o segundo caso envolvendo pacientes que permaneceram grávidas após serem submetidas à limpeza uterina no mesmo hospital estadual. Em agosto, uma moradora descobriu o bebê vivo um mês após receber o diagnóstico de aborto espontâneo. ➡️ A curetagem uterina é um procedimento cirúrgico que consiste na raspagem do útero com um instrumento próprio.
Esse procedimento é realizado para retirar material do interior do útero em determinadas situações obstétricas. O que é a curetagem, procedimento feito em grávida que descobriu bebê vivo após diagnóstico de aborto Em nota, o Hospital Estadual de Sumaré lamentou o ocorrido e informou que uma sindicância está em andamento para apurar a conduta da equipe relacionada ao atendimento da paciente. Segundo a unidade, caso sejam constatadas irregularidades, medidas cabíveis serão adotadas.
Sobre o caso denunciado em agosto, o hospital informou que a investigação ainda não foi concluída. Falso diagnóstico A história da paciente começou em fevereiro. Ela realizou um exame particular de ultrassonografia no dia 19 e o laudo apontou uma "gestação tópica não evolutiva", quadro em que não há formação embrionária.
Encaminhada ao Hospital Estadual de Sumaré, a mulher relata que passou por novos exames que atestaram o problema. "Falaram que realmente a gravidez não tinha evoluído porque o saco gestacional estava muito grande. Pediram uma ultrassonografia para ter certeza antes do procedimento e constou novamente que não tinha embrião", relembra.
Na madrugada do dia 25 de fevereiro, ela foi submetida à curetagem uterina sob anestesia. O resumo de alta hospitalar registrou que o procedimento ocorreu "sem intercorrências". A médica responsável orientou que a paciente retomasse a rotina normal e os medicamentos fortes que utilizava antes da gravidez.
Bebê sobreviveu Apesar da alta, a paciente continuou sentindo dores intensas e cólicas nas semanas seguintes. Preocupada, a mãe dela sugeriu uma nova avaliação na Maternidade de Campinas, 19 dias após a curetagem. Durante o novo ultrassom, a equipe médica foi surpreendida ao encontrar um feto com os batimentos normais.
"Na hora que fez a ultrassom, coraçãozinho batendo, eu já comecei a chorar. A médica falou para eu ficar calma", conta a mãe. O exame concluiu que ela estava grávida de, aproximadamente, sete semanas e três dias.
Ao retornar ao Hospital Estadual de Sumaré para relatar o ocorrido, ela conta que o médico plantonista teria demonstrado "choque" com a notícia. Segundo a gestante, ele questionou o que haviam feito com ela no centro cirúrgico e o profissional teria classificado a sobrevivência da menina como um "milagre". Após isso, ela conta que o médico determinou o início imediato do pré-natal de alto risco na unidade, devido ao trauma da cirurgia e ao histórico de prematuridade da paciente.
Hospital Estadual de Sumaré HES/UNICAMP Falta de assistência Apesar da gravidade do caso, a paciente afirma que o acompanhamento no ambulatório tem sido insuficiente. Ela relata que é atendida por médicos diferentes a cada visita, em consultas que duram poucos minutos. O quadro se agravou após o dia 26 de agosto, data do último encontro presencial.
Desde então, a paciente relata sofrer com sucessivos cancelamentos de agendamentos sob a justificativa de falta de médicos. A situação gerou pânico quando ela sofreu um acidente de carro, bateu a cabeça e teve sangramentos, mas foi deixada sentada na unidade e orientada a procurar uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Durante a gestação de alto risco, a paciente aponta os seguintes problemas enfrentados na rede estadual: Cancelamentos de consultas dias antes da data marcada; Falta de orientações médicas sobre o uso de remédios para anemia, que causam fortes reações adversas; Atendimento impessoal e falta de transparência da equipe médica. Agora, na reta final da gravidez, a expectativa pelo nascimento da menina se mistura ao medo. "Quando eu sentir dor e tiver que ir para o hospital, para onde eu vou?
O medo de voltar a um hospital onde foi cometido um erro muito sério. Mas a minha maior alegria está sendo ter ela. É o meu milagre", conclui a mãe.
Questionado, o Hospital Estadual de Sumaré informou que a paciente faz acompanhamento de pré-natal e uma consulta será feita na próxima quarta-feira. LEIA TAMBÉM Grávida passa por curetagem após diagnóstico errado de aborto e descobre bebê vivo um mês depois Grávida descobre que bebê está vivo 1 mês após médico falar de aborto VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas



