Santa Casa de Juiz de Fora Juliana Netto/g1 Um paciente de 63 anos internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, com anemia grave após passar por um transplante de rim, recebeu uma doação de sangue raro enviada do Ceará. A distância entre o estado nordestino e a cidade mineira é de mais de 2 mil quilômetros. Para que o sangue chegasse a tempo, foi necessário transportá-lo de avião até a Região Metropolitana de Belo Horizonte e, depois, de carro por cerca de 300 km até Juiz de Fora.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Além da longa distância, a busca pelo sangue foi um desafio: o doador está entre as apenas seis pessoas cadastradas no Brasil com sangue compatível com o paciente. Segundo o hospital, que é referência em transplante de rim no país, necessidade da transfusão foi identificada pela equipe técnica da Agência Transfusional da Santa Casa durante os exames preparatórios.
Na avaliação, foi detectado um anticorpo no organismo do paciente que reagia contra as hemácias, as células vermelhas do sangue. Embora estivesse estável, o paciente precisava da transfusão porque apresentava níveis baixos de hemoglobina. Exames complementares identificaram que o organismo dele produz anticorpos contra o antígeno Jsb, uma característica presente na superfície das hemácias da maioria das pessoas.
Por isso, ele precisa receber sangue de um doador que não tenha esse marcador, o que torna a busca por compatibilidade mais difícil. 🔎 O antígeno Jsb é uma proteína presente na superfície das hemácias, as células vermelhas do sangue. Como a maioria das pessoas tem esse marcador, encontrar um doador compatível pode ser difícil.
No caso do paciente de Juiz de Fora, o organismo produz anticorpos que reconhecem o Jsb como uma ameaça e podem atacar as hemácias que apresentam essa característica. Por isso, ele precisa receber sangue de alguém que não tenha o antígeno. Viagem do Ceará a Minas Gerais A doadora chegou cedo ao hemocentro do Ceará na quinta-feira (8) para realizar a coleta.
Às 18h, a bolsa de sangue embarcou em um avião comercial, sob os cuidados do piloto. O material chegou ao Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, no início da manhã desta sexta (9). De lá, seguiu de carro por quase 300km até Juiz de Fora.
Conforme a assessoria da Santa Casa de Misericórdida, a transfusão aconteceu à tarde, conforme previsto. Seis possíveis doadores em todo o Brasil A busca pelo sangue compatível com o paciente de Juiz de Fora chegou ao cadastro nacional de doadores raros, que reúne 2.032 pessoas. O pedido foi feito ao Ministério da Saúde na quarta-feira (7), e a lista indicou apenas seis possíveis doadores em todo o Brasil.
O doador do Ceará foi avisado às 22h ainda da quarta e confirmou que poderia fazer a doação. O hemocentro do estado repetiu os testes para confirmar a compatibilidade e acelerou os exames para descartar doenças como HIV e hepatites B e C. A identidade do doador é mantida em sigilo.
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