petróleo REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração Macaé terá o maior repasse entre as três cidades com R$ 162.326.602,53 em outubro, contra R$ 142.708.086,10 em setembro deste ano. A diferença é de aproximadamente R$ 19,6 milhões. Em Campos dos Goytacazes, o valor passa de R$ 57.936.489,62 para R$ 65.435.285,09, um aumento de cerca de R$ 7,5 milhões.
Já São João da Barra receberá R$ 29.133.543,13, ante R$ 27.088.005,99 no mês anterior. O acréscimo é de aproximadamente R$ 2 milhões. Os municípios do Norte Fluminense receberam, nesta quarta-feira (28), repasses maiores de royalties do petróleo em comparação com setembro, segundo demonstrativos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O aumento foi de 12,9% em Campos dos Goytacazes, 7,6% em São João da Barra e 13,7% em Macaé. 📱 Siga o canal do g1 Norte Fluminense no WhatsApp. Agora no g1 O crescimento ocorre em um cenário de preços elevados do petróleo no mercado internacional.
Para o professor Marcelo Neves, doutor em Petróleo e Energia, a tendência é que os repasses continuem a aumentar nos próximos meses. No entanto, o comportamento da produção também será determinante para a arrecadação. Os valores distribuídos em outubro são referentes à produção de petróleo e gás natural registrada em agosto de 2026, conforme o calendário de distribuição divulgado pela ANP.
Preço do petróleo pode favorecer arrecadação De acordo com Marcelo Neves, a valorização do petróleo pode contribuir para novos aumentos nos repasses, embora não seja possível garantir a manutenção dessa tendência. “Houve um aumento em relação aos meses anteriores do royalty, mas nada ainda parecido com o que houve lá no início da guerra. Porém a tendência é de um crescimento para o mês que vem, e o próximo, em virtude dos altos preços do Brent que tem sido praticados”, explicou.
O Brent é uma das principais referências internacionais para a cotação do petróleo. A variação dos preços influencia o cálculo dos royalties, mas o valor efetivamente distribuído também depende do volume produzido, dos preços de referência utilizados no cálculo e das regras de participação de cada beneficiário. Segundo a ANP, os royalties são calculados a partir da alíquota aplicável ao campo produtor, do volume de petróleo e gás natural extraído e dos respectivos preços de referência.
Declínio da produção preocupa especialista Apesar da possibilidade de aumento da arrecadação no curto prazo, o professor chama a atenção para um desafio estrutural da região: a redução da produção na Bacia de Campos. “Mas isso depende também do volume de produção da Bacia de Campos, que está em declínio de produção. Necessitam de investimento por parte das operadoras justamente para que a produção se mantenha constante, se possível até aumentar essa produção”, afirmou.
A avaliação reforça a importância dos investimentos das empresas que operam na região, especialmente para manter a atividade produtiva e evitar que a redução dos volumes extraídos comprometa a arrecadação no futuro. Como os royalties representam uma receita vinculada à exploração de recursos naturais, as oscilações na produção e nos preços podem afetar diretamente os valores recebidos pelos municípios beneficiários.
Royalties ajudam a custear serviços públicos Além das perspectivas para o setor petrolífero, Marcelo Neves destaca o peso das despesas municipais, especialmente na área da saúde. Em Campos, segundo o professor, a demanda vai além dos moradores da própria cidade, já que o município funciona como um polo regional de atendimento. “Olha, as despesas dos municípios são altas, principalmente com relação à saúde.
Visto que Campos como município polo atende não só os munícipes, os cidadãos aqui do município, mas os cidadãos de toda essa região aqui em volta”, disse. O professor também ressalta a importância dos recursos provenientes das participações governamentais para ajudar a custear essas despesas. “Por isso a necessidade desse repasse do Estado que vem sendo coberto pelo próprio município através da arrecadação das participações”, completou.
O aumento dos repasses representa um reforço nas receitas municipais. No entanto, a continuidade desse crescimento dependerá de fatores como os preços internacionais do petróleo e o desempenho da produção na Bacia de Campos.



