Confira relato de homem que denuncia ter sido espancado em barraca da Praia do Futuro A autônoma Alessandra Viana, filha de Adilson Viana, que denunciou ter sido espancado por seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza, afirmou que a ação dos suspeitos ocorreu com seu pai "simplesmente por ele ser negro, ser pobre". A agressão ocorreu na manhã da terça-feira (13).
Natural da Bahia e morando há cerca de dois anos em Fortaleza, Adilson estava sozinho na praia quando foi abordado pelos seguranças e agredido. Ele ficou com vários hematomas pelo corpo, além de ficar com o dente quebrado e um corte no rosto. Em relato à TV Verdes Mares, ele comentou que não sabia o que estava acontecendo quando foi agredido (confira no vídeo acima).
✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Conforme boletim de ocorrência registrado no 2º Distrito Policial, Adilson tinha saído do mar e estava caminhando em direção ao local onde havia deixado a motocicleta quando foi abordado por quatro seguranças do Complexo Crocobeach, que o acusaram de roubar uma bolsa. "Primeiramente ele pensou que não fosse com ele, porque ele só foi lá, tomou banho, não encostou em barraca, não encostou em ninguém, lugar nenhum.
E quando ele estava retornando, eles deram o mata-leão, 'Cadê a bolsa? Cadê a bolsa?'. Ficaram segurando no pescoço dele.
Ele continua a dizer que não sabia da bolsa, então eles desacordaram o meu pai, jogaram ele no chão e começaram a bater, os quatro batendo nele. Simplesmente por ele ser negro, ser pobre, estava sem camisa porque ele estava na praia", disse Alessandra ao g1. Adilson foi atacado por um objeto que descreveu como um pedaço de mangueira com um ferro dentro.
Ele afirmou que as agressões ocorreram mesmo depois de ter negado ser o autor do suposto furto. A filha de Adilson, Alessandra, destacou que o espaço da praia estava "cheio de gente nos lugares, tinha outra barraca ao lado também, mas o preto só era ele", reafirmando que o pai foi alvo dos seguranças por racismo. Adilson Alves Viana, de 53 anos, natural da Bahia, denunciou que foi agredido por seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza, na última terça-feira (13).
Arquivo pessoal À TV Verdes Mares, a esposa de Adilson, Maria Daniele Alves dos Santos Viana, de 47 anos, também disse que acredita que o marido, sendo um homem negro e que estava sozinho, levantou a desconfiança dos seguranças. “Isso aí que aconteceu com ele é uma agressão familiar, foi todo mundo afetado. Todos os filhos, os meus irmãos, eu, a nossa família que está na Bahia, todo mundo muito preocupado.
E a gente queria que eles dessem uma resposta por que isso aconteceu. Porque foi um ato de racismo, foi um ato de preconceito, porque nós já frequentamos a barraca várias vezes”, afirmou Daniele. Em nota, a barraca Crocobeach disse que "lamenta profundamente a situação e se solidariza com a pessoa envolvida e seus familiares neste momento difícil, desejando que encontrem apoio e acolhimento".
A empresa acrescentou que repudia atos de violência e que colabora com as autoridades para investigar. Ainda de acordo com a nota, o estabelecimento “tomou conhecimento do episódio de agressão que vem sendo noticiado nas proximidades da barraca”. A barraca afirmou que acompanhará o caso, preservando a apuração dos fatos (leia a nota na íntegra abaixo).
A família também informou que solicitou à polícia, por meio de uma advogada, imagens de câmeras de segurança da região que possam ter registrado a agressão contra Adilson. Em nota, a Polícia Civil informou que o 15º Distrito Policial está à frente das investigações.
'Fiquei sem saber o que estava acontecendo' Adilson Alves Viana denuncia ter sido agredido por seguranças de uma barraca na Praia do Futuro, em Fortaleza Reprodução/TV Verdes Mares À TV Verdes Mares, Adilson Alves Viana detalhou que as agressões iniciaram quando ele saiu do mar e passou nas proximidades da barraca e o acusaram de ter roubado uma bolsa. Ele afirmou que as agressões ocorreram mesmo depois de ter negado ser o autor do suposto furto.
“Eles [homens usando roupas pretas] chegaram com um pedaço de mangueira, um objeto tipo uma mangueira, alguma coisa assim desse tipo, que eu não vi direito… Eu fui desacordando já (...). Quando eu acordei, eu estava na beira do mar, sem saber o que tinha acontecido, desacordado, desnorteado”, contou Adilson. Segundo Adilson, um dos seguranças aplicou o golpe do ‘mata-leão’ e ele perdeu a consciência.
Após acordar na praia, ele tentou voltar à barraca para utilizar o banheiro. “Aí chegou o segurança que me ‘desmaiou’ e me botou para fora de novo. (...) Tentei conversar com ele, ele não deixou, nem conversou e nem nada, me botou para fora de novo.
E eu fiquei sem saber o que estava acontecendo”, contou em entrevista. Após sair da barraca bastante ferido, Adilson conseguiu se comunicar com os familiares, que foram ao local e levaram Adilson para uma Unidade de Pronto Atendimento (Upa). De lá, ele foi encaminhado ao Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF), onde passou por exames.
A esposa de Adilson, Maria Daniele Alves, detalhou que o casal morava com os filhos na Bahia e, há dois anos, se mudou com a família para Fortaleza. Eles passaram a trabalhar com venda de comidas e água. Mesmo morando em outro estado, Adilson vinha com frequência para o Ceará nas férias e costumava frequentar o estabelecimento.
"Meu esposo é um homem íntegro, pai de família , trabalhador. Nunca teve qualquer problema com justiça, porque sempre foi muito reservado, calado e calmo.[...] Pedimos que a Justiça seja feita, que encontrem as pessoas que fizeram isso com ele", falou a esposa da vítima. Esposa de homem agredido na Praia do Futuro relata sofrimento da família Veja a nota da barraca Crocobeach na íntegra "A Crocobeach tomou conhecimento do episódio de agressão que vem sendo noticiado nas proximidades da barraca.
A empresa lamenta profundamente a situação e se solidariza com a pessoa envolvida e seus familiares neste momento difícil, desejando que encontrem apoio e acolhimento. Estamos inteiramente à disposição das autoridades e da família. A Crocobeach repudia qualquer forma de violência ou discriminação.
Desde que soube do caso, está colaborando com as autoridades policiais e permanece à disposição para prestar esclarecimentos e fornecer as informações necessárias à apuração. As circunstâncias estão sendo apuradas pelas autoridades competentes. A empresa acompanhará o caso com responsabilidade e respeito a todos os envolvidos, preservando a apuração dos fatos." Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:



