Iepa trabalha em pesquisa para tornar plantas resistentes à praga da mandioca Uma nova linha de pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) busca criar uma planta resistente à praga vassoura-de-bruxa da mandioca e que possa conviver com o fungo sem gerar infecção nas lavouras. A pesquisa é realizada na plantação do produtor rural Douglas Dutra, em Itaubal, e apresenta resultados promissores.
Mesmo a cerca de 300 metros de áreas totalmente contaminadas, as mandiocas cresceram saudáveis. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp “Talvez tenha a doença, mas visivelmente não apresenta sintomas. Mesmo estando em volta de vizinhos com a doença, a minha área vem dando bons resultados”, disse Douglas.
Propriedade de Itaubal no Amapá recebe a pesquisa do Iepa Thiago Nunes/Rede Amazônica Segundo o pesquisador, durante o estudo foi observado que plantações afetadas pela praga passaram a ser tolerantes durante a rebrota — capacidade da planta de crescer novamente e produzir novos brotos após ser cortada. “Algumas roças, recentemente abandonadas pela vassoura-de-bruxa, apresentaram rebrota compensatória.
A própria planta dá como se tivesse um reset, faz uma reorganização fisiológica, dá um start fisiológico e rebrota, lança novos ramos altamente vigorosos. Possivelmente esses ramos podem ser tolerantes à doença”.
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Segundo o Dr. Marcelo Carim, criar condições para que a planta esteja bem nutrida ajuda a combater a doença. O instituto realiza correção de solo para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento da mandioca.
Para isso, o pesquisador se baseou em estudos dos anos 1990, quando a banana enfrentou a praga mal-do-Panamá, que afetava as raízes e matava o fruto. “Nós desenvolvemos também diversos mecanismos de defesa, e um deles era a indução de resistência. A indução de resistência não é algo que eu criei, é algo que já existe para diversas culturas.
[...] então criamos condições para que a planta, bem alimentada, bem nutrida, possa combater a doença”, disse. Propriedade de Itaubal no Amapá recebe a pesquisa do Iepa Thiago Nunes/Rede Amazônica Mandioca jurará Os estudos estão sendo aplicados na variedade jurará, a pedido do produtor rural, por ser conhecida entre agricultores e recomendada pela Embrapa Amapá. Para Douglas, trabalhar com outras variedades não é rentável, por isso mantém a produção da jurará.
“Ela tem uma boa aceitação comercial. A jurará dá um melhor rendimento de mandioca, enquanto outras variedades demoram dois dias pra processar uma tonelada, ela leva só um dia. Então ela tem uma industrialização mais fácil”, disse.
Problemas de comercialização Em maio, Douglas colheu cerca de 25 toneladas de mandioca com apoio dos estudos do Iepa. Mesmo assim, enfrentou dificuldades para vender o produto. “Eu mesmo tenho dificuldade em comercializar, até diminuir bastante o plantio, não por causa da doença, mas sim pela dificuldade de comercialização, que acaba ficando difícil a comercialização e receber essa mandioca vendida”.
Segundo o agricultor, reduzir a produção ameniza os impactos financeiros quando não consegue vender. “Se você produz muito, fica complicado vender. Quando você diminui a produção, é mais fácil conseguir vender e comercializar, você escolhe os clientes.
Quando você tem muita produção, acaba tendo que mandar para qualquer um e eles demoram para pagar, às vezes não pagam”, destacou. Novo mecanismo O estudo entra em nova fase, com testes de pacotes biológicos para aumentar a produtividade. De acordo com o Dr.
Marcelo Carim, os produtos são eficientes. “Se eu trabalhei lá atrás com algo e deu resultado, imagine com uma atmosfera de elementos extremamente favoráveis e rigorosamente testados já. E eu estou trazendo para cá um exemplo.
É o PF55, que é uma bactéria extremamente saprofísica. Então ela atua no solo, na raiz, no sistema da planta, na facilidade de absorção de nutrientes”, explicou. Avanço da praga no Amapá praga vassoura-de-bruxa da mandioca contaminando plantação Thiago Nunes/Rede Amazônica A praga vassoura-de-bruxa da mandioca já foi confirmada em 15 dos 16 municípios do Amapá, conforme dados divulgados pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro).
O único município que ainda não possui registro oficial é Vitória do Jari. A doença foi registrada no Brasil em agosto de 2024, quando apareceu pela primeira vez em plantações e terras indígenas do Amapá, na região do Oiapoque. O fungo reduz a produtividade da mandioca e compromete a qualidade dos produtos consumidos ou comercializados pela comunidade.
Pesquisa desenvolve mandioca resistente e capaz de conviver com a praga vassoura-de-bruxa no Amapá Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:



