Ex-servidor da Prefeitura de Manacapuru, Raimundo Nonato da Costa Bastos Reprodução/Arquivo pessoal O ex-diretor do Departamento Administrativo da Secretaria Municipal de Educação de Manacapuru (Semec), Raimundo Nonato da Costa Bastos, foi indiciado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) por peculato, na modalidade desvio. Segundo o inquérito, salários registrados em nome de uma mulher que afirma nunca ter trabalhado na Prefeitura de Manacapuru foram direcionados para uma conta bancária de titularidade do diretor.
Os documentos analisados no inquérito, obtidos pela Rede Amazônica, mostram que a mulher foi registrada como auxiliar de serviços gerais da Prefeitura de Manacapuru em três períodos: de 1º de agosto a 30 de dezembro de 2020, de 4 de janeiro a 30 de dezembro de 2021 e de 1º de abril de 2022 a 1º de janeiro de 2023. Os registros também indicam lotações em unidades da rede municipal de ensino.
Ao denunciar o caso, a mulher afirmou à polícia que nunca trabalhou para a prefeitura e não recebeu os salários registrados em seu nome. Ela descobriu os vínculos em junho deste ano, quando foi a uma agência da Caixa Econômica Federal para sacar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e foi informada sobre uma pendência no Cadastro de Pessoa Física (CPF).
📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Depois, segundo contou à polícia, ela procurou um escritório de contabilidade e descobriu que havia rendimentos salariais atribuídos a ela pela Prefeitura de Manacapuru. Ao buscar explicações na administração municipal, recebeu cópias de contracheques que indicavam os pagamentos, mas direcionados a outra conta bancária. Agora no g1 A conta indicada nos contracheques para o recebimento dos salários é da agência 3707 do Bradesco, em Manacapuru.
O banco confirmou à Polícia Civil, por meio de um ofício, que a conta bancária pertence a Raimundo Nonato da Costa Bastos. O g1 entrou em contato com Raimundo Nonato para solicitar posicionamento em relação aos fatos investigados. Até a última atualização desta reportagem não houve retorno.
Documentos usados foram entregues em 2020 Segundo o depoimento da vítima, durante a campanha eleitoral de 2020, ela entregou RG, CPF, carteira de trabalho e comprovante de residência a uma pessoa que fazia o cadastro de trabalhadores para a campanha. Na ocasião, recebeu a promessa de que seria contratada pelo município após a eleição, mas afirmou que nunca foi chamada para exercer qualquer função pública.
Durante a investigação, a Prefeitura de Manacapuru informou à Polícia Civil que a mulher integrava o quadro da Semec e teria trabalhado nas unidades escolares indicadas nos registros funcionais. A informação diverge do depoimento dela, que negou ter prestado serviços ao município. Raimundo Nonato também foi ouvido pela polícia e declarou que ocupa o cargo de diretor do Departamento Administrativo da Semec desde 2017.
Ele afirmou que era responsável pelos procedimentos de contratação da secretaria, pela formalização dos processos e pelo encaminhamento ao setor financeiro. Sobre a mulher, Raimundo disse não se lembrar de ter realizado a contratação, alegando que os fatos ocorreram há mais de cinco anos. Em relação aos valores depositados em sua conta, afirmou que não sabia que os créditos estavam relacionados aos registros funcionais dela e que acreditava que se tratavam de seu próprio salário ou de verbas indenizatórias.
LEIA MAIS: Servidor da Prefeitura de Manaus é denunciado por cobrar para facilitar acesso ao Bolsa Família: ‘R$ 180, é só um filho' Polícia aponta autoria e materialidade do crime Para a Polícia Civil, a função exercida por Raimundo nos procedimentos de contratação e o fato de os pagamentos registrados em nome da mulher terem sido direcionados para uma conta de titularidade dele formaram indícios de autoria e materialidade.
O delegado John Allan Cunha Castilho indiciou Raimundo por peculato-desvio, previsto no artigo 312 do Código Penal. Segundo o relatório, a capitulação jurídica pode ser posteriormente alterada pelo Ministério Público ou pelo Poder Judiciário. O relatório final do Inquérito Policial foi assinado em 24 de agosto de 2026 e encaminhado à Justiça para manifestação do Ministério Público.
Dois dias depois, em 26 de agosto, o servidor foi exonerado pela prefeita Valciléia Flores Maciel (MDB). Ao g1, a Prefeitura de Manacapuru informou que tomou conhecimento da investigação por meio de comunicação da própria Polícia Civil do Amazonas, antes da exoneração do servidor envolvido. Segundo a administração municipal, a exoneração ocorreu em decorrência da investigação conduzida pela Polícia Civil.
Desde que tomou conhecimento dos fatos, segundo o posicionamento, o município tem colaborado com as autoridades responsáveis pela apuração, prestando as informações necessárias. No âmbito administrativo, a Prefeitura informou que instaurou uma sindicância assim que foi comunicada sobre o caso. O procedimento foi encaminhado à Procuradoria do Município, que recomendou o afastamento do servidor.
Diante dos fatos e da investigação em andamento, a gestão municipal decidiu pela exoneração.



