El Niño muito forte deve trazer mais calor e chuva irregular ao Vale, alerta pesquisador do INPE Pexels O El Niño deve ganhar força nos próximos meses e trazer temperaturas mais altas e chuvas mais irregulares para o Vale do Paraíba e outras áreas do Sudeste, segundo o pesquisador Gilvan Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O fenômeno já apresenta um aquecimento considerado muito intenso das águas do Pacífico Equatorial e deve atingir o pico entre o fim da primavera e o começo do verão.
A análise sobre o fenômeno consta no Boletim nº 4 do Painel El Niño 2026-2027, que reúne as informações mais recentes sobre a evolução do fenômeno e os possíveis impactos no Brasil - clique aqui para acessar o boletim completo.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O documento é elaborado em conjunto por Inpe, Inmet, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Cemaden, Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e Censipam, para acompanhar o fenômeno e fornecer informações para a população e os órgãos responsáveis pela tomada de decisões.
O que define um ‘super El Niño’ e até onde o atual pode chegar Segundo Gilvan, o principal ponto de atenção para o Sudeste é a combinação entre temperaturas mais altas e uma distribuição mais irregular das chuvas. A previsão não significa necessariamente que haverá pouca chuva. De acordo com o pesquisador, a tendência é que as precipitações ocorram mais em forma de pancadas durante a primavera e o verão, em vez de períodos prolongados de chuva.
“A tendência é que durante agora a primavera e o verão nós tenhamos mais chuvas em forma de pancadas, ou seja, chuvas menos contínuas, aliadas às temperaturas mais altas", disse. El Niño forte e Atlântico aquecido acendem alerta para calor extremo Arquivos/Rede Amazônica Mais ondas de calor O aumento das temperaturas também preocupa por causa da maior frequência de ondas de calor.
“Em temperaturas mais altas, em anos de El Niño, nós temos maior frequência de ondas de calor, então é outro ponto de atenção para a população o aumento da frequência de ondas de calor.” Gilvan explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e provoca mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região.
A tendência é de mais chuva no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem registrar redução das precipitações. No Sudeste, a principal característica esperada é a combinação de calor e chuva mais irregular. Segundo Gilvan, mesmo com períodos de chuva menos contínua, as pancadas podem ser intensas e aumentar o risco de problemas relacionados ao excesso de água.
“Nós teremos chuvas agora durante a primavera e o verão, mas em forma de pancadas. Chuvas intensas em forma de pancadas. Nós estamos mais sujeitos a enchentes, inundações, deslizamentos em cortes.” Para o pesquisador, a combinação entre o aquecimento do Pacífico provocado pelo El Niño e o aquecimento global também exige atenção para a ocorrência de eventos extremos.
“Quando nós somamos o aquecimento global... essa soma desses dois fatores faz com que nós tenhamos cada vez mais extremos.” Ele ressalta, no entanto, que ainda não há uma relação científica clara que permita atribuir diretamente um evento extremo específico à combinação dos dois fatores.
No Brasil, os impactos mais comuns do El Niño incluem mais chuvas no Sul, secas na Amazônia e no Nordeste e ondas de calor mais frequentes no Centro-Oeste e Sudeste Getty Images / BBC El Niño pode ser um dos mais fortes já registrados O aquecimento atual do Pacífico chama atenção pela intensidade. Segundo Gilvan, os últimos quatro meses registraram os maiores valores observados até agora neste episódio, que ainda não chegou ao pico.
O pesquisador explica que o El Niño de 1997-1998 era considerado o mais intenso já acompanhado até então. Naquele episódio, a temperatura média na área de referência do Pacífico chegou a uma anomalia de aproximadamente 3,24°C no pico, em dezembro. No episódio atual, o aquecimento já ultrapassou os valores registrados naquele período para o mesmo momento do desenvolvimento do fenômeno.
Por isso, Gilvan avalia que o evento de 2026-2027 pode se tornar o mais intenso já registrado. A classificação atual já entra na categoria de El Niño muito forte, com a temperatura média da região de referência do Pacífico acima de 2°C em relação à média. O pesquisador também explica que as águas profundas do oceano, entre 100 e 150 metros, apresentam um aquecimento superior a 8°C em algumas áreas, outro indicador acompanhado pelos especialistas para avaliar a evolução do fenômeno.
O que esperar para os próximos meses O quarto boletim do Painel El Niño aponta tendência de temperaturas acima da média em praticamente todo o país durante a primavera e o verão. Para o período de outubro a dezembro, há previsão de chuva acima da média em partes do Sul e também em áreas do Sudeste e do Nordeste. As projeções são sazonais e indicam tendências gerais.
A ocorrência de chuvas fortes, temporais, ondas de calor e outros eventos depende da evolução das condições meteorológicas ao longo dos próximos meses. No Sudeste, Gilvan reforça que o cenário exige atenção principalmente para os períodos de calor intenso e para as chuvas concentradas em pouco tempo.
“Medidas têm que ser tomadas para que populações não sofram como nós já observamos, por exemplo, no caso São Sebastião e tantos outros casos como nós já observamos aqui na região.” O quarto boletim também destaca a necessidade de acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas para antecipar possíveis impactos do fenômeno. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina .



