Passageiros ficam à deriva após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Reprodução/Redes Sociais O comandante da lancha “Lima de Abreu XV”, Pedro José da Silva Gama, vai a júri popular pelo naufrágio da embarcação que deixou três pessoas mortas no Encontro das Águas, em Manaus. A decisão foi tomada pelo juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, em decisão de pronúncia proferida na última quarta-feira (24).
O acidente aconteceu em 13 de fevereiro de 2026, por volta das 14h, na região conhecida como Encontro das Águas, no bairro Mauazinho. A embarcação havia saído do Porto da Manaus Moderna com destino a Nova Olinda do Norte. O acidente deixou três pessoas mortas, cinco desaparecidos e 71 sobreviventes foram resgatados.
Na decisão, o magistrado reconheceu a materialidade dos crimes, comprovada pelos laudos necroscópicos, e considerou que existem indícios suficientes de autoria para que Pedro José seja submetido ao Tribunal do Júri. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O comandante foi pronunciado por três homicídios simples, na forma de concurso formal. A Justiça, no entanto, afastou qualificadoras apontadas pela acusação, como motivo fútil, perigo comum e recurso que teria dificultado a defesa das vítimas.
A definição sobre se a conduta do comandante configura dolo eventual ou culpa consciente ficará a cargo dos jurados. O que diz a denúncia Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), Pedro José conduzia a embarcação em velocidade elevada e estaria supostamente disputando uma corrida, conhecida como “racha”, com outro barco. Ainda conforme a acusação, o comandante teria ignorado pedidos feitos por passageiros para que reduzisse a velocidade diante das condições adversas na região.
O naufrágio resultou nas mortes de Lara Bianca Bezerra Lopes, Samila Souza Oliveira e Fernando Grandez Souza de Oliveira. O acidente também deixou pessoas desaparecidas. Naufrágio de lancha deixa 2 mortos e 7 desaparecidos em Manaus Prisão preventiva é revogada Na mesma decisão, o juiz revogou a prisão preventiva de Pedro José da Silva Gama.
O magistrado entendeu que, nesta fase do processo, não permanecem fundamentos legais que justifiquem a manutenção da prisão cautelar e ressaltou que a prisão preventiva não pode representar antecipação de pena. Com a decisão, o comandante passará a responder ao processo em liberdade, mas deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça. Entre elas está o monitoramento eletrônico por tornozeleira.
Pedro José também está proibido de manter contato, por qualquer meio, com familiares das vítimas e com testemunhas ouvidas durante a investigação e na fase de instrução do processo. Júri popular A decisão de pronúncia encerra a fase em que a Justiça avalia se existem elementos suficientes para levar o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Agora, caberá ao Tribunal do Júri analisar as circunstâncias do caso e decidir sobre a responsabilidade criminal do comandante em relação às três mortes.
O naufrágio A lancha, da empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus por volta das 12h30. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro.
As causas do acidente não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação. Logo após o acidente, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Em seguida, uma operação de resgate foi montada.
Um dos episódios que mais chamou atenção durante o resgate foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida colocado dentro de um cooler. Para evitar que o recém-nascido tivesse contato direto com a água, familiares colocaram a criança dentro do recipiente, que ficou à deriva até ser encontrado por equipes de resgate. A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para dar à luz, também foi salva.
Ambos foram levados para atendimento médico. Testemunhas também relataram momentos de tensão antes do naufrágio. Uma passageira afirmou que chegou a alertar o piloto da lancha para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas.
Em um vídeo gravado enquanto estava à deriva, ela relatou que havia pedido para o condutor "ir devagar". Assista abaixo: Passageira de barco que naufragou no Encontro das Águas em Manaus grava vídeo à deriva



