Em posts apagados do X (antigo Twitter), o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, criticava o Bolsa Família e dizia que "o PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo”. Atualmente, Flávio diz que, se eleito, vai manter o benefício, pago a pessoas de baixa renda. As mensagens, publicadas entre 2011 e 2013, época em que Flávio era deputado estadual do Rio de Janeiro, foram apagadas, mas recuperadas por meio de uma base histórica de redes sociais.
Nos textos, o político associava os benefícios sociais a práticas de clientelismo eleitoral, dependência dos beneficiários e estratégias de manutenção de apoio ao PT. O g1 questionou a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro sobre o motivo de os posts sobre o Bolsa Família terem sido apagados, mas ainda não teve retorno. Assim que houver resposta, esta reportagem será atualizada.
A discussão ganhou destaque após uma declaração da coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, em entrevista à CBN Bahia. Ela afirmou que um eventual governo do candidato criaria uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que ingressassem no mercado formal de trabalho.
LEIA TAMBÉM Flávio Bolsonaro diz que Bolsa Família é 'direito adquirido': 'Ninguém tem direito de tocar nesse programa' VALDO: Flávio vê otimismo na reta final, mas alerta campanha após ruído sobre Bolsa Família Bolsa Família vai ter regra de transição de dois anos, diz coordenadora de campanha de Flávio Bolsonaro Segundo Daniella, a proposta permitiria que os beneficiários continuassem recebendo o benefício por dois anos após conseguirem um emprego e que tivessem retorno automático ao programa caso perdessem a fonte de renda.
A auxiliar de Flávio também afirmou que um futuro Ministério da Prosperidade ofereceria crédito e capacitação para estimular a saída voluntária do programa. Uma das postagens apagadas é de 25 de agosto de 2011. Ao comentar a aprovação de um reajuste do Bolsa Família, o parlamentar escreveu: “Financiamento púb de campanha do pt!”, em referência a uma notícia sobre o programa federal.
Agora no g1 Em 23 de novembro de 2011, Flávio Bolsonaro criticou um programa estadual de assistência no Rio de Janeiro, do governo de Sérgio Cabral (MDB). O então deputado chama o benefício de “bolsa-farelo”. Na publicação, afirmou ter votado contra a proposta por considerá-la uma forma de “clientelismo eleitoreiro”.
Já em 25 de fevereiro de 2013, Flávio Bolsonaro afirmou que beneficiários do Bolsa Família e do seguro-desemprego eram contabilizados pelo governo como empregados, sustentando que o número real de desempregados seria significativamente maior do que os índices oficiais. Em outra postagem, de 28 de maio de 2013, o então deputado relacionou o Bolsa Família a discussões sobre drogas, maioridade penal e à atuação de PT e PSOL.
Pouco menos de um mês depois, em 24 de junho de 2013, escreveu em resposta a um usuário da rede social que "o PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo”. A mesma pesquisa de postagens aponta a existência de outras mensagens do período nas quais o parlamentar interagia com seguidores para defender seu posicionamento contrário a programas de transferência de renda estaduais. Esses registros, contudo, não foram classificados como críticas diretas ao Bolsa Família.
Como as mensagens apagadas de Flávio Bolsonaro foram recuperadas? O g1 teve acesso aos posts apagados a partir de uma base com registros históricos de tweets do candidato, contendo legenda, data de publicação e URL original. A extração de dados filtrou postagens da conta do flaviobolsonaro no X que contivessem o termo "bolsa" no conteúdo, localizando onze registros brutos no período, dos quais cinco foram isolados após curadoria por se tratarem de ataques aos programas de assistência.



