Santa Casa de Campo Grande é alvo de operação que apura desvios milionários no hospital A diretora-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, está entre os presos nesta sexta-feira (11), durante a Operação Antidotum, que investiga supostos desvios e prejuízos de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados à Santa Casa de Campo Grande. Além de Alir, também foram presos os diretores do hospital.
São eles: Alir Terra (presidente da Santa Casa) Alessandro Dias Junqueira (diretor administrativo da Santa Casa) Rinaldo Romano (diretor Administrativo Financeiro na Santa Casa) Paulo Guilherme Gutierre Mariosa (diretor de Finanças Adjunto da Santa Casa) Monique Gregório (supervisora Serviço de Arquivo Médico e Estatística da Santa Casa) Mauricio Aparecido Benites (empresário) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Também foram alvos de mandados de busca e apreensão: Beatriz Lemes da Silva (diretora executiva do Plano Santa Casa Saúde) Paulo Duarte Cruz (administrador da Corretora Duarte e Cruz Soluções) Alir Terra.
Divulgação. O g1 ainda não conseguiu contato com as defesas dos alvos da operação deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A operação Na manhã desta sexta-feira (11), agentes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) estiveram na Santa Casa para cumprir os mandados e apurar as supostas irregularidades apontadas pela investigação.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, além de Goiânia (GO). Segundo o MPMS, cerca de R$ 1,4 milhão teria sido desviado somente no primeiro ano do contrato de digitalização de prontuários. Em outro levantamento, o órgão estima um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões à Santa Casa, relacionado a pagamentos feitos a empresas pertencentes ao mesmo grupo.
O Ministério Público afirma que o valor total do suposto prejuízo ainda está sendo calculado e pode ser maior. Em nota, a Santa Casa informou que acompanha a operação. Leia a íntegra da nota mais abaixo.
Operação mira desvios milionários na Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli, g1 MS 🔎A Santa Casa de Campo Grande é um dos principais hospitais de Mato Grosso do Sul e referência no atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A instituição recebe pacientes de diferentes municípios do estado e oferece atendimentos de média e alta complexidade. ⚠️Apesar das ocorrências registradas na cidade, o hospital informou que o atendimento e a assistência seguem funcionando normalmente.
A unidade também esclareceu que as visitas estão mantidas. Investigações apontou irregularidades Segundo o MPMS, a investigação começou após suspeitas de irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande para digitalizar prontuários médicos. O contrato previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões.
Segundo o Ministério Público, os cerca de R$ 1,4 milhão teriam sido desviados somente no primeiro ano de parceria. A operação é conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio do Batalhão de Choque da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul e participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados (CDA) da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS).
Contratos com empresas do mesmo grupo Durante a investigação, o Gecoc também identificou suspeitas de irregularidades em contratos da Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. Segundo o MPMS, os contratos foram firmados com várias empresas do mesmo grupo econômico. O proprietário delas teria ligação com integrantes da diretoria da Santa Casa.
As empresas também estariam registradas no mesmo endereço. Segundo a investigação, porém, o imóvel estava desocupado. Somente em 2025, a Operadora Santa Casa Saúde teria pago cerca de R$ 9,6 milhões a essas empresas.
Ainda segundo a investigação, contratos, pagamentos e prestações de contas teriam sido omitidos de órgãos de fiscalização. Entre eles estão o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado. A apuração continua para identificar o valor total dos recursos que podem ter sido desviados e a participação de cada investigado.
O nome da operação vem do latim antidotum, que significa antídoto. A palavra é usada para definir uma substância capaz de neutralizar ou impedir a ação de algo nocivo. No sentido figurado, também pode representar uma medida ou solução adotada para combater um problema.
Operação ocorre em meio a crise na Santa Casa Batalhão de Choque dá apoio em operação contra desvios da Santa Casa de Campo Grande Gabi Cenciarelli/ Reprodução A operação ocorre poucos dias após a Santa Casa de Campo Grande suspender cirurgias cardíacas pediátricas eletivas. Na terça-feira (8), foi divulgado que crianças que precisam desse tipo de procedimento pelo SUS em Mato Grosso do Sul poderiam ter que viajar para outros estados para serem atendidas.
A Santa Casa é referência nesse tipo de atendimento no estado. Segundo o Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS), é a única unidade credenciada pelo SUS em Mato Grosso do Sul para realizar cirurgias cardíacas pediátricas de alta complexidade. A suspensão dos procedimentos eletivos ocorre desde 29 de julho.
Segundo o sindicato, atendimentos ambulatoriais também foram suspensos. Segundo o hospital, a medida foi tomada pela falta de médicos especializados. Dos dois cirurgiões que atuavam no serviço, um está afastado por um problema grave de saúde e a outra profissional pediu rescisão do contrato.
A Santa Casa afirmou que a especialidade é de alta complexidade e que há poucos profissionais disponíveis, o que dificulta a recomposição da equipe. O hospital também afirmou que a manutenção do atendimento pelo SUS depende do cumprimento das obrigações contratuais pelos órgãos públicos. Segundo a instituição, ainda há desequilíbrio financeiro no contrato, que afeta a manutenção de equipes, medicamentos e insumos.
Sobre o aporte de R$ 4 milhões anunciado publicamente, a Santa Casa disse que ainda não recebeu o dinheiro. O que diz a Santa Casa? A Santa Casa se manifestou por nota.
Leia a íntegra abaixo: "A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande informa que está prestando atendimento às autoridades responsáveis pela operação realizada nesta sexta-feira (11), colocando-se à disposição para fornecer as informações e os esclarecimentos que forem formalmente solicitados.
A instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes e, neste momento, aguarda a liberação do acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, a partir disso, poder se manifestar de forma adequada sobre os fatos. A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes". Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:



