Vício em jogos vira problema de saúde pública no Brasil Um jovem de 27 anos perdeu dinheiro por conta do vício em apostas e chegou a viver em situação de rua em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. O homem, que não vai ser identificado pela reportagem, chegou a manter entre 15 e 20 aplicativos de plataformas de jogos de azar organizados no celular durante a fase mais crítica de sua vida.
📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Em entrevista à TV TEM, ele revelou que ficou 24 dias em situação de rua por não conseguir pagar o aluguel de sua residência. Jovem de 27 anos chegou a morar na rua após perder dinheiro em apostas online Reprodução/TV TEM "No começo, eu ganhei um pouquinho e fui continuando. Tinha dia que ganhava, tinha dia que perdia.
Teve uma vez que cheguei a ter que pegar até um consignado CLT. Peguei R$ 3 mil e coloquei tudo de uma vez. Acho que foi a pior aposta que fiz.
Perdi tudo. Foi onde coloquei a mão na consciência e falei: 'Meu Deus, o que fiz com a minha vida?'", relatou o jovem. Paralelamente, a Polícia Civil realizou, em 1º de outubro, uma operação em São José do Rio Preto para repressão aos jogos de azar clandestinos.
A ação fiscalizou 32 estabelecimentos e teve como resultado a apreensão de telemóveis, o cumprimento de um mandado de prisão, além da confecção de boletins de ocorrência. Polícia Civil realiza ação contra apostas ilegais na região de São José do Rio Preto (SP) Polícia Civil No Brasil, o vício em apostas é considerado um problema de saúde pública.
Diante dos relatos de dependência e do aumento da procura por tratamento através do Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde ampliou a capacidade de atendimento de 600 para 100 mil consultas mensais por meio do aplicativo Meu SUS Digital.
A arma contra o vício O transtorno psicológico desenvolvido por meio do uso de jogos de azar, também conhecido como ludopatia, afetava cerca de 11 milhões de brasileiros acima de 14 anos, segundo dados referentes ao período de 2023 divulgados pelo Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. O psiquiatra Júlio César de Souza, explica que, em alguns estágios, a dependência é considerada uma doença. “Essa é uma doença que cada vez vem aumentando mais e, agora, virou um problema de saúde pública.
Ele [vício] acaba trazendo um prejuízo significativo, seja na esfera social, ocupacional, familiar ou financeira. A pessoa começa a dilapidar patrimônio financeiro, ela começa a fazer empréstimos para poder bancar as apostas”, explicou o médico. Plataforma de autoexclusão para apostadores foi lançada pelo governo federal em dezembro de 2025.
Durante a Copa do Mundo, houve aumento no número de pessoas pedindo para se autoexcluírem de plataformas de apostas BBC News Brasil LEIA TAMBÉM Polícia investiga vazamento e publicação não autorizada de fotos e vídeo de jovens em site erótico Fonoaudióloga tem prejuízo de quase R$ 60 mil após cair no golpe do falso gerente de banco Justiça condena gerentes de banco por estelionato após golpe de R$ 1,3 milhão em médica A principal forma de lidar com a situação é buscar um tratamento psicológico e psiquiátrico na rede pública ou privada.
No caso do SUS, depois de um autoteste que identifica sinais de risco, a vítima tem acesso a psicólogos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais capacitados para lidar com a ludopatia. O serviço oferece cerca de 100 mil atendimentos para atender a demanda da população que passou a ser afetada pela crescente incidência de registros.
“O tratamento de primeira linha, que é o tratamento com a psicoterapia, — terapia cognitivo-comportamental — é fazer uma reestruturação cognitiva do paciente, corrigindo também distorções cognitivas, fazendo com que o paciente tenha menos recaídas. Junto com isso, para aqueles casos mais graves, a gente também pode aliar o tratamento medicamentoso. A família precisa dar o suporte, ajudando o paciente a ter um controle financeiro, seja limitando os gastos, limitando o cartão de crédito ou retirando o celular.
A família tem um papel importante no tratamento desse tipo de paciente ", ressaltou Júlio César. Para conter o avanço do problema, o Governo Federal disponibilizou a ferramenta Autoexclusão, acessível pelo portal gov.br. A funcionalidade permite que qualquer cidadão solicite o bloqueio voluntário do seu CPF em todas as casas de apostas autorizadas no país.
Até a última atualização desta reportagem, mais de 1 milhão de pessoas haviam utilizado o recurso no Brasil. Médico psiquiatra Júlio César Souza explica sobre o tratamento para vício em apostas Reprodução/TV TEM Proibição das apostas O Governo Federal anunciou, no dia 25 de setembro, em São Paulo (SP), a proibição total de apostas de quota fixa no país, as chamadas bets. A vedação foi autorizada pelo presidente Lula (PT) e inclui também jogos online e cassinos virtuais, como o "Jogo do Tigrinho".
Entretanto, muitas plataformas ainda continuam operando de maneira clandestina no país. Veja o que acontece com o dinheiro, as apostas e as contas após o fim das bets. g1 Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM



