Demonstração do fluxo de votação das Eleições 2026, na sede do TRE-SP, centro da capital, SP. Na foto a urna eletrônica. ROBERTO CASIMIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Mais de 231 mil eleitores digitaram e confirmaram o número 10 para presidente e, assim, acabaram por anular seus votos no primeiro turno das eleições de 2026, segundo dados dos Registros Digitais de Voto (RDVs).
O número 10 pertence ao Republicanos, mas não correspondia a nenhuma candidatura à Presidência nesta eleição. Diferença entre Flávio e Lula é a menor da história entre candidatos no 1º turno; veja gráfico Ao todo, foram identificados 231.492 votos nessas condições. O 10 só ficou atrás do 00, confirmado em 1.872.196 votos nulos.
Na sequência, apareceu o 15, do MDB, com 230.598 registros. O levantamento foi feito pelo g1 com dados dos Registros Digitais de Voto, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne os números confirmados na urna e a quantidade de votos nulos para presidente no país. 🔎 Os Registros Digitais de Voto (RDVs) são arquivos da urna eletrônica que guardam cada voto confirmado, separado por cargo, incluindo os números digitados nos votos nulos.
Os registros são embaralhados para preservar o sigilo: não permitem identificar quem votou nem associar os votos de uma mesma pessoa para cargos diferentes. Não é possível saber se houve confusão do eleitor ou intenção de anular. A coincidência com o número de um partido ou de uma candidatura anterior não comprova em quem o eleitor pretendia votar.
O número 10 é de um dos principais aliados do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que se reelegeu. Tarcísio foi cotado para concorrer à Presidência, mas Flávio acabou escolhido por Jair Bolsonaro (PL). Entre os votos nulos para presidente no primeiro turno, aparecem números que fizeram parte de campanhas presidenciais anteriores.
O 15, terceiro mais frequente, foi usado por Simone Tebet em 2022 e por Henrique Meirelles em 2018, ambos pelo MDB. O 17, com o qual Jair Bolsonaro disputou e venceu a eleição presidencial de 2018 pelo PSL, apareceu em 7.925 votos nulos. O partido se fundiu com o DEM em 2022 para formar o União Brasil, que utiliza o número 44.
Veja os números: 12 — 164.538 votos nulos: número do PDT, usado por Ciro Gomes em 2018 e 2022. 44 — 114.387 votos: número do União Brasil, usado por Soraya Thronicke em 2022. 45 — 95.605 votos: número do PSDB, usado por Aécio Neves em 2014 e Geraldo Alckmin em 2018.
40 — 92.752 votos: número do PSB, usado por Marina Silva em 2014. 20 — 53.907 votos: atualmente do Podemos, foi usado por Pastor Everaldo, então no PSC, em 2014. 50 — 29.685 votos: número do PSOL, usado por Luciana Genro em 2014 e Guilherme Boulos em 2018.
18 — 26.851 votos: número da Rede, usado por Marina Silva em 2018. Há ainda registros com números de partidos que passaram por mudanças. O 25, confirmado em 16.707 votos nulos, pertence hoje ao PRD, mas já identificou o DEM.
O 51, com 5.027 registros, foi usado por Cabo Daciolo em 2018 pelo Patriota, partido que posteriormente se fundiu com o PTB para formar o PRD. Ao todo, os registros reúnem 3.624.443 votos nulos distribuídos por 87 combinações de dois dígitos. O 00 concentra 51,7% dos registros.
Veja os dez números mais frequentes: 00: 1.872.196 votos; 10 — Republicanos: 231.492 votos; 15 — MDB: 230.598 votos; 11 — PP: 177.293 votos; 12 — PDT: 164.538 votos; 44 — União Brasil: 114.387 votos; 45 — PSDB: 95.605 votos; 40 — PSB: 92.752 votos; 99: 84.260 votos; 20 — Podemos: 53.907 votos. A identificação das legendas segue o cadastro do TSE. 00 e 99 não correspondem a partidos registrados.
Votos nulos e em branco nas eleições 2026 Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) vão se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro. Flávio recebeu cerca de 56,1 milhões de votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula teve 53,9 milhões, equivalentes a 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A eleição de 2026 registrou 3.674.249 votos nulos, equivalentes a 2,93% dos votos apurados, e 2.300.798 votos em branco, ou 1,84%. Juntas, as duas categorias somaram quase 6 milhões de votos, que não entram no cálculo dos votos válidos. Outros 33.469.244 eleitores não compareceram às urnas.
A taxa de abstenção foi de 21,08%, a maior em um primeiro turno de eleição geral desde 1998, quando 21,49% dos eleitores deixaram de votar. Flávio Bolsonaro e Lula Divulgação



