Transporte por ônibus em São Paulo Jornal Nacional/ Reprodução As empresas de ônibus investigadas pela Polícia Civil por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) são alvo também de reclamações dos passageiros. Dados da SPTrans mostram que três de cada quatro linhas operadas por essas empresas não cumprem o número mínimo de viagens previsto em contrato com a Prefeitura de São Paulo. Na prática, o trabalhador olha o quadro de horários, espera no ponto e o ônibus não passa quando deveria.
“Ninguém merece esperar o ônibus debaixo de chuva. Pior ainda se ele não aparecer”, diz a técnica de enfermagem Elisa Joana. Nesta terça-feira (22), das três partidas da linha 5018-10, programadas entre 17h e 17h30, apenas uma foi realizada.
“Por conta de atraso, por conta de ônibus que quebra e pouco ônibus na linha. Agora saiu um. Sabe Deus a hora que vai chegar o outro”, relatou Elisa.
A linha 5018-10 liga o Shopping Interlagos ao Jabaquara e deixou de fazer quase metade das viagens neste ano, segundo o último levantamento, de maio. A operação é da A2 Transportes, empresa responsável pelas dez linhas que menos cumpriram viagens na capital, segundo a Prefeitura. “Às vezes você fica 40 minutos esperando.
Aí vem um atrás do outro. Não tem controle”, afirma o aposentado Carlos Alberto. Para a Polícia Civil, a A2 Transportes é usada pelo PCC para lavagem de dinheiro.
Na semana passada, o presidente da empresa, Paulo Sirqueira, conhecido como Paulo Camarão, e Júlio Salvador Filho, apontado como um dos diretores, foram presos temporariamente. Além da A2 Transportes, outras 10 empresas de ônibus que operam na capital são investigadas pelo mesmo motivo. E os dados da SPTrans mostram que a maioria dessas empresas tem outro ponto em comum: presta um serviço de má qualidade aos passageiros.
Das 524 linhas sob responsabilidade das empresas investigadas, apenas 24% cumprem o mínimo de viagens exigido em contrato. Entre as empresas que não são investigadas, o índice de cumprimento chega a 36%. Garagem da viação A2 Transportes, na Zona Sul de São Paulo Reprodução/TV Globo Por contrato, as empresas de ônibus precisam fazer pelo menos 97% das viagens programadas.
Mas os passageiros da TransUnião, que opera na Zona Leste, não sabem o que é isso. Das 52 linhas da empresa, 51 não cumpriram a meta. A pior é a linha 2704-10, que liga o Jardim Robru ao Metrô Itaquera.
Em 2024, a Prefeitura fez uma intervenção e assumiu a gestão da Transwolff, que já era investigada desde aquela época por envolvimento com o PCC. Mas nem essa mudança fez o serviço melhorar no extremo sul da cidade. Em média, só três de cada dez linhas da empresa atenderam os passageiros como determina o contrato neste ano.
O serviço ineficiente se reflete no número de multas aplicadas pela SPTrans. “Eu acho que, se eles pegassem mais no pé, a SPTrans, não sei como funciona, daria para agilizar isso aí”, afirma a recepcionista Rosilene Oliveira. “No horário de pico demora bastante e não cumpre mesmo o horário.
Às vezes ficam duas, três filas de pessoas aqui esperando o ônibus”, acrescenta. A TV Globo procurou a A2 Transportes, que respondeu com uma lista de melhorias que pretende implantar. Entre elas estão a troca do comando da empresa e um aumento de mil viagens por dia para reforçar o atendimento aos passageiros.



