Homem confessa que matou adolescente e corpo estaria enterrado em quintal O tio de consideração que disse ter matado a adolescente Beatryz Emelly Nunes da Silva Ferreira, de 14 anos, a pauladas em Britânia, na região oeste de Goiás, porque ela "foi mal-educada" foi condenado a 45 anos de prisão. A menina foi morta em janeiro de 2026, quando foi à casa do tio ajudar com a leitura de alguns documentos. Paulo Fagundes de Oliveira foi condenado por feminicídio, ocultação de cadáver e estupro.
O g1 não localizou a defesa de Paulo Fagundes de Oliveira. A decisão cabe recurso. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp A sentença foi proferida nesta quinta-feira (17) após julgamento em Tribunal do Júri de Aruanã.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), o homem constrangeu a adolescente com violência física e prática de atos libidinosos, além de matá-la e enterrar o corpo no quintal para assegurar sua impunidade e não por ela ter sido "mal-educada", como ele alegou inicialmente.
Tio de consideração é condenado por matar Beatryz Emelly Nunes da Silva Ferreira, de 14 anos, em Goiás Reprodução/TV Anhanguera "Durante luta corporal, ele utilizou um pedaço de madeira para desferir golpes na cabeça da vítima e, após a queda dela ao solo, empregou uma arma branca para cortar seu pescoço, causando a morte, conforme laudo de exame cadavérico juntado aos autos", diz a denúncia.
No documento da sentença consta que a defesa de Paulo pediu a desclassificação do crime de feminicídio e a absolvição pelo crime de estupro, alegando ausência de prova de materialidade. Entretanto, o Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e autoria de todos os crimes, que resultou na condenação do réu. Veja as penas para cada crime: Feminicídio: 35 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão; Estupro: 9 anos; Ocultação de cadáver: 1 ano.
Para dosar a pena, o juiz Joviano Carneiro Neto considerou que o crime envolveu "grave quebra na relação de confiança familiar", já que a vítima era sobrinha de consideração do acusado. Além disso, reconheceu que a motivação do crime foi para "assegurar a impunidade do estupro". O magistrado ressaltou que a pena para a ocultação de cadáver foi atenuada em 6 meses em razão da confissão espontânea.
Determinou ainda a subtração do tempo em que o acusado esteve preso. Ao fim da sentença, Paulo César Fagundes de Oliveira foi condenado a 45 anos, 4 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, e ainda a pagar R$ 10 mil por indenização por danos morais aos familiares da vítima. Ao g1, o advogado da família disse que a sensação é de que a Justiça foi feita, apesar de não trazer de volta a menina.
"Nada poderá apagar a crueldade e a brutalidade com a qual o crime foi cometido, trazendo dor, saudade e muita tristeza a todos da família, mas o julgamento e a condenação do acusado conseguem trazer um alento", disse.
LEIA TAMBÉM: ENTENDA: Polícia encontra corpo que pode ser de adolescente de 14 anos desaparecida, em Britânia Tio de consideração diz que matou adolescente a pauladas por ela ter sido ‘mal-educada’, diz polícia Adolescente morta por tio de consideração era meiga e trabalhadora, diz mãe O crime No dia 20 de janeiro de 2026, Beatryz deixou a casa da família com uma bicicleta para ajudar o tio e sua esposa, que não foi identificada, com alguns documentos.
Na época do crime, o delegado responsável pelo caso, William Caio, disse que o tio contou à polícia que a menina teria sido “grossa” e "mal-educada" com ele, e que pegou um pedaço de madeira atrás de uma porta e acertou a cabeça da menina. "Ele fala que a esposa falou 'essa menina está precisando de um corretivo mesmo. Pode bater mais'.
Ele deu mais duas (pauladas). Aí, a menina ficou imóvel no chão", contou o delegado. Beatryz Emelly era uma adolescente sonhadora, meiga e trabalhadora, segundo a sua mãe.
À dir., a jovem na função de serva do altar, durante uma missa na paróquia que frequentava, em Britânia Reprodução/ perfil do Instagram e arquivo pessoal de Gisele Gisele Nunes da Silva O acusado disse à época que a esposa teria lhe dito para "terminar" o crime, orientando-o a cortar o pescoço da jovem. A esposa de Paulo negou participação no assassinato. A defesa dela não foi localizada.
O g1 entrou em contato com o MP-GO e com o delegado William Caio para saber se ela foi indiciada e aguarda retorno. Segundo o Ministério Público, o acusado arrastou o corpo da vítima até o quintal da residência e o enterrou em uma escavação já existente no local, além de esconder a bicicleta da adolescente para despistar as buscas policiais. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.
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