Quando a paciente chega ao centro cirúrgico, uma parte decisiva do trabalho já ficou para trás. Os exames foram analisados, cada lesão foi localizada no mapa e cada profissional sabe o que vai fazer. Nas cirurgias mais complexas, o que separa um bom resultado de um problema muitas vezes foi decidido semanas antes.
É o caso da endometriose profunda, forma da doença em que o tecido parecido com o que reveste o útero por dentro cresce fora dele e penetra nos tecidos. Entre as mulheres com endometriose na pelve, o intestino é atingido em 5% a 40% dos casos e o trato urinário, em 1% a 4%, segundo revisão publicada na Gynecological Surgery, em 2017. Quando a doença chega a esses órgãos, a cirurgia deixa de ser um procedimento só e passa a exigir uma estratégia.
Primeiro, mapear Antes de operar, é preciso saber onde está cada lesão, quão fundo ela vai e quais órgãos atinge. Isso se faz com exames de imagem específicos, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve. A mesma revisão mostra que o ultrassom transvaginal identificou 91% dos casos de endometriose profunda, mas lembra que o resultado depende muito de quem faz o exame.
A ressonância identificou 79% dos casos de endometriose entre o reto e a vagina e é útil para completar o quadro. Esse mapa muda a cirurgia: ele indica se o intestino precisa de preparo especial e se será necessário chamar outro cirurgião, como um coloproctologista ou um urologista. Depois, reunir quem precisa estar na decisão Casos complexos raramente cabem em uma só especialidade.
Na literatura, as equipes que tratam a endometriose profunda reúnem ginecologista, radiologista, cirurgião colorretal, urologista e enfermeira especializada, que analisam juntos a história da paciente, o exame clínico e as imagens antes de recomendar um caminho. É esse o princípio do Board Cirúrgico, reunião em que os especialistas discutem o caso e a paciente recebe uma única recomendação consolidada, em vez de várias opiniões soltas para interpretar sozinha.
Por fim, preparar a paciente A cirurgia é só uma etapa da jornada. A alimentação, a fisioterapia pélvica e o apoio emocional antes e depois da operação ajudam o corpo a chegar mais preparado e a se recuperar melhor. Para entender como esse cuidado se organiza, vale a leitura do artigo sobre o papel do tratamento multidisciplinar na endometriose.
O que a paciente pode esperar "A lesão que aparece no exame é só parte da história. Operar bem é saber, antes de entrar na sala, o que será encontrado, quem precisa estar presente e qual é a ordem de cada passo. A cirurgia é o momento de fazer certo, e fazer certo começa antes", explica Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.
Investigação e cuidado especializado Em uma cirurgia complexa, o resultado começa a ser construído antes da entrada no centro cirúrgico. Há mais de 10 anos operando mulheres com endometriose, Tiago Castilho concentra sua atuação no planejamento e no tratamento cirúrgico de casos pélvicos complexos. Sua experiência inclui videolaparoscopia e cirurgia robótica, permitindo abordagens minimamente invasivas quando indicadas.
Essa mesma visão deu origem ao Cuidado 360º: uma estrutura criada para preparar a paciente, organizar sua jornada cirúrgica e acompanhar sua recuperação. Para mais informações ou agendamento de consulta, entre em contato pelo telefone (44) 99169-8161. Tiago Castilho é Cirurgião Oncológico com atuação em Cirurgia Ginecológica e Cirurgia de Endometriose Profunda, mestre e doutor na área, com mais de 10 anos de experiência no tratamento cirúrgico da doença.
CRM-PR 22590 | RQE 2911 | RQE 844.



