Morre, aos 97 anos, artista japonesa Yayoi Kusama A artista vanguardista japonesa Yayoi Kusama, mundialmente conhecida por suas obras com bolinhas e um dos grandes nomes da arte contemporânea, deixou um legado em Minas Gerais, com uma galeria com exposição permanente no Instituto Inhotim, em Brumadinho, na Grande BH. Kusama, que tinha 97 anos, morreu em Tóquio. A morte dela foi informada em seu site nesta quarta-feira (26).

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp O Instituto Inhotim, um dos principais museus a céu aberto do mundo e espaço de exposição botânica, lamentou a morte da artista em um comunicado publicado nas redes sociais (veja mais abaixo obras de Yayoi Kusama no Inhotim) "Kusama foi uma grande artista: transformou a cultura e multiplicou ao infinito sua percepção de mundo, em obras que atravessarão os tempos", afirmou o instituto pelas redes sociais.

No Inhotim, a artista tem um espaço próprio dedicado ao seu trabalho desde 2023. Localizada no eixo laranja, a Galeria Yayoi Kusama abriga duas de suas obras: "I’m Here, but Nothing" (2000) e "Aftermath of Obliteration of Eternity" (2009), que usam luzes e reflexos para falar sobre a fragilidade e a brevidade da vida (veja fotos mais abaixo).

Já no eixo rosa, a céu aberto, a obra "Narcissus Garden" (1966/2009) apresenta o gesto que a artista protagonizou em 1966 na Bienal de Veneza, onde espalhou 1,5 mil esferas espelhadas no gramado em frente ao pavilhão da Itália e passou a vendê-las, uma a uma, com uma placa que dizia: "seu narcisismo à venda". À época, a intervenção chegou a ser interrompida pela organização do evento, mas se tornou um dos atos mais provocadores da história da arte contemporânea.

O comunicado divulgado no site de Kusama informou que ela morreu em um hospital de Tóquio, no Japão, em 14 de agosto, mas não esclareceu a causa da morte. "Ao longo de uma vida extraordinária inteiramente dedicada à criação artística, Kusama construiu uma carreira aclamada internacionalmente como uma artista de vanguarda pioneira, cuja prática criativa abrangeu artes visuais, performance, ficção e poesia [...].

Ela continuou a pintar até seus últimos dias, sem nunca largar o pincel, e seguiu a explorar o amor sem fim e a alma eterna", destacou a mensagem. Veja as obras de Yayoi Kusama no Inhotim: Obras da japonesa Yayoi Kusama ganharam uma galeria no Instituto Inhotim.

Reprodução/TV Globo Obras icônicas e imersivas da artista estão presentes na Galeria Yayoi Kusama Daniel Mansur/Divulgação Yayoi Kusama, 'Aftermath of obliteration of eternity' (2009) Cortesia de Bellagio/Divulgação Yayoi Kusama, Narcissus Garden Inhotim (2009), esferas de aço inoxidável, dimensões variáveis Daniela Paolielo/Inhotim/Divulgação Biografia Yayoi Kusama em uma de suas obras, em Nova York, em 2013 Mike Segar/Reuters Yayoi Kusama nasceu em Matsumoto, uma província rural do Japão, no berço de uma família conservadora, que não aceitava a sua vocação para o mundo das artes.

Frustrada com o caráter sufocante da sociedade japonesa, ela partiu para Nova York aos 27 anos, onde rapidamente conquistou notoriedade com suas pinturas, inspiradas em alucinações de luzes piscantes, pontos e flores que via desde a infância. Ela também escreveu, participou de manifestações contra a guerra durante a década de 1960 e, segundo relatos, influenciou artistas como Andy Warhol. Kusama, que falava abertamente sobre suas lutas com a saúde mental, dizia que Nova York lhe causou neuroses.

Por volta de 1977, poucos anos após retornar ao Japão, ela se internou voluntariamente em um hospital psiquiátrico e viveu no local por décadas, sendo levada todas as manhãs de carro até seu ateliê. "Bolinhas saem voando para todo lado — no meu vestido, no chão, nas coisas que estou carregando, por toda a casa, no teto. E eu as pinto".

No Brasil, a japonesa ganhou diversas exposições ao longo dos anos. Além da galeria permanente no Instituto Inhotim, inaugurada em 2023, a mostra "Obsessão Infinita" foi sucesso de público no país, tendo passado por três capitais em 2014: Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, onde reuniu mais de 500 mil visitantes. Vídeos mais vistos do g1 Minas