Trump diz estar reavaliando posição dos EUA sobre as Malvinas O Reino Unido reiterou nesta sexta-feira (4) que as ilhas Malvinas, que a Argentina reivindica para si, são britânicas, e que essa também "é a opinião da maioria esmagadora" dos habitantes do local.

✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A fala do ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, foi uma resposta a uma nova provocação do presidente da Argentina, Javier Milei, contra o governo britânico para reivindicar a soberania sobre as Malvinas. Miliband afirmou que a posição de Londres sobre as ilhas é "inegociável" e que o território continuaria sendo britânico porque "essa é a posição da esmagadora maioria dos habitantes das ilhas”.

Agora no g1 Em pronunciamento inflamatório na quinta-feira, Milei anunciou a construção de uma base naval na Terra do Fogo, no extremo sul da Argentina, e sanções econômicas contra empresas petroleiras das Malvinas que têm um projeto de exploração na região. Na fala, o presidente argentino também mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que nesta semana disse "estar reavaliando" a posição do governo norte-americano sobre a soberania das Malvinas.

Ainda na quinta-feira, o governo Milei divulgou nas redes sociais uma foto de satélite das Ilhas Malvinas com a legenda "estamos de olho". Presidente da Argentina, Javier Milei (à esquerda), e primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham.

Reuters/Jean Carniel/AP Photo/Kin Cheung/Pool Disputa Argentina x Reino Unido Um dos principais motivos pelos quais a Argentina reivindica a posse é a proximidade: as ilhas ficam a cerca de 600 quilômetros de distância da costa da Patagônia e cerca de 13 mil quilômetros do Reino Unido. Os argentinos argumentam que quem primeiro ocupou as ilhas foram os espanhóis que governavam o Vice-Reino do Rio da Prata – a região que, em 1810, se tornou independente da metrópole da Espanha para virar a Argentina.

Vista aérea de Port Stanley, nas Ilhas Malvinas/Falklands Wikimedia Commons Na década de 1820, já independente da Espanha, a Argentina enviou autoridades para tomar posse das ilhas. Em 1829, nomeou um governador para as Malvinas. Quatro anos mais tarde, em 1833, os ingleses expulsaram as autoridades argentinas das ilhas.

O Reino Unido afirma, no entanto, que sua reivindicação é de 1765, anterior à década de 1820, e que enviou um navio de guerra para as ilhas em 1833 para expulsar as forças argentinas que tinham tentado tomar posse das ilhas. Quase 150 anos depois, em abril de 1982, sob a ditadura, os argentinos lançaram a Operação Rosário, ou seja, a tentativa de recuperar as ilhas com forças militares. Esse foi o começo da Guerra das Malvinas.

O conflito foi vencido pelos ingleses dois meses depois. No total, morreram: 649 soldados argentinos; 255 soldados britânicos; 3 moradores da ilha; Anos depois da guerra, em 2013, os moradores das Malvinas votaram em um plebiscito para decidir o destino da ilha, e optaram por permanecer como um território ultramarino do Reino Unido.