Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, se forma em direito e homenageia o filho na cerimônia Mãe do menino Miguel, Mirtes Renata participou, no fim de semana, da cerimônia de formatura no curso de direito. Durante a festa, ela emocionou ao homenagear o filho, que morreu após cair do 9º andar do prédio de luxo, no Centro do Recife (veja vídeo acima). O caso completou seis anos em junho passado.
A ex-patroa de Mirtes, Sari Corte Real, foi condenada a 7 anos de prisão por deixar o menino sozinho no elevador e apertar o botão da cobertura. O processo ainda não foi concluído e ela responde em liberdade (relembre o caso abaixo). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE A festa aconteceu no sábado (29), em uma casa de festas no Recife.
As imagens, divulgadas nas redes sociais, mostram a nova bacharela quando desce a escadaria para entrar no salão, carregando uma foto de Miguel, ao som de "Maria, Maria", de Milton Nascimento e Fernando Brant. Ao lado de Mirtes, estavam a mãe dela, Marta, a irmã, Fabiana Patrícia, e duas amigas. No telão do evento, foram exibidas fotos de Miguel.
A homenagem emocionou os convidados e colegas, que aplaudiram a entrada dela. "Antes mesmo da formatura, eu já vinha bem sentida, já imaginando esse momento, porque era um momento que eu sonhava para o meu filho, de ser o baile de formatura dele, de descer com ele pelas escadas. Então, no momento, eu decidi: 'meu filho vai estar comigo'.
Então, levei a foto. E no telão, era para ser minha foto, mas eu pedi que não, que fosse do meu filho", afirmou Mirtes, em entrevista à TV Globo. Mirtes, que agora trabalha como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), concluiu a graduação no dia 10 de junho, após tirar a nota máxima no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com uma monografia sobre escravidão contemporânea.
"Eu fiquei muito emocionada. E a música traz um pouco dessa trajetória, de que é preciso ter força, é preciso ter garra, é preciso ter fé. É a minha trajetória: muita força, muita garra, muita fé, muita esperança.
Me emocionei muito, mesmo. Porque eu queria que o meu filho estivesse comigo naquele momento. [...] Meu filho me deu essa missão e precisava estar comigo", afirmou.
Mirtes Renata, mãe do menino Miguel, se forma em direito Arte/g1 "Caminhada muito difícil" Mirtes disse também que o filho foi a principal motivação para seguir em frente e concluir a graduação. Ela contou que decidiu cursar direito para compreender melhor os trâmites do processo relacionado à morte de Miguel. "Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, por muitos desafios.
Muitas vezes eu pensei que não iria conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o propósito dessa caminhada, o propósito de eu continuar", disse. Para Mirtes, a formatura simboliza a conclusão de uma etapa marcada pela dor da perda do filho, mas também pela persistência em manter vivo o sonho que tinha para ele. "Não era para ser eu ali descendo as escadas.
E poderia até ser eu, mas, ao lado do meu filho, eu, minha mãe e meu filho, celebrando o momento da conclusão do curso do meu filho. Por isso, eu escolhi o nome de Miguel Otávio. Porque eu tinha um sonho para ele: de ser um médico, um advogado.
Para ser chamado de Dr. Miguel Otávio", contou.
Relembre o caso Laudo pericial sobre a morte do menino Miguel desmente versão de Sari Corte Real Em 2 de junho de 2020, Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, caiu do 9º andar do Condomínio Píer Maurício de Nassau, no bairro de São José, no Centro da cidade; Mirtes, mãe dele, tinha descido ao térreo para passear com a cadela dos patrões, enquanto a então patroa, Sari Corte Real, responsável por cuidar do menino naquele momento, pintava as unhas com uma manicure; O garoto ficou no apartamento de Sari, localizado no 5º andar e, num determinado momento, correu até o elevador; Imagens de uma câmera de segurança mostram Sari Corte Real apertando um botão do elevador e deixando a porta fechar com o menino dentro (veja vídeo acima); Um laudo pericial concluiu que o botão que Sari apertou levava o elevador para a cobertura do edifício; O vídeo mostra, ainda, o equipamento parando no 9º andar e o garoto saindo da cabine; Perdido, Miguel caminhou até um vão onde fica o maquinário dos aparelhos de ar-condicionado e caiu no térreo, morrendo enquanto era socorrido; Sari foi presa em flagrante na época e autuada por homicídio culposo, mas pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada; Em 2021, Mirtes Renata começou a cursar direito, para entender melhor os trâmites processuais do caso do filho; Com a repercussão do caso, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) criou o Instituto Menino Miguel, voltado para discussões sobre infância, família e envelhecimento; Em 2022, em visita ao instituto, a mãe do garoto homenageou a cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que em 2020 compôs a canção "2 de Junho" sobre a morte de Miguel; Em maio de 2022, Sari foi condenada a oito anos de prisão e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte, porém, em novembro do ano seguinte, a pena foi reduzida a sete anos; Além do processo criminal, o casal Sari e Sérgio Hacker responde a uma ação trabalhista por convocar as ex-funcionárias Mirtes Renata Santana e Maria Marta, mãe e avó de Miguel, para trabalhar durante a pandemia e por pagar os salários delas com dinheiro da prefeitura de Tamandaré; O processo, que condenou o casal a pagar uma indenização de R$ 1 milhão à família do menino, foi suspenso pelo STJ em setembro de 2024; A família do menino também entrou com uma ação cível contra Sari por danos morais, pedindo uma indenização de R$ 1 milhão; Em maio de 2023, um abaixo-assinado com quase 2,8 milhões de assinaturas pediu celeridade no julgamento sobre o caso; No mês seguinte, Sari Corte Real se matriculou no curso de medicina numa faculdade particular; Em 2 de junho de 2025, cinco anos após o falecimento do garoto, Mirtes realizou um ato em frente ao local onde o menino morreu para marcar a data e pedir justiça pelo caso.
Em maio de 2026, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) negou um recurso apresentado pela defesa de Sari Corte Real e manteve a condenação a 7 anos de prisão; Ela segue respondendo em liberdade ao processo, que tramita há mais de seis anos após a morte de Miguel. Sari Corte Real Fantástico VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias



