O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, que também foi ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) Reprodução/Instagram O ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira, que também foi ex-secretário de Mobilidade e Trânsito da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), foi preso nesta quinta-feira (17), pela Operação Vectura Corrupta.
A operação da Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público foi deflagrada nesta quinta-feira (17) e cumpri 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Além de Levi, um dos alvos é o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil). A ação é a terceira fase da investigação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Levi dos Santos Oliveira foi presidente da SPTrans no ano de 2020, indicado ao cargo pelo ex-prefeito Bruno Covas (PSDB). Após a morte de Covas e a assunção de Ricardo Nunes (MDB) ao cargo de prefeito, Levi deixou a SPTrans e assumiu a Secretária Municipal de Mobilidade e Trânsito. Levi dos Santos Oliveira foi presidente da SPTrans no ano de 2020, indicado ao cargo pelo ex-prefeito Bruno Covas (PSDB).
Reprodução/Redes Sociais Ele ingressou na SPTrans em 1991 por meio de Seleção Pública da antiga CMTC, onde fez a sua carreira na área de planejamento e chegou a diretor de Planejamento de Transporte da empresa em janeiro de 2017. Graduado em Ciências da Computação e pós-graduado em Planejamento de Mobilidade Urbana, Levi Oliveira assumiu a presidência da empresa com o objetivo de administrar o transporte público da capital paulista e aparar arestas com as empresas de ônibus da cidade.
Milton Leite Milton Leite não foi encontrado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir o mandado. Segundo apurou a GloboNews, a polícia passou a considerá-lo foragido diante das circunstâncias encontradas no imóvel. Policiais permanecem no local para cumprir mandado de busca e apreensão.
nMas ele diz que estava viajando em compromissos de campanha eleitoral e que vai se apresentar à polícia. Ele também negou as acusações. Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara de SP Paulo Gomes/TV Globo De acordo com informações obtidas durante a diligência, Milton estava em casa até a tarde de quarta-feira (16).
Uma funcionária relatou aos policiais que ele saiu à noite para um compromisso de campanha. Também foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual. Ao todo, a operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Investigação aponta influência de Milton Leite no setor de ônibus Segundo apuração da GloboNews, a investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite. A conclusão foi sustentada, segundo investigadores, pela análise de interceptações envolvendo operadores e por elementos de outras investigações relacionadas ao papel decisório do ex-vereador.
No pedido que embasou a operação, Milton Leite é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção. O documento também menciona declarações de policiais militares, prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff. Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, depois de sete mandatos como vereador e de ter presidido a Câmara Municipal por quatro vezes.
Atualmente, ele é presidente do União Brasil na cidade de São Paulo. Em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP). A Operação Vectura Corrupta é realizada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
Ex-presidente da SPTrans preso Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. Segundo os investigadores, apesar de Levi não aparecer como interlocutor direto de José Daniel Satilite, apontado como um dos personagens centrais do esquema, os dois teriam mantido encontros periódicos.
A investigação afirma que essas reuniões tinham como finalidade tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transporte, especialmente após a deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024. Outra frente da operação chegou a Danilo Marco Morgado Silva, que disputou a Prefeitura de Praia Grande em 2024 e era candidato a deputado estadual, mas teve o registro cassado. Ele também foi preso nesta quinta.
Danilo já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decurio. Segundo a Polícia Civil, a nova etapa da investigação identificou um "forte vínculo" dele com integrantes do PCC e indícios de que sua campanha à prefeitura teria sido financiada pela organização criminosa.
12 empresas de ônibus na mira A investigação identificou 12 empresas de transporte coletivo de passageiros que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC: Viação Transcap, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial Transportes, Move Bus, Pêssego Transportes, Allianz Transportes, Transunião, Qualibus Transportes, Norte Bus e Spencer Transportes. Parte dessas companhias já apareceu em investigações anteriores da Polícia Civil e do Ministério Público sobre a atuação do PCC no setor.
A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha, e seu então presidente, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, foi preso sob suspeita de vínculos com a facção. A investigação da Vectura Corrupta também chama atenção para o fato de Alfa Rodobus e Sancetur terem assumido operações anteriormente realizadas por Transwolff e UpBus após a operação de 2024.
Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos apontam para uma possível infiltração da organização criminosa no sistema de transporte público da capital, com atuação de integrantes e intermediários do PCC em empresas e procedimentos licitatórios. 'Sintonia dos Gravatas' Outra frente da operação investiga a chamada "Sintonia dos Gravatas", núcleo formado por advogados que, segundo a polícia, atuaria diretamente em benefício da organização criminosa, ultrapassando os limites do exercício profissional da advocacia.
Entre os investigados estão Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu. Segundo a investigação, escritórios e contas bancárias teriam sido utilizados para reuniões, movimentações financeiras e outras atividades de interesse da facção. O principal investigado apontado nesta fase é José Daniel Satilite, conhecido como Alemão.
A Polícia Civil afirma que ele integra o PCC e funcionaria como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas próximas a políticos e integrantes da facção. Histórico das investigações A Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024. A investigação começou após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba e avançou a partir da extração de dados do celular da mulher de um dos líderes da facção.
As informações levaram à identificação de integrantes das chamadas "Sintonia Restrita" e "Sintonia dos Gravatas" e, segundo a polícia, revelaram um projeto de infiltração do crime organizado nas eleições municipais de 2024. Outro desdobramento ocorreu em abril deste ano, com a Operação Contaminatio.
Nessa etapa, Polícia Civil e Ministério Público investigaram uma fintech que, segundo a apuração, era utilizada pela facção e pretendia entrar em administrações municipais para gerenciar o recebimento de tributos e taxas. Agora, segundo os investigadores, a análise do material apreendido nas etapas anteriores permitiu avançar sobre dois outros braços: a influência do PCC no transporte coletivo e o financiamento de campanhas eleitorais.
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira (17) a Operação Vectura Corrupta para cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Um dos alvos é o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil). A ação é a terceira fase da investigação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, depois de sete mandatos como vereador e de ter presidido a Câmara Municipal por quatro vezes. Atualmente, ele é o presidente do União Brasil em São Paulo. Em julho, o ex-vereador foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), que reúne o União Brasil e o Progressistas (PP) e forma uma das maiores forças políticas do país.
Nesta terceira etapa, a operação mira o controle financeiro e operacional da facção sobre 12 empresas de ônibus com indícios de fraudes sistemáticas em licitações. A outra frente foca na chamada "sintonia dos gravatas" — núcleo de advogados que atua diretamente nos crimes e na legitimação dos interesses da organização.
Além dos alvos dos mandados de prisão, a investigação desta fase aponta o envolvimento de ex-servidores do alto escalão da Prefeitura de São Paulo e identificou um candidato a deputado, e ex-candidato a prefeito, que teve a campanha eleitoral custeada pelo crime organizado.
LEIA TAMBÉM: Investigação da PM liga Milton Leite, ex-presidente da Câmara de SP, a empresa de ônibus suspeita de elo com PCC Após 27 anos na Câmara de SP, Milton Leite não registra nova candidatura para vereador Histórico das investigações O avanço de hoje é um desdobramento direto de duas operações anteriores. Em abril de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio, focada na estrutura de uma fintech gerida pela facção.
O objetivo do grupo era usar a empresa de tecnologia financeira para se infiltrar em prefeituras e assumir o gerenciamento do recebimento de tributos, taxas e o contato direto com os munícipes. Naquela etapa, a investigação desarticulou a rede de doleiros e de operadores de criptoativos usada na lavagem do dinheiro e prendeu um ex-vereador de Santo André. Toda a apuração teve início em agosto de 2024, com a Operação Decurio.
Após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, os investigadores extraíram dados do celular da mulher de um dos líderes da facção. As informações do aparelho levaram à identificação e prisão de chefes da chamada "Sintonia Final" e à descoberta da fintech, que chegou a movimentar cerca de R$ 8 bilhões.
Foi também na primeira fase que surgiram as evidências iniciais do braço político da organização, com a identificação de campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado.



